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1 kg deixa de ser 1 kg em 2019? Entenda a redefinição dos cientistas

Por Jessica Pinheiro | 19 de Novembro de 2018 às 15h10

Por 129 anos, o valor do quilograma foi definido com base em um artefato físico, um pedaço de platina-irídio armazenado em um cofre em Paris, conhecido como “Protótipo Internacional de Quilograma” (do inglês: IPK). Porém, graças a algumas alterações em seu peso – as quais alguns especulam que tenham acontecido por meio de contaminação –, o objeto passou a ser visto como uma ameaça para o sistema métrico, já que as medições precisas podem ser alteradas em experimentos científicos.

Então, uma votação foi realizada pelo Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), a agência que preserva o sistema métrico, perto de sua sede em Versalhes, na França. Na ocasião, cientistas participaram do evento que redefiniu o quilograma: agora, ele será definido usando uma constante de natureza, e não mais à base de um artefato físico. E antes que o pânico possa se instaurar: não, o peso da medida não mudará.

Isso significa que o cálculo para definir o quilograma será usado com base na constante de Planck, ou simplesmente h, isto é, a menor quantidade de energia possível. Além do quilograma, outras três unidades foram redefinidas: o ampere, o Kelvin e o mole, os quais agora estão oficialmente ligados a constantes da natureza também.

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Alguns dos cientistas expressaram sua tristeza na votação com o “enterro do quilo”, mesmo sabendo que o novo sistema será melhor. Por outro lado, Klaus von Klitzing, um dos ganhadores do prêmio Nobel que estavam presentes, afirmou: “Hoje celebramos um funeral e um casamento ao mesmo tempo. De acordo com ele, e de maneira bem sumária, as vantagens superam as desvantagens em relação à nova métrica.

(Imagem: ABC News)

O evento foi tanto científico quanto diplomático, seguindo o legado deixado pelo Tratado de Metro, ocasião em que foi criado o BIPM em 1875, sendo este um dos mais antigos acordos internacionais. Com a recente votação, portanto, as unidades métricas passam a ser oficiais em todas as nações da Terra – até mesmo para a Libéria, Mianmar e os Estados Unidos, que possui suas próprias unidades de sistema métrico.

Todas as nações, portanto, participaram da votação, respondendo a uma folha com algumas perguntas sobre métodos práticos em que as unidades poderiam ser aplicadas. De acordo com Willie May, ex-diretor do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST), o processo foi demorado, mas recompensador, afinal, ter tantas pessoas debatendo e concordando é sempre “longo, tedioso e delicado”, mas definitivamente “algo que precisa ser feito”.

Isso porque um sistema de unidades consistentes dificulta o comércio e a pesquisa científica, por exemplo. Essa redefinição tem como base, portanto, a troca de bens e descobertas futuras, bem como no desenvolvimento de novas tecnologias, as quais que exigem medições precisas. Imagine como seria o desenvolvimento de um microchip quântico para um computador ou a produção de um medicamento sem unidades universais práticas e coesas?

Considerando tudo isso, a votação foi unânime. “A sensação é de que os planos funcionaram. Somos a organização internacional de medição e nosso trabalho é coordenar o esforço internacional. Para mim, o sucesso é se nossos estados membros acharem que é um sucesso”, afirmou Martin Milton, diretor do BIPM, ao The Verge. Os metrologistas, por sua vez, também expressaram satisfação com a experiência.

Fonte: The Verge

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