Por que as grandes empresas querem levar data centers de IA para o espaço?
Por Danielle Cassita |
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A SpaceX, Amazon e Blue Origin são algumas das companhias aeroespaciais que solicitaram autorização à Comissão Federal de Comunicações dos EUA para lançar mais de um milhão de data centers orbitais no espaço nos próximos dez anos. O pedido vem como uma proposta de solução para a crescente escassez de energia, mas vem preocupando cientistas.
Segundo estimativas do Instituto de Pesquisa em Energia Elétrica, os data centers de inteligência artificial podem, sozinhos, responder por 17% do consumo de eletricidade nos Estados Unidos. Cientes disso, as companhias propõem levar esta infraestrutura para o espaço, onde é bem mais fácil de produzir energia solar. Além disso, o calor irradiado poderia ser dissipado mais facilmente. Fácil, certo?
Só que não. Apesar de prometer aliviar a sobrecarga das redes elétricas e dos reservatórios de água terrestres, o plano acendeu um alerta vermelho entre cientistas. O motivo? Se conduzida em larga escala, esta operação pode desencadear uma crise ambiental inédita na atmosfera superior do planeta devido ao acúmulo de poluentes de lançamentos e reentradas dos veículos espaciais.
Riscos para a atmosfera terrestre
Hoje, a órbita da Terra abriga quase 20 mil satélites; quando chegarem ao fim das suas vidas úteis, estes equipamentos vão reentrar pela atmosfera, onde vão ser queimados e transformados em cinzas tóxicas. Já os data centers orbitais que a SpaceX pode um dia lançar seriam maiores, com painéis solares com mais de 70 metros de largura e pesariam 7,5 toneladas métricas. Para completar, os satélites teriam que ser substituídos a cada cinco anos para atualizações.
Pesquisadores alertam que a reentrada contínua dessas estruturas na atmosfera vai vaporizar toneladas de metais, disparando cinzas tóxicas no ar todos os anos. “Se você tiver centenas ou milhares ou milhões de satélites no espaço, um por vez, você vai criar uma chuva de materiais de origem humana, equipamentos eletrônicos e metais que normalmente não iriam para a atmosfera” observou Andrew Wilson, pesquisador de sustentabilidade espacial na Universidade de Glasgow.
Além dos danos ambientais, as constelações de satélites geram fortes protestos na comunidade astronômica, porque a poluição luminosa destas centenas de milhares de novos objetos em órbita pode inviabilizar a observação do universo a partir da superfície da Terra. Diante das incertezas, especialistas reforçam: é preciso regulação rigorosa e estudos de impacto antes que os lançamentos sejam autorizados.
Saiba mais sobre o assunto na nossa matéria que explica o que é lixo espacial!