Por que a poeira de Marte é uma das maiores ameaças para missões espaciais?
Por Danielle Cassita |
:quality(85)/b8a3ec31-543d-4ac8-9814-49a8d267ca17.png)
Os cientistas já sabem que Marte, o Planeta Vermelho, é coberto por poeira nem um pouco agradável para o corpo humano. Sabendo disso, como a NASA e outras agências espaciais podem seguir com os planos para enviar astronautas ao mundo vizinho em um futuro não tão distante?
Para descobrir, a NASA criou o Grupo de Trabalho sobre Limites de Poeira Marciana para avaliar os riscos toxicológicos do solo marciano e criar normas de segurança para futuras missões tripuladas por lá. A iniciativa é multidisciplinar, e conta com a expertise combinada de geólogos, médicos e designers de habitats.
Juntos, estes profissionais definiram diretrizes preliminares para tentar limitar a exposição dos astronautas a partículas nocivas da atmosfera do Planeta Vermelho. A ideia é se preparar com antecedência para o problema da poeira já conhecido pelos astronautas da era Apollo, o programa lunar da NASA, mas com foco agora nas ameaças do solo marciano.
Poeira de Marte
Por um lado, as partículas em Marte são menos cortantes que a poeira da Lua; por outro, estes grãos contêm substâncias químicas altamente tóxicas, como percloratos, metais pesados e compostos cancerígenos, que precisam ser cuidadosamente filtrados para não afetar a saúde dos astronautas.
Só que as vias de exposição destes futuros exploradores vão além da inalação direta ao caminhar na superfície — na verdade, os especialistas alertaram que a poeira pode impregnar trajes, invadir o interior dos habitats e até contaminar eventuais estufas, criando um risco contínuo em ambientes fechados e de baixa umidade, onde as partículas permanecem em suspensão.
“A melhor estratégia é priorizar a prevenção. Mantenha o máximo possível de poeira fora do habitat, remova-a rapidamente quando ela entrar, monitore as partículas em suspensão no ar e projete o sistema de forma que as equipes não precisem recorrer a contramedidas médicas após a exposição”, aconselhou Shaunna Morrison, professora da Universidade Rutgers, que atuou como membro de um painel do grupo.
Para reduzir os impactos, a NASA segue com foco na prevenção ao desenvolvimento de tecnologias de exploração. Em outras palavras, a estratégia prevê a criação de sistemas avançados de remoção de sujeira, monitoramento da qualidade do ar nos habitats e a constante revisão dos padrões de segurança conforme novas amostras e dados forem analisados.