Publicidade

O que o fim de uma estrela a 650 anos-luz revela sobre o futuro do Sol?

Por  | 

Compartilhe:
nebulosa da hélice
NASA, ESA, C. R. O’Dell/Andrew McCarthy

E se uma estrela “morta” pudesse ser reciclada? Pois é o que astrônomos da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, observaram no interior da célebre Nebulosa da Hélice. Com o observatório El Sauce, no Chile, eles identificaram uma estrela que chegou ao fim do seu ciclo, com seus restos reabsorvidos pelo meio interestelar que a formou.

Continua após a publicidade

As estrelas podem durar bilhões de anos. Dependendo do quão massivas são, quando esgotam as reservas de combustível que sustenta sua estrutura pela fusão nuclear elas podem passar por processos fantásticos — aquelas como o Sol, por exemplo, encerram seus ciclos como belas nebulosas planetárias.

Este, aliás, é o caso da Nebulosa da Hélice: ali, há uma estrela que esgotou o hidrogênio necessário para a fusão nuclear. Como resultado, o astro se transformou em uma gigante vermelha, cujas camadas mais externas se expandiram e formaram a nebulosa. Esse processo de expansão espalha no gás interestelar elementos necessários para a formação de novas gerações de estrelas — e é aqui que entra o novo estudo.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

O que vai acontecer com o Sistema Solar

A observação da nebulosa é importante porque, até agora, os cientistas não tinham flagrado o momento em que os restos de uma estrela morta são absorvidos pelo meio interestelar. “Estamos observando que o material ejetado perto do fim da vida de uma estrela é fragmentado e devolvido à galáxia. Essa transição — de detritos estelares reconhecíveis para o gás difuso entre as estrelas — tem sido muito difícil de observar”, afirmou Pieter van Dokkum, autor que liderou o estudo.

Assim, os resultados revelam detalhes de etapa fundamental do ciclo cósmico, demonstrando que o material ejetado pela expansão gasosa sobrevive por cerca de 10 mil anos após colidir com o gás do meio interestelar antes de ser reabsorvido. Esse processo de “reciclagem cósmica” enriquece a Via Láctea com elementos químicos essenciais para a formação de novas gerações de sistemas estelares, planetas e, quem sabe, de vida.

Além de ajudar os cientistas a entenderem melhor a dinâmica da Nebulosa da Hélice, o estudo dá “spoilers” do fim do nosso Sistema Solar: em aproximadamente cinco bilhões de anos, o Sol também vai esgotar seu combustível de hidrogênio, transformando-se em uma nebulosa planetária similar, “devolvendo” seus componentes químicos à galáxia.

As descobertas foram publicadas na revista Nature.