Vendas de carros crescem no Brasil, mas fabricação nacional não acompanha; saiba porquê
Por Danielle Cassita |
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As vendas de carros no Brasil ganharam ritmo, mas a tendência observada na produção nacional foi outra. Embora as vendas tenham registrado alta de 18,4% entre janeiro e agosto, a evolução da fabricação foi de apenas 8,5% no período. O alerta foi feito por Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
Segundo a entidade, das 148 mil unidades adicionais comercializadas no mercado brasileiro, cerca de 101 mil vieram do exterior; a maioria vem da China montada em kits desarmados (CKD ou SKD), ou seja, têm baixo conteúdo nacional.
Esse cenário reflete o avanço dos veículos importados, que tiveram alta de 30,3% em vendas contra apenas 17,2% dos nacionais. Segundo Calvet, o avanço dos modelos importados, principalmente dos chineses, ajuda a explicar a fatia tímida de mercado da indústria local.
Impostos e estoques de elétricos
Apesar da repercussão sobre o avanço dos modelos elétricos e híbridos, os carros flex continuam liderando o mercado com folga, somando 68,3% das vendas no acumulado do ano. Os motores a diesel aparecem em seguida, com 9,2%, superando os elétricos puros, que registram 7,6%. O restante da lista fica por conta dos híbridos plug-in (6,1%), os híbridos convencionais (5,9%) e as opções movidas apenas a gasolina (2,7%) ou etanol (0,1%).
A partir de janeiro próximo, o imposto de importação para veículos elétricos e eletrificados vai ser impactado pela alíquota cheia de 35%, inclusive para kits desarmados. No entanto, a desaceleração pode ser atenuada pelo elevado estoque de modelos importados antes da recomposição tarifária, o que garante fôlego para marcas como a BYD continuarem crescendo no mercado.
Vale lembrar que, enquanto isso, as vendas de carros elétricos e híbridos batem recorde histórico no Brasil.