Tesla “pegou atalhos” na fabricação do Model 3, dizem ex-funcionários

Por Rafael Arbulu | 16 de Julho de 2019 às 11h12
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A Tesla “tomou atalhos” na fabricação, produção e montagem de seu mais recente lançamento, o Model 3. É isso o que afirmam oito funcionários e ex-funcionários da montadora liderada por Elon Musk à reportagem da CNBC.

Pelas fontes, que requisitaram anonimato devido à sua proximidade com a empresa, as metas agressivas de produção do Model 3 fizeram com que gestores os obrigassem a executar tarefas em condições praticamente insalubres de trabalho.

Quatro pessoas dizem que a urgência da Tesla em assegurar a meta de produção fez com que diversas unidades do Model 3 tivessem remendos plásticos em partes quebradas ou trincadas da carroceria ao invés de serem refeitas. Mais além, algumas unidades do veículo acabariam passando para a linha de vendas “faltando parafusos, presilhas e porcas”, bem como outros itens internos de segurança.

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O Tesla Model 3: sedã mais barato da montadora americana de carros elétricos teria "tomado atalhos" em fase de produção a fim de cumprir metas rigorosas de entrega; a Tesla nega

A maior parte das acusações remete à “Tenda GA4”, uma linha de produção fabril da Tesla conhecida por ser a céu aberto. Segundo ex-funcionários, a gestão da empresa os obrigava a trabalhar no local em temperaturas mais quentes que o normal durante o dia e mais frias que o normal durante a noite. Ampliam as acusações pessoas que indicam que, ao contrário de outras linhas de montagem da Tesla, a GA4 não é totalmente automatizada e muito do trabalho desenvolvido ali é “braçal”.

As acusações chegam em momento inoportuno para a montadora: recentemente, a Tesla disse aos seus investidores que produziu 87.048 veículos no segundo trimestre de 2019 (abril a junho), sendo 72.531 Model 3. Ambos os números relatados são recordes de produção da empresa. A expectativa passada pela empresa para seus investidores é de 360 mil veículos entregues até o final do ano, sendo pelo menos 250 mil Model 3, atualmente o sedã mais barato da montadora.

Comentando a reportagem da CNBC, um porta-voz da empresa disse que as acusações veiculadas são “enganosas e não refletem as [nossas] práticas de manufatura, tampouco a realidade de como é trabalhar na Tesla”. Sobre os atalhos, o porta-voz disse que a prática não é aprovada e que todos os veículos que deixam o chão de fábrica são rigorosamente testados antes de suas respectivas entregas. As fontes da CNBC indicam que a empresa “pulou” alguns testes.

Desde 2018 a Tesla vem enfrentando dificuldades de entrega e logística, arcando com prejuízos consideráveis. Segundo o CEO Elon Musk, isso se deu porque a empresa está produzindo e entregando demandas cada vez maiores dos consumidores. Os carros da empresa se tornaram mais e mais populares, com mais pedidos chegando e, consequentemente, maiores metas de produção foram estipuladas.

Musk não se posicionou sobre as acusações veiculadas na CNBC.

Fonte: CNBC

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