Roubos de carros elétricos sobem mais de 100% em SP; entenda o motivo
Por Danielle Cassita |
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O volume de roubos e furtos de carros elétricos e híbridos disparou. De acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), a alta já passou de 100% no estado de São Paulo enquanto acompanha a expansão acelerada da frota eletrificada, que soma mais de 765 mil unidades no país.
Somente neste ano, o período entre janeiro e maio saltou de 44 para 101 ocorrências, o que representa aumento de 129% em comparação com o período no ano passado. Atualmente, a capital paulista concentra a maioria das ocorrências no estado, com 74 registros entre janeiro e maio.
Apesar do salto nos números, a ABVE ressalta que os dados não indicam que os modelos eletrificados sejam mais vulneráveis do que os carros a combustão — tanto que, segundo a instituição, os sistemas desses carros têm níveis de proteção muito semelhantes, fazendo com que a facilidade de invasão ou acionamento seja equivalente.
Furtos de carros elétricos
Ricardo Bastos, presidente da ABVE, observa que o salto nos números veio acompanhado também do crescimento da frota, aliado à maior compreensão do consumidor destas tecnologias. “E a gente sabe que do outro lado os bandidos também começaram a entender melhor o carro elétrico e o eletrificado. Normalmente o bandido prefere um carro que ele já conheça”, observou.
Em outras palavras, os números altos devem ser compreendidos como um sinal de que os criminosos já estão mais familiarizados com os carros elétricos — e, aqui, o conhecimento vale tanto para o sistema do veículo quanto para o alto valor de mercado de muitos destes. Embora o pacote de baterias seja o item mais valioso do veículo, especialistas descartam que o furto isolado do componente seja o principal fator das ocorrências.
Além da alta complexidade técnica, as baterias dos carros elétricos podem pesar meia tonelada, operam com altíssima voltagem e só podem ser removidas com ferramentas. Por isso, o crime ocorre pelo furto do carro “completo”, que é levado a desmanches ilegais para o reaproveitamento de componentes elétricos.
Outra modalidade em alta é o furto de cabos em eletropostos públicos. Criminosos miram o cobre presente na fiação para venda no mercado clandestino de sucatas, em ações rápidas executadas em locais desprotegidos. Para conter o problema, operadoras de recarga vêm investindo em revestimentos com malha de aço e compartimentos trancados liberados apenas por apps específicos.
E, afinal, será que o truque da chave do carro no micro-ondas protege contra roubos?