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Review BYD King: passamos 1 mês com o híbrido que "destronou" o Corolla

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BYD King (capa review)
Paulo Amaral/Canaltech

Durante décadas, falar em sedan médio no Brasil era quase sinônimo de falar em Honda Civic, Nissan Sentra e, principalmente, em Toyota Corolla. A receita parecia pronta: bom espaço interno, conforto, confiabilidade, consumo razoável e uma mecânica conhecida. Só que o mercado mudou, a eletrificação ganhou força e apareceu uma nova geração de carros chineses disposta a mexer justamente onde o Corolla parecia “reinar” confortavelmente.

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Foi justamente por conta da mudança de cenário que a reportagem do CT Auto passou um mês com o BYD King GS, um híbrido plug-in que chegou ao Brasil com uma proposta bastante diferente da que estamos acostumados a encontrar entre os sedans médios. Depois de conviver diariamente com o carro, ficou claro que a BYD não tentou apenas criar mais um concorrente para o Corolla. O King foi pensado para convencer o consumidor de que talvez já seja hora de procurar outra referência: um novo “rei”.

A pergunta que ficou depois de algumas semanas de uso foi inevitável: o BYD King realmente conseguiu destronar o Corolla? A resposta não está apenas nos 235 cv de potência combinada, nos 7,3 segundos para chegar aos 100 km/h ou na possibilidade de rodar utilizando eletricidade. Ela está na experiência de usar o carro todos os dias, no trânsito, na estrada, na hora de abastecer e, principalmente, na sensação de dirigir um sedan que parece ter sido projetado para uma época diferente.

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BYD King GS: primeiro contato engana, e isso é bom

O King não é um carro pequeno. São 4,78 metros de comprimento, 1,84 m de largura e 2,72 m de entre-eixos. Mesmo assim, ele não passa aquela sensação exagerada de sedan grande. A posição de dirigir é confortável e o espaço interno é suficiente para levar quatro adultos com bastante tranquilidade. No banco traseiro, o bom entre-eixos ajuda a deixar a experiência mais agradável para quem não está ao volante.

O porta-malas também merece destaque. São 450 litros, capacidade suficiente para a rotina familiar e para uma viagem sem precisar escolher demais o que vai ou não entrar. O tanque de combustível tem 48 litros e o carro utiliza pneus 215/55 R17. São números que ajudam a entender por que o King funciona tão bem como carro de uso cotidiano, mesmo sendo um híbrido plug-in.

O que muda de verdade ao dirigir um híbrido plug-in

A primeira grande diferença aparece logo nos primeiros quilômetros. Com a bateria carregada, o King pode rodar como um carro elétrico em boa parte da utilização cotidiana. O silêncio do motor elétrico e a resposta imediata do acelerador mudam completamente a relação com o trânsito e aumentam o prazer em dirigir.

É aqui que a proposta do sistema DM-i começa a fazer sentido. O motorista não precisa ficar escolhendo o tempo inteiro qual motor deve funcionar. A eletrônica administra o conjunto e permite aproveitar a eletrificação no dia a dia, enquanto o motor 1.5 aspirado entra em cena quando necessário. Na versão GS, o motor elétrico entrega 197 cv e o conjunto chega a 33,2 kgf/m de torque, com potência combinada de 235 cv. A aceleração de 0 a 100 km/h é feita em 7,3 segundos.

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Saímos de São Paulo para Jundiaí com carga completa e tanque cheio

Um dos testes mais interessantes realizados durante esse período começou justamente fora da rotina. A reportagem do CT Auto saiu de São Paulo com destino a Jundiaí com a bateria completamente carregada e o tanque cheio. A ideia era simples: começar a experiência com as duas fontes de energia disponíveis e observar como o carro se comportaria durante o percurso.

O mais interessante não foi simplesmente saber quantos quilômetros o King conseguiria percorrer. Foi perceber como a combinação entre os dois sistemas tira do motorista aquela preocupação comum de escolher entre eficiência e autonomia. Se a eletricidade acaba, existe gasolina. Se há carga disponível, o sistema pode explorar o motor elétrico. É uma lógica bastante diferente da de um carro elétrico puro e, ao mesmo tempo, muito distante de um híbrido convencional.

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BYD King na cidade: como é rodar sem um pingo de gasolina

Depois de um mês, ficou claro que a melhor forma de avaliar o King não é olhar apenas para um número isolado de consumo. O resultado depende diretamente da frequência com que o proprietário consegue recarregar a bateria e do tipo de trajeto que realiza. Quem consegue carregar o carro em casa e utiliza o King principalmente na cidade tem uma vantagem enorme, pois é possível rodar sem gastar um pingo de gasolina em trajetos urbanos, desde que não exceda o limite da bateria. 

versão GS tem bateria Blade de 18,3 kWh e autonomia elétrica de 78 km pelo ciclo PBEV, segundo a ficha técnica da BYD. A marca também informa autonomia combinada de até 1.200 km no ciclo NEDC, menos exigente que o aferido pelo Inmetro. São números de laboratório e, portanto, não representam necessariamente o que será obtido em todas as condições de uso.

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King dá "surra tecnológica" no Corolla

É claro que a expressão é uma provocação, mas existe uma razão para ela aparecer nesta análise. O Corolla continua oferecendo um pacote tecnológico relevante, incluindo central multimídia de 10 polegadas, Android Auto e Apple CarPlay sem fio e, nas versões mais equipadas, sistemas do Toyota Safety Sense e serviços conectados.

O King GS, porém, coloca uma quantidade bastante grande de recursos no pacote e, depois de um mês de convivência, é difícil não perceber essa diferença. O Corolla aposta em uma evolução cuidadosa de uma fórmula conhecida. O BYD, por outro lado, parece querer fazer o motorista perceber que está diante de um produto de uma nova fase da indústria. Entre os principais recursos estão:

  • Central multimídia de 12,8 polegadas com tela flutuante e rotativa, um dos elementos que mais chamam atenção no interior
  • Câmera com visão 360 graus, útil principalmente nas manobras em vagas apertadas
  • Conectividade 4G e atualização remota OTA, permitindo que determinados sistemas do carro recebam atualizações sem depender necessariamente de uma visita à concessionária
  • Apple CarPlay e Android Auto, além de comandos de voz e sistema de som com oito alto-falantes
  • Pacote ADAS, que na versão GS inclui controle de cruzeiro adaptativo, controle de cruzeiro inteligente, alerta de colisão frontal, alerta de mudança de faixa, assistente de permanência em faixa, monitoramento de ponto cego e frenagem automática de emergência
  • Carregamento sem fio para celular, painel digital de 8,8 polegadas, ar-condicionado de duas zonas, filtro de ar PM2.5 e iluminação ambiente multicolorida
  • Função VTOL, que permite utilizar a energia armazenada na bateria para alimentar equipamentos externos compatíveis.
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Potência aparece mais do que você imagina

Se a proposta fosse apenas economizar combustível, talvez o desempenho não fosse uma das primeiras coisas a comentar. Mas o King GS surpreende justamente porque não se comporta como um carro que está o tempo todo preocupado em economizar. São 235 cv de potência combinada e 33,2 kgf/m de torque, números que fazem o sedan responder rapidamente quando o motorista pisa mais fundo.

A aceleração de 0 a 100 km/h leva 7,3 segundos, segundo a ficha técnica oficial. Na prática, isso significa que ultrapassagens e retomadas acontecem com facilidade. O King não precisa ser conduzido com cuidado por conta da "ansiedade de recarga" e, de quebra, quando o motorista decide exigir mais do conjunto, entrega desempenho de sobra.

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E o conforto? Aqui o King mostra porque é o "Rei"

Um sedan não pode depender apenas de potência ou tecnologia para conquistar o consumidor. Depois de passar um mês com o King, ficou claro que o conforto é uma parte importante da proposta da marca para o carro conseguir, enfim, destronar o Toyota Corolla para se tornar o "Rei" dos sedans. A suspensão tem comportamento voltado para o uso cotidiano e o silêncio proporcionado pelo funcionamento elétrico deixa o trânsito muito menos cansativo. 

O projeto do sedan chinês também se mostrou ajustado na estrada, tanto no quesito conforto quanto na dirigibilidade. A distância entre eixos de 2,718 metros contribui para o espaço interno, enquanto a suspensão dianteira McPherson e a traseira por barra de torção formam uma configuração relativamente simples, mas adequada à proposta do sedan.

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O que não gostamos no BYD King

Nenhuma avaliação de carro, seja ele qual for, pode ser levada 100% a sério se o analista considerar apenas os pontos positivos. Por conta disso, é obrigação do CT Auto destacar quais características podem ser melhoradas pela marca para tornar a convivência com o sedan ainda mais agradável. Uma delas é o tamanho. Os 4,78 metros de comprimento não chegam a transformar o King em um carro difícil de dirigir, mas exigem atenção em vagas menores e em algumas manobras urbanas. É o preço a pagar por ter um sedan espaçoso, confortável e com um bom porta-malas.

interface e a quantidade de recursos tecnológicos exigem um período de adaptação. Quem está acostumado a um carro mais tradicional pode precisar de algum tempo para entender a lógica de funcionamento e encontrar determinados comandos. É aquele tipo de situação em que a tecnologia é interessante, mas poderia ser mais intuitiva.

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Afinal, o BYD King destronou o Corolla?

Depois de um mês, a experiência do CT Auto mostra que a resposta depende do que o motorista espera de um sedan. Se a referência for apenas confiabilidade, tradição e facilidade de revenda, a história é outra. Mas se a comparação considerar tecnologia, eletrificação, desempenho, conforto e a possibilidade de reduzir drasticamente o uso de combustível no dia a dia, o King muda a conversa.

E talvez seja justamente esse o maior mérito do BYD King. Ele não precisa provar que o Corolla é um carro ruim. Muito pelo contrário. O Toyota construiu sua reputação justamente porque entregou durante anos aquilo que o brasileiro esperava de um sedan médio. O King chega dizendo que essas expectativas mudaram.

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Depois de um mês de convivência, de diferentes situações de uso e da viagem entre São Paulo e Jundiaí com carga completa e tanque cheio, a conclusão é que o King não destronou o Corolla por simplesmente ser "melhor". Ele fez algo mais importante: mudou os critérios que fazem muita gente escolher um sedan.

E, quando o consumidor começa a considerar silêncio, desempenho, possibilidade de rodar no modo elétrico, tecnologia e autonomia total antes mesmo de pensar na tradição da marca, o reinado de um ícone como o Toyota Corolla, que parecia consolidado, deixa de ser tão incontestável.

* A unidade do BYD King testada pelo CT Auto para esse review foi gentilmente cedida ao Canaltech pela BYD do Brasil. O preço médio em setembro de 2026 para a versão GS é de R$ 166.990.