Por que carros chineses não ficarão mais baratos, mesmo fabricados no Brasil?
Por Paulo Amaral |

Se você tem esperança de ver os preços dos carros chineses ficarem mais baratos quando todas as marcas que "invadiram" o mercado começarem a nacionalizar a produção, pode "tirar o cavalinho da chuva". Embora, na teoria, isso pudesse acontecer, já que com as fábricas instaladas aqui não haveriam mais as taxas de importação, o cenário real é bem mais complexo.
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Ao trazer a produção para o cá, as empresas enfrentam o chamado “Custo Brasil”: carga tributária elevada, logística cara, juros altos e menor escala de produção. Esses elementos inevitavelmente encarecem o produto final. Ainda assim, as montadoras chinesas optam por instalar fábricas aqui. O motivo principal é evitar o imposto de importação, que para veículos eletrificados será de 35% a partir de julho de 2026.
Produzir localmente permite às empresas chinesas manter competitividade, mesmo que os custos internos sejam maiores. Além disso, parte significativa dos componentes continuará sendo importada, o que mantém a base de custos atrelada à China.
O impacto do Custo Brasil
Segundo especialistas, mesmo com produção nacional, os preços não devem cair. Isso porque a estrutura de custos dos carros chineses permanece vinculada ao modelo global: pesquisa, desenvolvimento e tecnologia seguem concentrados na Ásia. No Brasil, a ausência de produção em escala de itens como baterias e sistemas digitais impede uma redução significativa de preços. Para alcançar equilíbrio, as montadoras precisariam atingir 55% de conteúdo local, algo difícil de concretizar em curto prazo.
Na prática, o consumidor brasileiro não deve esperar grandes reduções de valores. O que pode ocorrer é uma estabilização dos preços, já que a produção local compensa o impacto das tarifas de importação. Para a indústria nacional, o desafio é ainda maior: competir com empresas que chegam com estrutura global consolidada e capacidade de adaptação rápida. O cenário indica que os carros chineses continuarão competitivos, mas não necessariamente baratos, mesmo quando fabricados em território brasileiro.
Fonte: Uol