Os segredos da tecnologia da BYD no metrô de São Paulo
Por Paulo Amaral |
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A BYD é referência no segmento de carros eletrificados, e isso não é segredo para ninguém. O que talvez poucos saibam é que a montadora chinesa também tem seus "segredos" no metrô de uma das capitais mais importantes do Brasil: São Paulo.
A Linha 17-Ouro do metrô de SP "esconde" uma série de tecnologias que vão muito além dos trens que circulam sobre as vigas elevadas. Desenvolvido pela BYD, o SkyRail combina baterias embarcadas, condução automática e sistemas de controle que trabalham em conjunto para movimentar passageiros pela capital paulista. Parte dessas soluções funciona longe dos olhos de quem utiliza o transporte diariamente.
Um dos detalhes mais curiosos está nas baterias Blade, tecnologia criada pela fabricante chinesa para seus veículos eletrificados e adaptada ao monotrilho. Embora a composição utilize a rede elétrica durante a operação normal, o armazenamento de energia permite que o trem continue se deslocando em situações de emergência. A proposta é evitar que uma falha no fornecimento elétrico deixe passageiros parados em um trecho elevado.
Baterias Blade agem em casos de emergência
Ao contrário do que pode parecer, as baterias embarcadas no SkyRail não foram projetadas para substituir a alimentação elétrica convencional. Elas funcionam como uma reserva de energia para situações de contingência e ajudam a manter a operação quando ocorre uma interrupção no fornecimento externo.
A autonomia nominal considerada para o sistema é de 8 quilômetros, distância superior aos 6,7 quilômetros da extensão atual da Linha 17-Ouro. Em testes da BYD, uma composição chegou a percorrer 13 quilômetros utilizando apenas a bateria. Na prática, esse recurso pode fazer a diferença em uma falha elétrica. O sistema também pode manter funções essenciais, como iluminação, ventilação, comunicação e controle operacional, enquanto mecanismos de monitoramento e proteção acompanham o funcionamento das baterias.
Como funciona a condução automática da BYD
Outra tecnologia importante está no sistema de sinalização CBTC, sigla para Communications-Based Train Control. Integrado ao Centro de Controle Operacional, ele permite acompanhar a circulação dos trens, coordenar os movimentos e realizar paradas precisas nas estações. Atualmente, as composições já fazem a condução de forma automática, enquanto um supervisor acompanha o comportamento do sistema.
A arquitetura foi projetada para alcançar o nível GoA 4, classificação mais alta de automação ferroviária, na qual a operação pode ocorrer sem a presença de um condutor ou supervisor a bordo. Essa etapa, porém, depende da conclusão dos testes, da sinalização do pátio e das certificações necessárias. A previsão informada pela BYD para concluir a sinalização do pátio é dezembro, seguida de novos testes e avaliações.
A engenharia que precisou adaptar a tecnologia chinesa a São Paulo
A implantação do SkyRail exigiu mais do que trazer ao Brasil um sistema já utilizado na China. A infraestrutura prevista originalmente para a Linha 17-Ouro tinha uma configuração de vigas diferente daquela adotada pela tecnologia da BYD. Para compatibilizar o trem com as estruturas existentes, a empresa precisou realizar um processo de reengenharia, incluindo o escaneamento a laser de vigas e estações para mapear as dimensões com precisão.
O trabalho reuniu profissionais brasileiros e chineses, combinando o conhecimento do SkyRail com a experiência local em engenharia, legislação e normas técnicas. Segundo as informações fornecidas pela empresa, 75 engenheiros participaram dessa etapa, incluindo profissionais brasileiros enviados à China para intercâmbio de conhecimento.
BYD vê potencial para levar o SkyRail a outras cidades
A experiência brasileira pode abrir espaço para novos projetos de mobilidade. Alexandre Barbosa, diretor da BYD SkyRail no Brasil, afirma que a operação despertou interesse de outros estados e de países da América Latina que precisam de transporte de média capacidade, mas não têm demanda suficiente para justificar os custos e a infraestrutura de uma linha subterrânea de metrô.
O SkyRail também faz parte de um portfólio mais amplo de soluções ferroviárias da empresa. Enquanto o sistema utilizado em São Paulo combina alimentação elétrica convencional com baterias embarcadas, o SkyShuttle foi concebido para operar integralmente com energia armazenada em baterias. São propostas diferentes para necessidades distintas de transporte urbano.
E já que o assunto é mobilidade urbana, deixo aqui uma pergunta: você sabe quais são os trens mais rápidos do mundo? Confira a lista com os 10 primeiros.