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Nova regra na China pode impactar carros elétricos no Brasil?

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Victor Sánchez Berruezo/Unsplash
Victor Sánchez Berruezo/Unsplash

A China emitiu novas diretrizes para conter práticas comerciais predatórias no setor automotivo para tentar estabilizar a indústria nacional. A medida veio em um cenário composto por concorrência extrema no país e pode trazer efeitos para as montadoras locais, bem como para o mercado dos carros eletrificados no Brasil. 

Na China, as fabricantes vêm adotando estratégias agressivas — entre algumas práticas, estão a venda de carros abaixo do custo, junto da pressão para as concessionárias operarem com prejuízo. Agora, a nova medida vem para tentar reorganizar o mercado enquanto troca a "corrida ao fundo do poço" (apelido dado à prática das fabricantes de disputarem clientes com cortes sequenciais e preços) por uma disputa baseada em eficiência tecnológica e viabilidade financeira.

Assim, a intervenção busca frear a destruição de margens de lucro causada pelo excesso de capacidade produtiva e incentivos estatais desordenados. Claro, a nova regulamentação não veio para proibir os carros populares, mas sim para frear os descontos desenfreados que ameaçavam a sobrevivência de dezenas de montadoras menores.  

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Brasil como refúgio estratégico

E o Brasil? Bem, neste cenário, nosso país entra como um espaço bastante estratégico para a BYD, GWM e MG, marcas que buscam expansão global. Com ambiente regulatório mais receptivo que aquele dos Estados Unidos e da Europa, o país viu a eletrificação saltar para 9% das vendas totais de veículos leves em 2025 — o mercado nacional somou 2,55 milhões de unidades no último ano. 

Como esperado, a BYD segue líder em solo brasileiro e conta sozinha com a maioria absoluta das vendas de modelos 100% elétricos, superando a marca de 111 mil emplacamentos anuais. Enquanto a China segue com a pressão em busca de lucro, a tendência é que estas marcas acelerem investimentos locais e avancem na instalação de fábricas, transformando o Brasil em um polo produtivo. 

Por outro lado, a nova intervenção chinesa pode render pressão do governo às montadoras, que vão precisar rever seus modelos de crescimento muito baseados na escala e no volume. Se este for o caso, o setor pode passar a trabalhar com mais foco na rentabilidade e posicionamento do produto, enquanto opera com menos fabricantes competitivos e aproveita a expansão internacional como alternativa de crescimento

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Fonte: InsideEVs