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Linha 17-Ouro: como funciona o trem sem condutor e com bateria autônoma

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Danilo Berti/Canaltech
Danilo Berti/Canaltech

A Linha-17 Ouro do Metrô de São Paulo, inaugurada em 31 de março, trouxe ao país uma tecnologia que ainda não havia sido implantada fora da China: o monotrilho SkyRail da BYD. Ele opera de forma automatizada e usa baterias embarcadas para continuar funcionando mesmo em caso de falha no fornecimento externo de energia.

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Com 6,7 quilômetros e oito estações entre o Morumbi e o Aeroporto de Congonhas, a linha custou R$ 5,8 bilhões e tem capacidade projetada para 100 mil passageiros por dia quando estiver em operação plena, prevista para outubro de 2026.

O sistema utiliza o protocolo CBTC de sinalização, que controla velocidade, frenagem e parada nas estações sem intervenção de um operador dentro do trem.

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O diretor técnico da BYD SkyRail no Brasil, Alexandre Barbosa, explica no Podcast Canaltech desta sexta-feira (17) como funciona na prática: "Por trás do trem existe uma camada de softwares, de sistemas, que faz com que o trem consiga fazer o movimento sozinho, sem ter a necessidade de interface humana."

Essa automação tem classificação GoA4, o grau mais alto da escala ferroviária internacional. Segundo Barbosa, o design sem condutor aumenta a segurança porque elimina variáveis humanas e multiplica as redundâncias do sistema: "Quanto menos interface humana nós tivermos em sistemas como esse, mais seguro é”.

O papel das baterias

O diferencial técnico mais imediato para o passageiro é a autonomia energética. Os trens usam baterias Blade, tecnologia própria da BYD, que se recarregam automaticamente durante a operação, inclusive, aproveitando a energia gerada nas frenagens, sem paradas específicas para isso.

A autonomia declarada é de até 8 quilômetros, o que cobre o trajeto completo da linha. "Se a gente tiver um apagão em São Paulo, o sistema vai continuar operando", afirma Barbosa. "O trem consegue chegar numa estação, deixar os passageiros de forma segura nos pontos de parada. Isso não acontece em qualquer outro sistema metroviário de São Paulo ou do mundo”.

Barbosa aponta outro ganho financeiro: é possível programar o carregamento dos trens nos horários em que a energia elétrica é mais barata, reduzindo o custo operacional da linha.

Do ponto de vista ambiental, o sistema tem emissão zero de CO2 durante a operação. O silêncio também é apontado como diferencial. Os trens circulam pela Avenida Roberto Marinho sem produzir ruído perceptível para quem está fora da composição.

Ao todo, 14 trens farão parte da frota completa, cada um com cinco carros e capacidade para 616 passageiros. Atualmente, dois estão em operação, com funcionamento limitado de segunda a sexta, das 10h às 15h.

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🎙️Confira a entrevista completa no Podcast Canaltech: