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Gasolina E32: vale a pena gastar com adaptações para transformar em flex?

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Mistura da gasolina com 32% de etanol pode entrar em vigor no Brasil
Tham KC/Envato

A gasolina E32 chegou aos postos do Brasil no início de agosto e, na sequência, impulsionou a procura por módulos conversores eletrônicos de R$ 500 entre proprietários de carros a gasolina preocupados com a nova mistura. O motivo? O ajuste regulatório elevou para 32% o teor de etanol anidro no combustível nacional, e alguns motoristas começaram a procurar alternativas para tentar evitar possíveis efeitos da maior concentração do composto no combustível.

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O que acontece é que, desde o início de agosto, a gasolina comum e aditivada disponível nos postos do Brasil passou a ser do tipo E32, que conta com 68% da gasolina que você já conhece, enquanto os outros 32% são de etanol anidro; portanto, a nova mistura aumenta o etanol em apenas 2%, suficiente para derrubar um truque popular nos postos.

Os ensaios do setor mostram que a adição de dois pontos percentuais do biocombustível é tão discreta que não exige nenhuma alteração mecânica para garantir o funcionamento correto e a durabilidade dos componentes. Por outro lado, a análise não apontou possíveis efeitos a longo prazo da mistura, levantando preocupações entre motoristas.

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Converter carro antigo em flex

Alguns apostaram em adaptações para evitar supostos danos ao motor ou tentar a conversão para etanol, apostando em equipamentos que prometem permitir que carros a gasolina funcionem com etanol ou com a mistura dos combustíveis. No entanto, especialistas em engenharia automotiva reforçam que esses dispositivos não transformam tecnicamente o veículo em um modelo flex.

Na verdade, aparelhos do tipo atuam apenas aumentando o tempo de abertura dos bicos injetores, exigindo que o próprio motorista configure manualmente a taxa de injeção adicional. O equipamento não altera os mapas de ignição da central eletrônica nem adapta mangueiras, bombas de combustível e vedações, que permanecem vulneráveis à corrosão e ao desgaste químico se expostos ao etanol puro.

Análises do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) confirmam que a gasolina E32 mantém o desempenho e a operação normal dos veículos sem necessidade de adaptação — e, inclusive, pode até elevar a octanagem da gasolina e fornecer alguma redução nos depósitos de combustão. Por outro lado, o etanol tem menos energia por litro, ou seja, sua maior concentração pode aumentar um pouco o consumo.

Os especialistas reforçam que instalar conversores simplificados para lidar com a nova gasolina é desnecessário e pode gerar problemas graves, como contaminação do catalisador ou travamento hidráulico do motor. Por isso, pode ficar tranquilo: por ora, não há necessidade de usar conversores para “proteger” carros mais antigos dos efeitos da gasolina com 32% de etanol.