Força Aérea dos EUA testa míssil com alcance inacreditável
Por Paulo Amaral |

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) iniciou um programa ambicioso para desenvolver um míssil ar-ar com alcance extremo, quase inacreditável, de até 1.850 km, algo sem precedentes na história militar. O projeto, chamado Air Force Long Range Weapon (AFLRW), promete mudar radicalmente a forma como os EUA enfrentam ameaças aéreas e navais, especialmente no Indo-Pacífico.
O aviso foi divulgado pelo Air Force Life Cycle Management Center (AFLCMC). O programa prevê variantes ar-ar e ar-superfície, mas a prioridade inicial será a versão ar-ar, que deverá alcançar a capacidade operacional antes das demais. A ideia é criar um sistema modular, com arquitetura aberta, capaz de integrar diferentes subsistemas em um míssil completo.
A motivação estratégica está diretamente ligada ao cenário de defesa do Pacífico Ocidental. Os EUA buscam neutralizar aeronaves chinesas de alerta antecipado, aviões-tanque, bombardeiros e plataformas de comando e controle sem expor seus próprios caças e bombardeiros às defesas antiaéreas chinesas. Esse conceito se insere na chamada “long-range kill chain” (cadeia de ataque em longas distâncias), que depende de uma rede de sensores avançados, satélites, enlaces de dados e sistemas de comando e controle para identificar e acompanhar alvos a distâncias extremas.
Alcance de futuro míssil da Força Aérea beira o inacreditável
Um míssil ar-ar com alcance de 1.850 km não seria apenas maior, mas exigiria uma infraestrutura tecnológica robusta para funcionar. Sem uma rede externa de sensores, o alcance cinemático poderia superar a capacidade da aeronave lançadora de localizar e rastrear o alvo. Plataformas como o bombardeiro furtivo B-21 Raider são vistas como candidatas ideais para transportar esse tipo de armamento, atuando como “caminhões de mísseis” em missões de longo alcance.
A corrida por mísseis de maior alcance já está em andamento. A Marinha dos EUA opera o AIM-174B, derivado do SM-6, com alcance de cerca de 400 km, enquanto a China possui o PL-15, estimado em mais de 250 km. O AFLRW, no entanto, elevaria essa disputa a um novo patamar, colocando os EUA em posição de atacar aeronaves de apoio muito atrás da linha de frente, forçando o adversário a recuar seus ativos mais valiosos.
Enquanto o míssel ar-ar de alcance inacreditável não sai do papel, há outras vertentes sendo trabalhadas em prol da defesa norte-americana. Vocês sabiam, por exemplo, que a NASA aposta em caças F-15 para mudar o futuro dos voos supersônicos?