Da ficção para realidade | Conheça os diferentes níveis de carros autônomos

Por Wagner Wakka | 12 de Março de 2018 às 07h45
Silicon Beat

Um das principais soluções para os problemas de transporte atuais são os carros autônomos. Embora muita gente pense que a tecnologia ainda esteja muito distante dos carros que se dirigem sozinhos da ficção, os veículos atuais já apresentam certa autonomia.

Para entender qual a evolução dos carros autônomos, a Society of Automotive Engineers (mais conhecida como SAE International) criou seis categorias que ajudam a identificar em qual estágio estamos atualmente. A entidade entende como nível 0 os carros que exijam que o motorista faça toda condução e aceleração.

O primeiro nível de autonomia dos veículos aparece em 2007 com a criação de assistentes de frenagem como o da Ford, que desacelera o carro em uma aproximação muito brusca, e o da Nissan, que regula automaticamente a velocidade em curvas. Contudo, estes veículos ainda aparecem como nível 1 ao exigir que o motorista precise direcionar o carro.

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Já no nível 2, esta dependência da direção passa a diminuir. Com os primeiros carros em 2014 de modelos da Tesla, Cadillac e Volvo, agora o veículo consegue se manter direcionado em uma faixa, mesmo que o motorista não segure o volante. Ou seja, o nível 2 chega quando o sistema consegue regular ao mesmo tempo condução e aceleração, mesmo que em condições limitadas.

Contudo, é no nível 3 que a ficção começa a ganhar ares de realidade. Aqui, os carros passam a não só controlar a direção, mas passa a fazer pequenas manobras autonomamente. Por exemplo, o Audi A8 já em desenvolvimento para 2018 promete se autoconduzir em velocidade baixa (até 60 km/h), fazendo ultrapassagens e parando sozinho em congestionamentos. A limitação aqui é que o carro ainda precisa de certa atenção do motorista para assumir o controle quando necessário. O A8, por exemplo, consegue controlar a situação por 10 segundos até o motorista retomar a atenção. “Se você estiver fazendo mais alguma coisa, pesquisas mostram que poderia levar dois minutos ou mais antes de voltar e assumir o controle. E isso é absolutamente impossível”, diz o CEO da Volvo, Hakan Samuelsson, em uma entrevista para a Bloomberg.

Pois bem, isso leva ao nível 4 de autonomia, quando o usuário pode, de fato, esquecer o volante e fazer outras atividades enquanto o carro se movimenta. Embora possa haver momentos em que um ser humano tenha que intervir, o carro é, pelo menos, capaz de lidar com a situação a ponto de estacionar sozinho caso o motorista ignore todas as solicitações. Estes carros estão programados para chegar ao mercado apenas em 2021.

O último nível de automação é, de fato, os vistos em filmes, como o Lexus 2054 de Minority Report. O usuário só precisa entrar no carro, indicar o caminho e aproveitar a viagem. A proposta é que os carros se tornem escritórios ou ambientes de lazer como cinema. No nível 5, o veículo precisa ser capaz de tomar decisões e fazer tudo que um motorista poderia fazer, ou até melhor. Ainda não há um prazo de quando este tipo de veículo deve chegar ao mercado, mas as projeções são de meados da década de 2020.

Como fazer isso?

Placa NVIDIA Drive com tecnologia Xavier (Foto: Divulgação)

Para que esta ficção vire realidade, é preciso muita tecnologia e algumas empresas já estão entrando forte neste mercado. Uma delas é a Nvidia que investiu US$ 2 bilhões em um chip para dar conta do recado. Chamado de Xavier, ele é um SoC que promete ser capaz de oferecer 30 trilhões de operações por segundo. A tecnologia da empresa deve aparecer em veículos já com nível 4 de autonomia.

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