CNH (quase) sem autoescola? Alunos ainda têm dificuldades para prova prática
Por Danielle Cassita |

O novo modelo de “CNH sem autoescola” ainda enfrenta desafios. Segundo dados da Anit (Associação Nacional dos Instrutores de Trânsito) e da Senatran, os Detrans de estados como São Paulo e Rio de Janeiro continuam criando gargalos no processo de obtenção da primeira Carteira Nacional de Habilitação. O motivo? Os alunos estão com tanta dificuldade para agendar o exame prático que acabam retornando às autoescolas só para conseguirem marcar a prova, mesmo que tenham feito o processo com um instrutor autônomo.
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O impasse acontece porque os sistemas dos Detrans foram projetados para serem operados incluindo as autoescolas. Só que, com a transição para o modelo independente, a marcação dos exames teria que ficar por conta do candidato ou do instrutor.
Entretanto, não foi o que aconteceu, já que a adaptação digital para o agendamento ainda não é uniforme. No Rio de Janeiro, a limitação é explícita: o exame teórico pode ser feito de forma independente, mas o agendamento da prova prática só pode ser feito por um Centro de Formação de Condutores (CFC) com o devido credenciamento.
Divergências entre Detrans e fiscalização
O Detran-SP, por outro lado, afirma que o processo opera normalmente, e que os candidatos já podem agendar o exame independentemente, mas admite que ainda finaliza ajustes para permitir o uso de veículos particulares nos exames.
O problema é que os candidatos com dificuldade para marcar o exame acabam com o processo parado ou optam por autoescolas, e precisam pagar por aulas para poderem marcar a prova prática. “Em alguns locais, cobram R$ 399, valor de duas aulas mais aluguel do carro, apenas para marcar o exame prático, já que as etapas anteriores foram cumpridas pelo aluno de forma independente", alertou Paulo Cesar, presidente da Anit.
Já o Governo Federal declarou que o programa está funcionando, mas que ainda precisa de ajustes. Adrualdo Catão, secretário nacional de trânsito, observou que a Senatran vem fiscalizando os Detrans onde há indícios de problemas com o modelo.
"A gente já está fazendo fiscalização, com envio de documentos e inspeções in loco. Os estados precisam explicar à Senatran por que ainda não fizeram as adaptações necessárias", afirmou ele em entrevista ao Uol.