Carros a combustão perdem "reinado" e vendem abaixo de 50% pela 1ª vez
Por Paulo Amaral |
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Os carros a combustão, mais precisamente os movidos exclusivamente a gasolina, deixaram de representar a maioria das vendas de veículos novos no mundo pela primeira vez na história. No primeiro semestre de 2026, eles responderam por 49% do mercado global, contra 73% em 2021, segundo dados da Mobility Global divulgados pelo jornal japonês Nikkei.
A mudança representa uma queda de 24 pontos percentuais em menos de cinco anos. Entre janeiro e junho, foram vendidos 20,25 milhões de carros exclusivamente a gasolina, volume 10% inferior ao registrado no mesmo período de 2025. A retração ocorreu mesmo com o mercado automotivo global encolhendo cerca de 5%.
O avanço da eletrificação, porém, não significa que a maioria dos veículos novos já seja totalmente elétrica. Os híbridos convencionais também ganharam espaço e, assim como os híbridos plug-in, continuam utilizando combustível. Os dados mostram uma transformação gradual da composição do mercado, e não o fim imediato dos motores a combustão.
Elétricos e híbridos ganham espaço nas vendas mundiais
No primeiro semestre de 2026, os carros elétricos a bateria somaram 6,87 milhões de unidades vendidas, alta de 12% em um ano, e alcançaram 17% do mercado global. Os híbridos convencionais tiveram desempenho ainda maior em volume, com 7,27 milhões de unidades e participação de 18%, após crescimento de 10% na comparação anual.
A alta dos preços dos combustíveis, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, é apontada como um dos fatores que levaram consumidores a buscar alternativas mais econômicas. Regionalmente, as vendas de carros exclusivamente a gasolina caíram 26% na China e 13% na Europa. Já os elétricos a bateria cresceram 32% no mercado europeu e 81% no Sudeste Asiático.
Maioria dos carros novos ainda tem motor a combustão
Apesar da perda de espaço dos modelos exclusivamente a gasolina, cerca de 83% dos veículos novos vendidos no mundo no primeiro semestre ainda tinham algum tipo de motor a combustão. Isso acontece porque os híbridos convencionais e plug-in combinam propulsão elétrica com um motor térmico, enquanto os veículos a diesel também permanecem no mercado. Os elétricos a bateria, que não precisam de combustível para se movimentar, responderam por 17% das vendas.
A tendência também aparece nos Estados Unidos, embora o mercado de elétricos tenha enfrentado dificuldades após o fim de incentivos fiscais federais. No segundo trimestre de 2026, a participação dos modelos exclusivamente a combustão caiu de 77,6% para 76,8% em um ano, enquanto os híbridos convencionais subiram de 13% para 16,3%. O resultado indica que a eletrificação pode avançar por diferentes tecnologias, mesmo quando as vendas de elétricos puros oscilam.
Já que o assunto é, mais uma vez, combustão x energia, que tal conferir uma matéria que responde, de uma vez por todas, qual gasta mais: carro elétrico ou a combustão? Fizemos as contas.