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Acidente com Boeing: como base de concreto causou 179 mortes na Coreia do Sul

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O Ministério da Terra, Infraestrutura e Transportes da Coreia do Sul negligenciou padrões de segurança por mais de 20 anos para economizar em projetos aeroportuários. A conclusão vem de uma auditoria estatal do país, conduzida após as investigações do acidente com o Boeing 737-800 da Jeju Air, ocorrido em dezembro, que resultou na morte de 179 pessoas.

O documento detalha que, em 2003, o ministério autorizou a construção de um aterro de concreto, que seria usado para elevar o localizador do sistema de pouso por instrumentos. A estrutura foi instalada sobre um aterro de quase 2,4 m de altura, e o projeto foi executado como uma forma de evitar custos adicionais causados pela remodelação do terreno

No acidente, a aeronave fez um pouso de emergência após colidir com aves e se chocou com a estrutura, que era excessivamente sólida e não se fragmentou com o impacto. Como resultado, a base de concreto agravou a destruição da fuselagem, tanto que um relatório sem relação com o governo revelou que a colisão poderia não ter sido tão mortal se a estrutura não estivesse lá. Os únicos sobreviventes foram dois comissários de bordo, que estavam na parte traseira do avião. 

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Estruturas irregulares em todo o país

A auditoria identificou que o problema estrutural é sistêmico: além de Muan, outros oito aeroportos sul-coreanos têm instalações de navegação fora de conformidade — um destes, aliás, é o Aeroporto Internacional de Jeju, um dos mais movimentados do mundo

O relatório revelou ainda que foram aprovadas 14 instalações de localizador fora de conformidade nestes aeroportos. De acordo com o documento, entre 2019 e 2024, um programa de modernização da estatal Korea Airports Corporation (KAC) acabou reforçando essas bases, o que aumenta ainda mais o risco em casos de pouso de emergência

Finalmente, o relatório expôs problemas graves no controle de colisões com pássaros. De acordo com as informações da conclusão, o ministério foi notificado sobre cerca de 30 casos com irregularidades ou falhas de procedimentos, que vão do treinamento insuficiente dos pilotos para colisões com aves e pousos de emergência

As autoridades sul-coreanas prometeram sanções disciplinares aos responsáveis e a correção imediata das instalações pendentes. No entanto, em Muan, a área com o localizador segue preservada para a continuidade das investigações criminais.

Fonte: Reuters