Quem são e como lidar com aqueles colegas de trabalho insuportáveis

Por Patrícia Gnipper

Existem muitas empresas que acabam se revelando um lugar desagradável onde trabalhar, como, por exemplo, aquelas que não valorizam o trabalho do funcionário, atrasam pagamentos e exigem do empregado mais do que sua qualificação permite. No entanto, há diversas outras em que a relação com o chefe é bacana e o problema acaba sendo o relacionamento com os colegas. Quem aí nunca trabalhou com aquela pessoa difícil de suportar, que deixava o cotidiano na empresa menos prazeroso?

Lynn Taylor, especialista em mercado de trabalho, realizou uma pesquisa para o Business Insider a fim de descobrir quais os tipos mais comuns de colegas de trabalho insuportáveis. “Por sorte, há diversas formas de driblar as adversidades. Mas é preciso paciência, tato e a habilidade de enxergar fora da caixa”, disse a expert.

Os tipinhos e como lidar com cada um

1) Os barulhentos

São aqueles que fazem uma quantidade exagerada de barulhos e colaboram para com a poluição auditiva do escritório. Entram nessa categoria quem não larga o telefone (atendendo ligações pessoais), os que deixam o toque do celular em um volume alto e atrapalha a equipe a cada ligação recebida, quem ouve música muito alta mesmo usando fone de ouvido, ou ainda aquelas pessoas que têm tiques nervosos emitindo sons repetitivos com a boca ou usando as mãos e pés.

Para tentar conviver com os barulhentos em harmonia, a especialista aconselha conversar com a pessoa em particular usando bastante diplomacia e apontar que esse excesso de barulho tira a concentração dos colegas, apelando para o semancol do sujeito.

fofoca

2) Os fofoqueiros

Talvez o tipo mais comum de funcionário seja os que não dispensam uma fofoca sobre atividades da empresa, e até mesmo sobre a vida pessoal de colegas e chefes. Um dos motivos porque as pessoas gostam de serem as portadoras das “novidades” é a sensação de poder que possuir uma informação pode oferecer.

Então quando o fofoqueiro chegar, a dica é: não participe da fofoca. Mesmo que seja somente um ouvinte passivo, o ideal é se afastar. Se a fofoca estiver sendo feita em uma situação em que não seja possível sair de perto (como, por exemplo, na mesa de almoço), basta dizer que não deseja se envolver nesse assunto e tentar mudar o foco da conversa.

3) Os cantores

“Quem canta seus males espanta” mas quem aguenta alguém cantando em voz alta o tempo todo ao seu lado, não é mesmo? Mesmo que a pessoa tenha incríveis dons vocais e cante lindamente, a cantoria acaba incomodando no ambiente de trabalho.

A solução aqui é ser direto: falar para a pessoa que, por mais bela que seja sua voz, cantar no trabalho está atrapalhando sua concentração. Mesmo que você saia como o chato do escritório, melhor dar um jeito na cantoria do que deixar a inconveniência atrapalhar seu rendimento.

4) Os bocas-sujas

São aqueles colegas que, quando algo dá errado ou quando atendem a um cliente desagradável, não pensam duas vezes em xingar em alto e bom som, sem se preocupar se algum colega vai se sentir incomodado com aquelas palavras de baixo calão.

A especialista sugere, novamente, uma conversa em particular com o colega boca-suja, mostrando que sua negatividade pode contaminar a equipe, e que há outras formas de colocar os sentimentos ruins para fora sem incomodar os colegas. Uma bolinha anti-stress ou uma pausa para um cafezinho são uma boa pedida.

5) Os marmiteiros

Essa é uma questão mais delicada, porque muitas empresas não fornecem ticket refeição para os funcionários, que precisam levar marmita para sua refeição. A maioria dessas empresas tem (ou deveria ter) uma área dedicada às refeições de seus funcionários, como uma copa ou cozinha equipada com pelo menos um forno de microondas. No entanto, algumas que carecem dessa estrutura física acabam disponibilizando o eletrodoméstico em uma área muito próxima ou até mesmo junto das mesas de trabalho.

Nesse caso, é de bom tom que os empregados evitem alimentos que liberam um cheiro muito forte (como alho ou peixe), mas não é possível controlar os alimentos que o funcionário escolhe para suas refeições, uma vez que as pessoas têm influências culturais e necessidades nutricionais diferentes. Então mesmo que depois da refeição do colega o escritório inteiro fique com o cheiro de seu almoço, se o problema estiver na estrutura da empresa, o jeito é conversar com os chefes para buscar uma solução. Um depurador de ar, por exemplo, pode resolver o problema. Não sendo possível, uma outra ideia é sugerir a oferta de tickets refeição para que não se alimente mais dentro da empresa, acabando com o odor incômodo.

bagunça

6) Os bagunceiros

Cada um é responsável pela organização da sua estação de trabalho, mas a bagunça do colega está invadindo o seu espaço? Então é o caso de conversar. Novamente, o correto é chamar o desordeiro em particular e pedir, educadamente, para que ele não deixe mais seu casaco ou sua caneca de café em cima da mesa dos outros. Se a conversa não surtir efeito e o problema persistir, é importante não se exaltar e, em vez de levantar a voz ou até mesmo discutir com o colega, o recomendado é conversar com o profissional de recursos humanos da companhia a fim de uma solução definitiva.

7) Os porquinhos

Outra questão delicada é a forma de lidar com colegas que aparentemente não têm uma higiene pessoal tão asseada, ou ainda aqueles que têm mau hálito.

Vale lembrar que algumas pessoas podem ter um odor mais intenso em seu suor ou um hálito desagradável por conta de problemas de saúde., então aqui talvez não seja a melhor saída conversar com o “porquinho” em questão, uma vez que pode ser encarado como um assunto humilhante e causar ainda mais problemas no relacionamento da equipe. Tente procurar o profissional de recursos humanos para que ele faça alguma campanha de instrução quanto à higiene pessoal de todos os empregados, por exemplo, ou para que ele, com sua autoridade de RH, converse com o funcionário a respeito.

8) Os tiranos do ar condicionado

Se os aparelhos de ar condicionado da empresa não estiverem dispostos nos locais adequados, certamente o local terá um canto mais frio do que o outro – o que costuma causar muita briga entre os funcionários. Quem está do lado mais frio vai querer aumentar a temperatura do aparelho, e, quando feito, os que estão do lado mais quente passarão calor.

Caso a companhia não possa modificar a disposição dos aparelhos, o jeito é entrar em um consenso entre todos os membros da equipe encontrando uma temperatuda média que agrade a maioria. De repente fazer com que aquela pessoa mais “calorenta” mude para a mesa localizada no canto mais frio da sala seja uma solução simples e eficiente.

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9) Os mandões

Por vezes acabamos trabalhando ao lado de colegas cujo cargo está na mesma posição hierárquica do nosso, mas que por alguma razão se acham no direito de nos darem ordens. Isso é bastante comum com funcionários mais antigos, quando têm de lidar com recém contratados, e essa dinâmica pode matar qualquer chance de uma boa convivência se o novo empregado não souber contornar o “mandão”.

Aqui a dica de ouro é: não revide, mas não engula sapo. E se a situação estiver beirando o insuportável, o profissional de RH é a pessoa mais indicada dentro da empresa para lidar com o problema.

10) Os reclamões e pessimistas

Outro tipo que deixa todo mundo para baixo são aqueles que reclamam de tudo, o tempo todo. Para eles nada está bom independente do que aconteça, e ninguém merece um colega choramingando sobre o preço do tomate ou sobre o cliente que não aprovou o projeto e pediu alterações.

Adversidades fazem parte da vida e não seria diferente na vida profissional, então se estiver trabalhando ao lado de um reclamão, tente primeiramente identificar se ele somente está infeliz trabalhando ali, ou se pode estar sofrendo de algum problema psicológico, como a depressão, por exemplo. Tentar mostrar o lado positivo da situação para o colega pode ser uma saída, mas caso acredite que ele esteja passando por problemas pessoais e isso está afetando seu desempenho, você pode chamá-lo para uma conversa amigável em particular – se tiver essa liberdade.

11) Os sabichões

Sabe aquele colega que tem sempre uma resposta na ponta da língua, e parece ter conhecimentos sobre tudo? Bom, ele até pode ter mesmo, mas na maioria dos casos tratam-se de metidos a “sabe-tudo” que, no fundo, só querem chamar atenção e serem reconhecidos.

A especialista acredita que a melhor tática para lidar com os sabichões seja ignorá-los quando começarem a “palestrar”. Desviar o assunto e mostrar que não está interessado pode parecer rude, mas às vezes é a única forma da pessoa entender que não está agradando.

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12) Os preguiçosos

Uma equipe boa é uma equipe motivada, e um único membro preguiçoso pode jogar todo o esforço dos demais pelo ralo. Eles não cumprem prazos, executam as tarefas “de qualquer jeito” apenas para se livrar do “problema” e não colaboram para com o crescimento da empresa. Aí o que acontece? Para que a equipe não seja prejudicada com um mau desempenho, os colegas acabam assumindo tarefas que não deveriam, para compensar a falta de motivação do bicho-preguiça.

Uma conversa amigável com o profissional em questão pode te ajudar a entender os motivos pelos quais ele esteja tendo um mau desempenho no trabalho. Assim como no caso dos reclamões, pode ser que o preguiçoso esteja tentando vencer uma depressão, e sua falta de ânimo causada por um transtorno mental pode ser confundida com falta de vontade de trabalhar. Se for o caso, ofereça ajuda e mostre que está disposto a fazer sua parte para que o colega supere suas dificuldades.

Já se o caso for de pura preguiça mesmo e o bate-papo não adiantar, novamente o profissional de recursos humanos pode ser a última – e definitiva – saída. Se for o caso de demitir o colega para contratar alguém mais motivado, a empresa saberá como agir.

13) Os preconceituosos

Muitas mulheres ao trabalharem com colegas do gênero masculino acabam ouvindo comentários abusados a respeito de sua aparência, sua roupa e seu corpo, ou ainda têm seu mérito questionado somente porque são mulheres. Por vezes, esses comentários sobem um degrau e acabam se tornando assédio, o que pode e deve ser denunciado aos chefes da empresa. O mesmo vale para quando os colegas fazem comentários racistas e homofóbicos aos demais membros da equipe, ou sobre terceiros.

Já caso os tais comentários não caracterizem nenhum crime (como o assédio sexual, o racismo e a homofobia), mas sejam igualmente incômodos, uma conversa particular com o autor do comentário pode resolver. Do contrário, recursos humanos nele!

Contornando as adversidades

Algumas vezes, contudo, somos nós que estamos “cricris” demais e acabamos pegando no pé de colegas sem necessidade. Todo mundo tem maus dias e como não somos robôs desprovidos de sentimentos, por vezes acabamos descontando nossas frustrações no ambiente profissional, mesmo sem querer. Para evitar ser o implicante do escritório, em primeiro lugar é preciso passar por uma auto-crítica e tentar descobrir se seu incômodo com o colega não é pessoal ou gratuito e desnecessário.

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Feita essa análise, caso o problema esteja mesmo no outro, Lynn Tailor dá algumas recomendações para contornar essas adversidades no ambiente de trabalho:

  • Não leve para o lado pessoal. Quando conversar com o colega sobre algum hábito irritante dele, deixe claro que se trata a respeito da relação profissional.
  • Elogie também. Ninguém é feito só de defeitos, e um elogio de vez em quando faz bem a qualquer pessoa.
  • Seja diplomático. Não encare como falsidade conversar paciente e educadamente com um colega com quem tenha alguma rincha.
  • Mantenha a calma. Mesmo que esteja profundamente irritado, demonstrar a irritação só vai piorar as coisas.
  • Pense antes de falar. Mesmo que seja uma pessoa impulsiva, escolher as melhores palavras para usar em uma conversa delicada certamente trará melhores resultados.
  • Seja discreto. Expor o colega ao ridículo mencionando seu mau hálito ou sua voz desafinada enquanto canta na frente dos demais causará constrangimento e poderá deixar a relação interpessoal insustentável.
  • Não se culpe caso tenha sido absolutamente necessário levar a questão ao chefe ou ao gerente de RH. Às vezes essa é a única e a melhor saída.
  • Seja compreensivo. Se o colega está passando por um período complicado na vida pessoal, como um divórcio, por exemplo, releve mais e pegue no pé menos.
  • Mantenha o bom humor. Ser ranzinza em uma equipe que já conta com um colega incômodo não será de nenhuma ajuda.
  • Pegue leve. Ficou nervoso demais? Faça uma pausa, respire e tente se acalmar. Se a empresa permitir, assistir a vídeos de gatinhos pode ajudar a relaxar.
  • Desabafe com pessoas que não participem da sua vida profissional, como um amigo ou terapeuta.
  • Seja um bom exemplo. Muitas vezes conseguimos mudar maus hábitos de colegas simplesmente servindo como uma inspiração positiva.

Com informações de: Business Insider (1) e (2)