Campus Party | Não existe idade certa para mudar o mundo

Por Beatriz Vaccari | 13 de Julho de 2020 às 07h30
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O assunto principal da Campus Party deste ano, que está acontecendo em formato 100% digital e gratuito, é o mundo pós-pandemia. “Reiniciar não é uma opção que você pode escolher, é obrigatório”, mostra a descrição de um dos painéis deste sábado (11), que aconteceu no palco principal do evento, intitulado “Reboot the World”, que trouxe diversas personalidades ao redor do mundo com projetos e iniciativas que têm como objetivo fazer a diferença no planeta e dar um passo à frente com a raça humana.

No início da tarde deste sábado (11), a empresária e política neerlandesa Neelie Kroes recebeu Alishba Imran, Isabella Grandic e Nina Khera, três adolescentes envolvidas com empreendedorismo e pesquisa científica para discutirm seus projetos e trabalhos que podem levar a humanidade para um futuro mais sustentável e também inspirar crianças e adolescentes a fazerem o mesmo.

“Nada é impossível e qualquer pessoa pode começar do zero para reiniciar o mundo”, descreveu a organização do evento no painel intitulado “Jovem, selvagem e livre: levando a humanidade adiante sendo um adolescente.” Conheça os projetos e as trajetórias das meninas que foram apresentadas no painel:


Isabella Grandic

Com apenas 16 anos, Isabella Grandic se descreve como “apaixonada pela saúde do corpo feminino e por construir sistemas alimentares mais sustentáveis”. Durante o painel, Isabella dividiu as experiências de dois de seus projetos: o primeiro procura criar alimentos de forma mais sustentável a partir da agricultura celular.

De acordo com ela, é possível realizar o processo tirando apenas uma célula do animal e deixando-a crescer fora do animal, porém, no mesmo tecido muscular. “Teoricamente existe um tipo de célula chamada célula-tronco pluripotente induzida e você pode tirar uma de uma vaca, e ela tem potencial para alimentar o mundo inteiro.”

Isabella Grandic (Foto: Reprodução/Campus Party)

Todo o processo promete não machucar os animais envolvidos. “É uma tecnologia fascinante que nos permite fazer alimentos numa escala menor usando organismos menores que requerem menos recursos e como resultado a utilização de água é menor, bem como a emissão do gás de efeito estufa”, explica.

Seu segundo projeto é descrito com o objetivo de “empoderar as mulheres através da saúde”. De acordo com ela, a maioria das mortes maternais acontecem em país que estão em desenvolvimento, sendo 66%-70% na África e 20% apenas na Nigéria. A ação visa reduzir as mortes por hemorragia pós-parto e sangramento grave após dar à luz com uma medicação chamada Misoprostol. “Nosso foco no momento é a construção de uma proposta para o Ministério da Saúde em Jigawa para que eles possam pilotar a estratégia de distribuição no estado no início de 2021”, conta.


Nina Khera

Nina Khera tem apenas 14 anos e já é chamada de “superstar da Biotech”. No início do painel, ela se descreveu como “apaixonada pela longevidade humana”.

Especialista na erradicação de células senescentes, com 13 anos ela fundou uma empresa chamada Biotein, para criar um futuro sem doenças genéticas e relacionadas ao envelhecimento. "O objetivo é acabar com todas as doenças que possam ser evitadas e acelerar a longevidade humana através de pesquisas”, conta.

Nina Khera (Foto: Reprodução/Campus Party)

Em um de seus projetos, Nina comenta que está com o objetivo de usar o sequenciamento genético para diagnosticar esquizofrenia em um estágio inicial. “Aproximadamente, 12 entre 1 mil pessoas são diagnosticadas com esquizofrenia. 1,5 milhão de pessoas serão diagnosticadas com esquizofrenia este ano em todo o mundo - um número impressionante que queremos ajudar!”

Alishba Imran

A outra participante do painel tem 17 anos e comenta que passou os últimos dois anos de sua vida interessada em Machine Learning, Robótica e Blockchain e como o mundo pode utilizar ambos para resolver problemas em diferentes indústrias atualmente.

Ela trabalhou com a IBM para desenvolver uma plataforma em Blockchain cujo objetivo é rastrear medicamentos em sistemas da cadeia de suprimentos nos países em desenvolvimento.

Alishba Imran (Foto: Reprodução/Campus Party)

“Quase 40% dos medicamentos em países em desenvolvimento pode ser falsificado e uma das principais razões para isso é que não há literalmente nenhuma maneira de rastrear para onde esse medicamento está indo e como ele está sendo distribuído”, ela conta, explicando de onde surgiu a ideia de aplicar a tecnologia Blockchain em uma plataforma de rastreio.

Quanto a Machine Learning, Alishba comenta que é um assunto que ultimamente tem lhe interessado muito e ela tem procurado investir nisso na área da Robótica e criar um braço protético impresso em 3D que possa ser financeiramente mais acessível para as pessoas.

A Campus Party acontece até este sábado (11) totalmente online com palestrantes de todo o mundo. Para acompanhar os painéis e encontrar mais informações, acesse o site oficial.

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