Fotografia noturna: como fazer boas imagens com pouca iluminação

Por Caroline Hecke | 06 de Agosto de 2014 às 10h16
photo_camera Caroline Hecke

Alguma vez você já se perguntou sobre como são feitas as imagens que mostram rastros de luz em ambientes noturnos? Se você é um entusiasta da fotografia, provavelmente já se deparou com as dificuldades de fazer registros em locais amplos e escuros: o flash não é de grande ajuda e, sem as técnicas certas, o resultado de suas fotos podem ser um verdadeiro desastre.

Para ajudar você, montamos esse passo a passo, que indica tudo o que você deve fazer para ter imagens de tirar o fôlego, mesmo que você não tenha um equipamento de ponta. Tudo o que você vai precisar ter em mãos é uma câmera com controles manuais. Se você não está ainda não está acostumado com termos técnicos como a abertura o diafragma e o obturador, pare por alguns minuto para ler o nosso Guia completo para aprender fotografia.

Por onde eu começo?

O maior segredo da fotografia noturna é a paciência. Se você não está disposto a gastar ao menos 40 minutos do seu dia para conseguir uma boa imagem, esse tipo de fotografia não é para você. No entanto, se você acha simplesmente incríveis as imagens que mostram luzes em movimento e está realmente disposto a fazer isso, vale a pena ler atentamente o texto a seguir e correr para alguma janela (ou para a rua) durante a noite.

Depois de reservar um pouco de paciência, você precisa de mais um elemento antes de começar a fotografar: estabilidade. Você pode garantir isso comprando um tripé ou escolhendo um lugar em que você possa repousar sua câmera sem que ela corra qualquer risco de ir parar no chão - e sem que qualquer tipo de trepidação atrapalhe o seu trabalho.

Caroline Hecke

Imagem com ISO3200; abertura f/4.5; velocidade 1/5; lente EF75-300mm (Imagem: Caroline Hecke)

Acredite: qualquer pequeno movimento já pode comprometer o resultado da imagem. Até mesmo um leve apertar no botão de disparo é capaz de fazer com que a sua fotografia fique completamente borrada. Para não correr esse risco, vale a pena investir na compra de um controle remoto. Mas lembre-se de procurar um equipamento que seja compatível com a sua câmera.

Se você não quiser investir no acessório ou se a sua câmera não contar com um modelo de controle compatível, prepare-se para usar o temporizador do equipamento. Assim, você determina que a foto seja feita alguns segundos após o seu comando no botão de disparo, tempo o suficiente para que o equipamento pare de se movimentar após o toque.

Ainda assim, tenha em mente que o uso do temporizador limita os comandos do equipamento. Com ele, você não será capaz de utilizar o modo “B” (bulb) em sua câmera fotográfica, que permite que o obturador fique aberto pelo tempo que for necessário - o que pode ir além dos tradicionais 30 segundos disponíveis como velocidade mínima na maioria dos modelos.

Embora isso limite um pouco a sua criatividade, a falta do controle não deve impedir que você faça boas imagens, já que, com a excessão de condições extremas, 30 segundos geralmente é o bastante para que uma imagem noturna seja feita com êxito.

Configurando a sua câmera

Cada equipamento conta com menus diferentes, então o passo a passo exato vai depender muito do tipo de câmera que você está usando e a forma como os menus foram programados. Se você está em uma câmera portátil ou uma superzoom, procure pelo modo manual de seu equipamento. Se você está em uma DSLR, gire o botão de seleção de cena até o “M”.

Ignore (parcialmente) o seu fotômetro: no escuro, ele não será de muita utilidade, já que, mesmo com as configurações certas, ele provavelmente vai continuar marcando a falta de luminosidade ambiente. Não fique desesperado tentando chegar ao zero. A não ser que o ambiente conte com diversos focos de luz, é muito provável que você chegue, no máximo, a um ou dois pontos negativos.

Configure manualmente o ISO: muita gente acaba deixando o ISO no modo automático ao longo do dia, já que a iluminação natural faz com que ele não seja alto o bastante para deixar uma imagem granulada. Mas nas fotos noturnas esse cenário é oposto: se você mesmo não configurar o ISO para números mais baixos, como 100 ou 400, dificilmente sua imagem ficará limpa, já que a câmera irá, automaticamente, usar a sensibilidade do sensor nos níveis mais altos.

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Imagem com ISO640; abertura f/4.5; velocidade 1/3; lente EF-S18-55mm (Imagem: Caroline Hecke)

Aberturas mínimas, velocidades baixas: para deixar imagens “borradas” com movimentos de pessoas, carros, etc, mantenha a velocidade do obturador o mais baixa que conseguir. Não tenha medo de abusar do modo “B”, fazendo com que ele fique aberto por mais de 30”. Assim, prefira manter o diafragma bastante fechado. Isso permite que você possa usar aberturas lentas para deixar rastros na fotografia, além de criar efeitos interessantes com os focos de luz, que ganham um aspecto diferenciado.

Aberturas grandes, velocidades médias: se você não quer dar qualquer efeito de movimento em sua imagem, inverta a equação. Deixe a abertura do diafragma no máximo que puder e aumente um pouco a velocidade do obturador. Lembre-se que a mudança do número “F” altera também profundidade de campo, determinando quanto do fundo ficará visível ou desfocado.

Foca no foco: mantenha o foco no objeto principal de sua imagem. Focalizar uma imagem no escuro é sempre muito mais difícil, por isso, exige bastante calma e paciência. Na maioria dos casos o foco automático é completamente inútil, já que ele se perde totalmente em ambientes muito escuros. Com um pouco de luz já é possível voltar a contar com ele para fazer imagens com mais velocidade.

Não encoste na câmera! Se você não estiver usando um disparador remoto, use o temporizador e não encoste mais no equipamento depois de acionar o disparo. Caso contrário, suas fotos ficarão completamente borradas.

Fotos noturnas em ambientes iluminados

Locais abertos e bem iluminados podem ser um prato cheio para as fotos noturnas. Nesse caso, você pode nem precisar manter a câmera em um tripé. Apenas tente seguir as mesmas instruções acima e segure firmemente o equipamento. Quanto mais pesada a sua câmera for, mais estabilidade você terá.

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Imagem com ISO3200; abertura f/4.5; velocidade 1/7; lente EF-S18-55mm (Imagem: Caroline Hecke)

Em lugares fechados com iluminação artificial tudo pode ficar ainda mais simples: a iluminação controlada facilita muito na hora de fazer imagens claras sem que elas saiam tremidas - e sem precisar apelar para o flash.

Fogos de artifício

Fotografar fogos de artifício é outro grande desafio para o fotógrafo, mas você não precisa entrar em pânico. Com um pouco de treino você pode fazer imagens incríveis. A técnica vai depender do efeito que você busca, mas de uma maneira geral, o melhor é investir em uma abertura de diafragma não tão generosa e uma velocidade mais baixa do obturador. Assim, os rastros deixados no céu se multiplicam e você garante que os fogos pareçam muito mais intensos.

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Imagem com ISO100; abertura f/7.1; velocidade 8"; lente EF75-300mm (Imagem: Caroline Hecke)

A técnica também é boa para escapar da fumaça constante que envolve um show de fogos: com uma velocidade alta de abertura do obturador as chances de que a fumaça apareça e atrapalhe as imagens são maiores. Uma abertura mais lenta faz com que a fumaça possa, no máximo, deixar a imagem com menos contraste.

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