Funcionários ainda preferem planilhas a soluções de análise de negócio

Por Rafael Arbulu | 05 de Agosto de 2019 às 09h57

Um estudo conduzido pela consultoria Deloitte com pouco mais de mil executivos indica que as plataformas de business analytics, ou seja, ferramentas que podem gerar insights matemáticos nos negócios de uma companhia, ainda são vistas com desconfiança pela maioria dos funcionários. Segundo o levantamento, 62% dos profissionais ainda preferem recorrer aos “velhos de guerra” como o Excel.

O estudo indica que a maior parte dos entrevistados reconhece que a sua maturidade no uso de plataformas variadas aumentou nos últimos anos, mas a maior parte deles ainda segue usando exclusivamente softwares já conhecidos (ainda que o processo lhes seja mais trabalhoso) ou os mesclam com plataformas mais novas (58% dos entrevistados disseram combinar o uso de planilhas à mão com algum software automatizado).

Ferramentas de análise de dados podem gerar insights mais precisos para os negócios, mas maior parte dos funcionários ainda prefere métodos antigos, como planilhas em Excel

"As forças tradicionais da análise universal de dados, como Microsoft Excel ou ferramentas de inteligência de negócios (BI), como o Microsoft Power BI ou o IBM Cognos, são as mais utilizadas”, disse a equipe da Deloitte responsável pela pesquisa. Mas eles ressaltam que algumas empresas trazem ferramentas mais avançadas: 67% dos entrevistados também utilizam algum software aprofundado como SAS, ou ferramentas open source como o R, ou ainda linguagens de programação como Python. A inteligência artificial (IA) também é citada na pesquisa.

Esta última, inclusive, é vista pela Deloitte com a percepção mais otimista: 46% dos executivos respondentes enxergam a IA como uma iniciativa de crescente importância para os próximos anos. A pesquisa também mostrou que menos de quatro a cada 10 executivos (37%) acreditam que suas respectivas empresas são de fato maduras na adoção de ferramentas analíticas. Os outros 63% reconhecem o setor de analytics como grande, porém atribuem a falta de estrutura de TI ou a atuação em “silos” de especialização como motivos para a sua não adoção definitiva. Ademais, 67% dos entrevistados disseram não se sentirem confortáveis com o uso dos dados por meio de suas atuais ferramentas e recursos.

O Excel ainda lidera a preferência de funcionários pelo uso de ferramentas de análise de dados, mesmo com outras opções de solução mais automatizadas ou que usem a inteligência artificial

Pior: desses 67%, boa parte é constituída de cargos altos (gerentes e acima), ou seja, a percepção dada pelo estudo é a de que a desconfiança vem de cima para baixo, refletindo-se na rotina do nível operacional da empresa. “A proporção é significativa mesmo em empresas com cultura forte na análise de dados, onde 37% dos respondentes ainda expressam desconforto. Isso aponta para uma grande oportunidade de as empresas levarem maior educação sobre o assunto e aprimorar a experiência de usuário, caso queiram que todos os seus funcionários utilizem insights como parte de seus trabalhos”, diz a consultoria.

A ideia não é ruim: um último dado da pesquisa da Deloitte mostra que, nas empresas que adotaram o uso constante de ferramentas analíticas para geração de insights de negócios, 88% dos funcionários superaram suas metas, comparadas a 61% das empresas que apenas treinam um ou outro colaborador neste tópico.

Fonte: ZDNet

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.