Rumor | Entrada do Airbnb na Bolsa não será por IPO, diz agência

Por Rafael Arbulu | 02 de Outubro de 2019 às 10h33
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O Airbnb está em vias de fazer a sua estreia na Bolsa de Valores, mas não deve seguir o tradicional modelo de oferta pública inicial (IPO) adotado por empresas como Uber e Lyft. Segundo fontes da agência de notícias Bloomberg, a empresa de aluguel temporário de domicílios deve dar preferência a um método conhecido como “listagem pública direta”.

As fontes, que pediram pelo anonimato por estarem divulgando informações privadas, indicaram que a preferência pelo método pouco convencional veio após um certo receio de ofertas de IPO anteriores terem sido recebidas timidamente pelo mercado mesmo após ampla divulgação na mídia. A matéria menciona os já citados nomes de Uber e Lyft como exemplos de companhia que tiveram IPO com valorização abaixo do esperado.

Nesta quarta-feira (2) acontecerá um evento voltado a investidores e profissionais de venture capital sobre a discussões de benefícios e desvantagens de diversas listagens. Considerando que o capital privado do Airbnb já chega a US$ 31 bilhões, é provável que a empresa — e suas intenções — seja um assunto levantado no evento.

Airbnb quer entrar no mercado público da Bolsa de Valores, mas não deve seguir método tradicional de busca por IPO, segundo agência

Normalmente empresas de tecnologia (majoritariamente, startups) dão preferência à oferta pública inicial — IPO — para entrar no mercado de capital aberto. O método exige a contratação de bancos de investimento para avaliar a valorização de seu capital frente aos investidores acionários, uma ação que custa milhões de dólares às empresas, mas o preço final das ações é determinado pela análise da firma de investimento contratada. Uma listagem direta, porém, requer um valor de investimento reduzido para tais bancos, haja vista que as empresas não estão abrindo mais ações nem levantando mais capital. Nesse modelo, é o mercado quem determina o preço acionário. No passado, empresas como Spotify e Slack seguiram pelo método de listagem direta.

Uma IPO também forçaria a Airbnb a abrir seus livros de contabilidade para potenciais investidores, o que pode não ser algo muito benéfico, dependendo da empresa que o faz. Um exemplo recente é o da WeCo, a empresa por trás da rede de espaços de coworking WeWork. Ela tinha planos de uma IPO, mas teve que cancelá-los após investidores olharem os seus livros e tecerem fortes críticas. Durante o processo, o então CEO da WeCo, Adam Newman, deixou o cargo, impactando a prevista valorização de US$ 45 bilhões. Analistas disseram que o final seria de apenas um quarto deste valor.

A história de que o Airbnb se lançará no mercado de ações não é nova e surgiu no início de 2018. Entretanto, a demora vem causando problemas internos à empresa, isso porque alguns funcionários que adquiriram opções de ação viram que seus papéis venceriam em novembro de 2020 e começaram a pedir à gestão da companhia que abrissem o capital. A resposta foi a de uma promessa de entrada na Bolsa até 2020, mas sem mas detalhes ou formato escolhido.

Vale citar: recentemente empresas de tecnologia vêm operando abaixo das expectativas do mercado. Uber e Lyft estão com valorização de capital, respectivamente, 30% e 40% abaixo do esperado (ambas foram IPOs), ao passo que a Slack Technologies tem queda de 8% (listagem direta).

O Airbnb não comentou as informações.

Fonte: Bloomberg

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