Baidu pode deixar bolsa de valores nos EUA diante da tensão com a China

Por Rui Maciel | 21 de Maio de 2020 às 13h45
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A Baidu, gigante de buscas chinesa, estaria considerando abandonar a Nasdaq, a bolsa de valores dos EUA voltado para empresas de Tecnologia. A ideia é migrar para um mercado de ações na Ásia para aumentar a sua valorização, além de se afastar da crescente tensão comercial entre a China e o governo Trump. As informações são da agência de notícias Reuters.

Para realizar esse processo, a Baidu - uma das primeiras companhias chinesas a serem listadas na Nasdaq - já estaria conversando com consultores do mercado sobre a melhor forma de seguir com o processo, analisando questões regulatórias e outras relacionadas a financiamentos. No entanto, segundo fontes envolvidas no assunto, as discussões estão em um estágio inicial e sujeitas a alterações.

Tensões EUA x China

Esta ação da Baidu em um momento em que as disputas comerciais entre EUA e China ganham uma nova escalada. As empresas chinesas que atuam em território norte-americano enfrentam crescente pressão em meio a tensões aumentadas entre as duas maiores economias do mundo. Na última quarta-feira (20), o Senado dos EUA aprovou um projeto que pode impedir que algumas companhias do país asiático sejam listadas em bolsas americanas, a menos que sigam os padrões das auditorias e regulamentos dos EUA, uma exigência que já vem de longe.

Donald Trump e Xi Jinping: tensões comerciais entre China e EUA ganham nova escalada

Dentro da China, a Baidu tem lutado com a desaceleração da economia e a crescente concorrência de players domésticos como a ByteDance, proprietária ultrapopular aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok. Para complicar o cenário, em 2019, a ByteDance lançou um mecanismo de busca na China, pronta para competir em um setor tradicionalmente dominado pelo Baidu.

No primeiro trimestre deste ano, a Baidu registrou uma queda de 7% em sua receita. Ainda que seus números de vendas tenham sido melhores do que o previsto pelo mercado, esta foi a maior queda ano após ano desde que a empresa fez o seu IPO (sigla em inglês para Oferta Pública de Ações) em 2005. Boa parte do faturamento do Baidu vem de seus serviços de marketing online, incluindo seu mecanismo de busca, feeds de notícias e aplicativos de vídeo.

Maior valorização

Incomodado com a crescente pressão regulatória dos EUA, Robin Li, co-fundador e executivo-chefe da Baidu, afirmou na última quinta-feira (14), que a sua empresa estava prestando muita atenção ao escrutínio mais rigoroso dos EUA sobre as empresas chinesas listadas no país. "Para uma boa empresa, existem muitas opções de destinos para listagem, não limitadas apenas EUA", disse ele ao jornal China Daily.

Robin Li: CEO da Baidu quer uma valorização maior da sua empresa na bolsa

Além disso, as fontes envolvidas na questão da saída da Baidu da Nasdaq, afirmaram que a companhia acredita que está subvalorizada na bolsa norte-americana, sediada em Nova York. As ações da Baidu caíram mais de 60% desde seu pico, em maio de 2018.

A capitalização de mercado do Baidu na Nasdaq foi de US$ 29,59 bilhões no fechamento de quarta-feira (20) e representa apenas 5% do valor de mercado do Alibaba, que possui ações listadas em Hong Kong e no American Depository Shares, listada em Nova York.

Questionada pela Reuters sobre uma possível saída da Nasdaq, a Baidu se recusou a comentar.

Fonte: Reuters  

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