Airbnb entra com pedido confidencial de IPO e se prepara para entrar na Bolsa

Por Rui Maciel | 20 de Agosto de 2020 às 14h15
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A Airbnb afirmou na noite da última quarta-feira (19) que entrou com um pedido confidencial para uma oferta pública inicial (IPO) junto aos órgãos reguladores dos EUA, como o SEC. Com isso, a empresa se prepara para estrear no mercado de ações norte-americano ainda em 2020.

A mudança brusca de movimento ressalta uma recuperação parcial da indústria de viagens, que foi atingida seriamente este ano por cancelamentos e restrições causados pela pandemia da COVID-19. A Airbnb afirmou em julho último que os clientes reservaram mais de um milhão de noites em um único dia pela primeira vez desde o dia 3 de março. Isso aconteceu, em parte, porque os viajantes dos EUA querem evitar hotéis e preferem dirigir até as residências alugadas para aproveitar a alta temporada local.

As empresas podem enviar confidencialmente um registro de IPO junto à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA. Se o Airbnb avançar com o procedimento, o pedido seria tornado público próximo ao momento da listagem. O número de ações que ela venderá e a avaliação que buscará ainda não foram determinados, disse a startup em um comunicado.

Além disso, a Airbnb não forneceu um cronograma de quando poderá concluir seu IPO. A empresa planeja uma listagem antes do final do ano, afirmou a agência de notícias Reuters, citando uma fonte próxima ao tema. Além disso, o procedimento de oferta de ações pode ser alterado dependendo das condições de mercado.

Colapso

A pandemia da Covid-19 acertou em cheio o negócio de aluguel de residências de curta duração da Airbnb, quase levado a empresa ao colapso. A startup precisou suspender suas ações de marketing para todo 2020, além de dispensar 25% de seu quadro de funcionários. "Demoramos 12 anos para construir o negócio do Airbnb e perdemos quase tudo em questão de quatro a seis semanas", revelou Brian Chesky, CEO e fundador da empresa, durante o pico da epidemia.

Em abril, a empresa também levantou US$ 2 bilhões em capital junto aos investidores, que a avaliaram em US$ 18 bilhões, bem abaixo dos US$ 26 bilhões estimados internamente pela própria Airbnb no início de março. “A empresa pode estar pensando que o valor perdido em 2020 pode ser recuperado a partir do momento em que ela se tornar uma empresa pública e isso se refletirá no aumento do preço de suas ações”, disse Andrea Walne, sócia da Manhattan Venture Partners, um dos fundos investidores do Airbnb. Os bancos Morgan Stanley e Goldman Sachs são os consultores que lideram processo de o IPO da Airbnb.

Brian Chesky, CEO da Airbnb: empresa quase entrou em colapso com a pandemia da COVID-19 (Foto: divulgação)

Para além do levantamento de capital e da demissão de funcionários, o Airbnb também reembolsou clientes que foram forçados a cancelar viagens e separou US $ 250 milhões para reembolsar os anfitriões que perderam as reservas. Estas últimas se recuperaram em junho, mas ainda caíram 30% em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com o canal de notícias Bloomberg. O resultado geral foi uma queda de 67% na receita com relação ao ano anterior, para US $ 335 milhões no último trimestre, o que gerou uma perda de US$ 400 milhões antes do EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

A decisão do Airbnb de abrir o capital veio em um momento em que os mercados de capitais dos Estados Unidos encenam uma recuperação impressionante. Empresas como a vendedora ​​online de carros usados Vroom Inc e a plataforma de inteligência de negócios ZoomInfo Technologies viram suas ações subirem depois de abrir o capital. “Acreditamos que os investidores estão dispostos a olhar além das questões COVID e avaliar empresas com base em cenários pós-COVID. É um mercado de IPO construtivo ”, declarou Kathleen Smith, diretora da Renaissance Capital, consultoria de pesquisa institucional e IPOs.

Para completar o cenário, a perspectiva de um IPO da Airbnb reflete positivamente em outras empresas públicas do setor de turismo. As ações da agência de viagens online Booking se recuperaram em torno de 14% nos últimos três meses, mas ainda se encontram em baixa em 2020.

Conselho de Warren Buffett

Um dos mais lendários investidores do mercado e CEO da da Berkshire Hathaway, Warren Buffett certa vez aconselhou Brian Chesky, a "ficar rico devagar". Ele fez o comentário durante um almoço com Chesky e o CEO e cofundador da Amazon, Jeff Bezos.

Chesky sublinhou a sabedoria da abordagem de Buffett em uma entrevista à revista Fortune em 2017, depois que o Airbnb foi avaliado privadamente em US $ 30 bilhões . "Nada no Airbnb era lento", disse ele na ocasião. "Tem apenas nove anos. Mas acho que tem sido útil para nós sermos capazes de ir um pouco mais devagar, respirar um pouco e ser um pouco mais pensativos".

Warren Buffert: sábio conselho ao fundador da Airbnb

No entanto, Chesky acrescentou que pisar no freio em uma empresa de rápido crescimento é complicado e pode levar a uma acumulação de trabalho no futuro. "Ficar rico devagar não é realmente ser mais lento", disse ele. "É mais lento no primeiro ano, mas pode ser mais rápido no sétimo".

Os recentes desafios do Airbnb nesta pandemia levantam questionamentos do por que Chesky está pressionando para listar a empresa na Bolsa este ano, potencialmente desconsiderando o conselho de Buffett. Segundo o The Wall Street Journal, um dos motivos pode ser a pressão dos funcionários para abrir o capital antes que as lucrativas opções de ações expirem.

A rápida recuperação do mercado de ações também pode ser um fator. Tanto o S&P 500 quanto o Nasdaq fecharam em altas recordes no início desta semana.

Fonte: Reuters e Business Insider    

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