Proton lança próprio Meet e Workspace para competir com Google e Microsoft
Por Marcelo Fischer Salvatico |

A Proton, empresa suíça conhecida pelo Proton Mail e pelo Proton VPN, anunciou nesta terça-feira (31) o lançamento do Proton Workspace, um pacote de ferramentas de produtividade empresarial para competir com Google e Microsoft. A oferta foi acompanhada pelo lançamento simultâneo do Proton Meet, uma solução de videoconferência que entra diretamente em rota de colisão com Zoom e Google Meet.
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O Workspace reúne serviços já existentes da empresa, como e-mail, calendário, armazenamento, VPN e gerenciador de senhas. A novidade está na consolidação dessa oferta e na adição do Meet.
Segundo a empresa, mais de 100 mil clientes empresariais já utilizam ao menos um de seus serviços, e a tendência observada internamente é de adoção progressiva de todo o ecossistema.
"Estamos ouvindo mais dos clientes, especialmente daqueles cautelosos com as práticas de dados das grandes empresas de tecnologia, que eles querem uma alternativa segura e em pacote", afirmou o fundador e CEO da Proton, Andy Yen.
O que é o Proton Meet
O Meet utiliza o protocolo de criptografia Messaging Layer Security (MLS), de código aberto, aplicado por padrão em todas as chamadas. Isso significa que áudio, vídeo, chat e compartilhamento de tela ficam inacessíveis até para a própria Proton.
Outro diferencial é que não é necessário ter uma conta na plataforma para participar ou hospedar uma chamada. A Proton aponta isso como um recurso relevante para jornalistas, ativistas e dissidentes que precisam de anonimato.
Na prática, qualquer pessoa pode criar uma chamada, compartilhar o link e iniciar a reunião sem cadastro.
Na versão gratuita, o limite é de 50 participantes por até uma hora. Para usos mais extensos, há o plano Meet Professional, a partir de US$ 7,99 por usuário ao mês, com limites ampliados.
Contexto por trás do lançamento
A Proton cita abertamente a legislação americana como um fator de risco para empresas que dependem de plataformas sediadas nos EUA.
O US CLOUD Act permite que autoridades americanas exijam acesso a dados de usuários armazenados por empresas americanas, independentemente de onde os servidores estejam fisicamente localizados, o que cria tensão com leis de proteção de dados como o GDPR europeu.
A empresa também aponta o avanço da IA nas grandes plataformas como outro vetor de risco. Com Google, Microsoft e Zoom integrando processamento de IA em suas ferramentas, dados de reuniões e documentos corporativos podem ser usados para treinar modelos, a depender das políticas de privacidade de cada serviço.