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Por que o alerta da Defesa Civil chega depois da chuva? Entenda como funciona

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

Aviso da Defesa Civil no celular
Captura de tela/Canaltech

As nuvens já se formaram no céu, as primeiras gotas começam a cair, alguns trovões ditam a trilha sonora e então um aviso da Defesa Civil aparece nas telas dos celulares. Muitas pessoas podem reclamar de atraso, mas existem outras etapas antes desse alerta direto.

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O Defesa Civil Alerta usa a tecnologia Cell Broadcast para disparar uma mensagem a todos os aparelhos conectados em uma região específica. O recado se sobrepõe a todas as outras notificações e qualquer aparelho na área recebe, mesmo sem cadastro prévio.

O recurso chegou no Brasil em 2024 e costuma ser usado para alertas severos de chuvas nas regiões. O Canaltech conversou com especialistas para entender como a ferramenta funciona e por que existem queixas sobre o timing do aviso.

É atrasado mesmo?

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Antes de analisar o atraso, é importante pontuar que o Cell Broadcast segue uma hierarquia de comunicações da Defesa Civil: por se tratar de uma solução mais alarmante e até invasiva, o disparo só pode ser feito em casos de risco iminente.

Procurado pelo Canaltech, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), responsável por gerenciar o sistema em nível nacional, explica que o alerta ocorre quando “os órgãos de Defesa Civil identificam que o risco se intensificou e exige comunicação imediata à população”.

 

Para isso, as entidades analisam informações como volume e intensidade de chuva, nível dos rios, histórico de ocorrências e as condições de vulnerabilidade em cada região. Há, ainda, um protocolo para definir como a mensagem deve ser comunicada.

“Essas informações são analisadas em conjunto com o conhecimento dos riscos, das vulnerabilidades e das características de cada território, subsidiando a decisão sobre a emissão do alerta, que deve conter o tipo de ameaça, o nível de severidade, a vigência e as orientações de proteção à população”, informa o MIDR.

O aviso na tela (que também pode ser acompanhado de um alerta sonoro) é o último recurso de comunicação das entidades e às vezes pode aparecer nos aparelhos após a chuva mais intensa passar. Mas, antes disso, os órgãos publicam comunicados por outros métodos.

“A pessoa recebe o Cell Broadcast no celular porque essa é a última etapa”, explica o Tenente-Coronel e diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais do Rio de Janeiro (CEMADEN-RJ), Anthony Barrera.

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“[O Cell Broadcast] é bem intrusivo, acaba tirando a liberdade do uso do telefone da pessoa e a lei define que só deve ser usado em casos extremos. Então, até lá, é necessário enviar de outras formas: começa com a previsão do tempo, depois tem aviso nas mídias sociais e o canal prioritário de alerta é o SMS”, reforça Barrera.

Como ocorre o disparo?

O Defesa Civil Alerta usa uma tecnologia chamada SMS Flash, no qual a mensagem ocupa um espaço na tela do celular e se sobrepõe a outros conteúdos — isso exige que o indivíduo leia o recado antes de tomar qualquer outra ação no celular e, em casos extremos, vem acompanhado de um aviso sonoro.

O formato de disparo ocorre diretamente com as torres de telefonia móvel, aponta o Tenente-Coronel Anthony Barrera, então todos os celulares conectados com as respectivas torres recebem o aviso. “Ele gera um polígono da área atingida e manda o alerta, é bem específico para a área com riscos severos e extremos”, explica.

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O Governo Federal ainda aplicou camadas adicionais de segurança ao sistema para publicar os alertas após uma invasão no sistema, ocorrida em junho deste ano, no qual pessoas receberam um aviso com a mensagem “misantropia”.

 

Diferença para o SMS

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O sistema de alertas por SMS já existe bem antes do Defesa Civil Alerta e pode ser eficaz para recados urgentes. No entanto, cada pessoa precisa se cadastrar no serviço ao enviar um SMS com o CEP da região para o número 40199.

As mensagens de texto podem ser enviadas com até seis horas de antecedência para informar ventos, chuvas fortes ou risco de deslizamento, por exemplo. 

No entanto, essa comunicação pode chegar atrasada devido à estrutura do próprio SMS. O recado entra na fila de envio da operadora e também está sujeito a instabilidades no sinal: é por isso que duas pessoas podem receber a mesma comunicação em horários diferentes.

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Janela para melhorias

A tecnologia ainda é recente no Brasil e há espaço para evolução. O diretor do CEMADEN-RJ, Tenente-Coronel Anthony Barrera, alerta para uma possível “fadiga de alertas” causada pelo envio excessivo de mensagens. “Não é previsão de chuva”, reforça.

O SMS, além de exigir o cadastro obrigatório, também enfrenta barreiras pelo limite de caracteres. 

Uma pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) analisou mensagens de texto enviadas por autoridades entre 2018 e 2023 (antes da entrada do Defesa Civil Alerta no país) e identificou que o tamanho do texto é um dos principais gargalos.

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Professora e pesquisadora da PUCPR, Luciana Pimentel, explica ao Canaltech que é necessário seguir protocolos internacionais para criar recados ainda mais diretos. 

“Algumas incertezas permanecem na mensagem: como informar para se dirigir para um local seguro. Onde é esse local? Quem recebe o contato precisa saber previamente”, reforça.

O serviço de alertas da Defesa Civil está disponível por SMS para o número 40199 e por contato no WhatsApp com o número (61) 2034-4611. Há também comunicações enviadas pelo Telegram e por operadoras de TV.