Pedir Uber para um desconhecido pode te levar à prisão

Por Nathan Vieira | 11 de Dezembro de 2019 às 21h10
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Você já se deparou com a situação de um conhecido aparentemente inofensivo te abordar alegando não ter bateria ou sinal, e pedindo para que você solicite um Uber? Pode não parecer arriscado, mas, dependendo da intenção dessa pessoa, é possível que você vá até mesmo preso por causa disso. Acontece que uma quadrilha tem se concentrado em golpes do tipo, pedindo que um desconhecido chame um motorista e, no meio do caminho ou já no destino indicado, esses golpistas encontram seus comparsas com a intenção de render e assaltar o motorista.

Mas o que a pessoa inocente que solicitou o Uber tem a ver com isso? Bom, o blog Todo Golpe entrevistou um motorista do aplicativo para entender isso melhor, e trouxe à tona o seguinte: a empresa fornecerá os dados de quem solicitou a corrida às autoridades e, inicialmente, as investigações o apontarão como suspeito, mesmo que o motorista não o reconheça. Por sua vez, os bandidos deixam poucos rastros, dificultando a investigação.

"Há empresas em que, com um CPF qualquer, sem muita burocracia, já é possível chamar um carro. Os marginais compram um chip e aplicam golpes com facilidade. Já a Uber exige mais detalhes, como conta em banco, cartão de crédito, um endereço de e-mail antigo, tornando a situação mais difícil para o golpista. Então, eles começaram a agir desta forma, usando uma pessoa idônea para pedir o carro e dificultando que a plataforma consiga fazer alguma coisa", explica um motorista que não se identificou. Os golpistas ficam próximos a locais movimentados como hospitais esupermercados, e seus alvos são principalmente senhoras e mulheres grávidas.

Pedir um Uber para outra pessoa mal intencionada pode te prejudicar judicialmente

Caso a situação termine de maneira ainda mais trágica, o nome da pessoa que pediu o Uber fica envolvido em um crime de latrocínio, que é o roubo seguido de morte, também previsto no art. 157, § 3º, II do Código Penal, cuja pena mínima é de 20 anos. "Poderá ser preso em flagrante e se ver em uma situação bastante delicada de precisar provar sua inocência em um processo criminal que pode levar anos e gerar desgaste emocional e prejuízo financeiro a você e sua família", conta o motorista. Ele ainda acrescenta que, em uma situação como esta, a vítima provavelmente consegue provar sua inocência, mas é preciso ter em mente que há uma remota possibilidade de isso não acontecer.

Ainda que não seja preso, responder a um processo penal, seja por roubo ou roubo seguido de morte, seria muito danoso em todos os aspectos, segundo o motorista. Ele ainda diz que os próprios aplicativos, em seus termos de uso, alertam ao usuário que ele é o único responsável pelo uso, e definem regras claras sobre a cessão da conta a terceiros: "Você não poderá autorizar terceiros(as) a usar sua Conta. (...) Você não poderá ceder, nem de qualquer outro modo transferir, sua Conta a nenhuma outra pessoa ou entidade", consta em CONDUTA E OBRIGAÇÕES DO USUÁRIO.

Tendo isso em mente, o Canaltech procurou a própria Uber para falar sobre o assunto e, assim que houver uma resposta, esta matéria será atualizada.

Fonte: Tudo Golpe

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