'Open source', mas pago: Anthropic passa a cobrar pelo uso do Claude no OpenClaw
Por Marcelo Fischer Salvatico |

A Anthropic passou a cobrar separadamente pelo uso do Claude em ferramentas de terceiros, como o OpenClaw. A mudança entrou em vigor no último sábado e afeta assinantes dos planos pagos, que até então podiam usar o modelo para esse tipo de automação dentro dos limites da assinatura.
Com a nova política, o acesso ao Claude via “harnesses” externos — termo que a empresa usa para se referir a essas ferramentas — exige pagamento por uso, faturado à parte da assinatura mensal.
As opções disponíveis são consumo via API, pacotes pré-pagos ou cobrança conforme o uso, segundo e-mail enviado pela empresa aos clientes e divulgado no Hacker News.
A Anthropic confirmou que a mudança começa com o OpenClaw, mas se aplica a todas as ferramentas de terceiros que operam dessa forma. "Essa política se aplica a todos os harnesses de terceiros e será expandida em breve", afirmou a empresa na mensagem.
Por que a Anthropic tomou essa decisão
A justificativa da empresa é de infraestrutura. Agentes de IA autônomos, como o OpenClaw, executam tarefas contínuas em apps como Gmail, Slack e iMessage, consomem tokens em volumes muito maiores do que uma conversa humana comum e mantêm sessões por horas. Esse padrão de uso pressiona os sistemas da Anthropic de forma desproporcional.
"Temos trabalhado para gerenciar a demanda de forma geral, mas essas ferramentas geram uma sobrecarga fora do comum nos nossos sistemas", escreveu a empresa no e-mail aos clientes.
O responsável pelo Claude Code na Anthropic, Boris Cherny, reforçou no X que as assinaturas "não foram construídas para os padrões de uso dessas ferramentas de terceiros" e que a empresa tenta "ser intencional no gerenciamento do crescimento para continuar atendendo os clientes de forma sustentável".
Reação do criador do OpenClaw
Já o fundador do OpenClaw, Peter Steinberger, criticou a decisão publicamente. Ele disse que tentou convencer a Anthropic a recuar, mas conseguiu apenas atrasar a implementação por uma semana.
Steinberger também apontou uma contradição no “timing". Pouco antes do anúncio, a Anthropic incorporou ao Claude funcionalidades similares às que tornaram o OpenClaw popular, como o controle autônomo do computador. "Primeiro copiam funcionalidades populares para dentro do próprio sistema, depois bloqueiam o open source", escreveu no X.
Cherny respondeu que a equipe do Claude Code é "fã de open source" e que a restrição tem origem em limitações técnicas, não numa decisão estratégica contra o projeto.
A Anthropic também ofereceu reembolso integral para assinantes que queiram cancelar por conta da mudança e disponibilizou um crédito único equivalente ao valor da assinatura mensal, válido até 17 de abril, além de pacotes com desconto de até 30%.
O OpenClaw, que era open source e foi desenvolvido por Steinberger antes de ele ingressar na OpenAI no início deste ano, segue ativo com suporte da rival.