No Rio, motoristas fake de aplicativos são alvo de operação da Polícia Civil

Por Rafael Arbulu | 04 de Novembro de 2019 às 12h00

Desde julho deste ano, a Polícia Civil do Rio de Janeiro vem conduzindo uma operação de busca a motoristas de aplicativos de carona, como 99 e Uber, que apresentem inconsistências ou mesmo informações falsas em seus respectivos perfis de trabalho. Segundo apurou o UOL, cerca de 100 profissionais foram questionados, sendo que 10 foram identificados como falsos e dois deles já foram presos.

A fase de investigação contou com a ajuda das respectivas empresas donas dos aplicativos de transporte, na oferta de informações de profissionais suspeitos. Durante a manhã de hoje (4), algumas entradas do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro (Galeão) foram interditadas e os motoristas inconsistentes, levados à delegacia para prestar esclarecimentos.

O jornal Extra também tem mais informações sobre a operação: ao periódico, a delegada Tatiana Ribeiro Queiroz disse que os dois motoristas presos já haviam sido banidos das plataformas por terem cometido ou atos criminosos graves, ou ações que iriam contra os termos de uso das empresas, retornando a elas após usarem dados originais de outras pessoas.

“No entanto, não são todos os motoristas que praticam crimes. O cadastro parte da boa fé e presunção da verdade. As empresas fazem as buscas e permitem ou não que esses motoristas sejam habilitados para o sistema. A grande maioria dos motoristas está trabalhando corretamente e não comete infrações”, disse a delegada.

Motoristas de aplicativos de carona, como Uber e 9, são alvo de operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, que busca profissionais que estejam utilizando contas fake

A operação toda teve início após diversas denúncias de usuários que se sentiram, de alguma forma, lesados, em regiões como Madureira, Barra da Tijuca e Campo Grande. As respectivas delegacias regionais remeteram os casos à Delegacia do Aeroporto Internacional (Dairj). Segundo a delegada Tatiana Ribeiro, os dois homens presos deverão prestar depoimento e terão arbitrada uma fiança de R$ 1 mil para cada, respondendo em liberdade. Um deles tem nove registros de ameaça, enquanto o outro tem passagem por tráfico de drogas.

Os averiguados que tiverem contas falsas identificadas em seus usos poderão ser processados por falsidade ideológica, um crime que pode render até três anos de prisão.

Questionada pelo Canaltech, a 99 informou via e-mail o seguinte posicionamento:

A 99 informa que o perfil do motorista parceiro é exclusivo e intransferível. A empresa esclarece que repudia esse caso, assim como qualquer outra prática ilegal. Em comportamentos como esse, que vão contra os Termos de Uso do aplicativo, o condutor é bloqueado definitivamente da plataforma.

A empresa possui ferramentas para coibir tal prática ao checar informações do condutor. A empresa utiliza recurso de reconhecimento facial, que identifica automaticamente e periodicamente o rosto dos condutores antes de eles se conectarem ao app. Passageiros também são convidados a verificar se a imagem do motorista bate com quem realizou a corrida, antes e depois da chamada.

No momento do cadastro, ainda é solicitada ao condutor uma selfie segurando a carteira de habilitação. Ele também precisa subir fotos da própria carta e do licenciamento do veículo.

Além disso, a 99 faz uma análise de perfil dos motoristas que verifica o histórico público dos condutores a partir de documentos como CPF, CNH e licenciamento. A empresa também possui parceria com o Denatran que permite acessar informações no órgão -- por exemplo, se o carro é roubado ou se possui algum sinistro.

Tais medidas visam estabelecer modelos de redundância que oferecem proteção adicional aos usuários da plataforma. Estamos colaborando com as investigações da polícia.

Já a Uber, também buscada pela nossa equipe, disse o seguinte:

Todos os motoristas parceiros cadastrados na Uber, antes de começar a dirigir, passam por uma checagem de antecedentes criminais. Esse processo acontece nos termos da lei e é realizado por empresa especializada. A empresa também realiza rechecagens periódicas dos motoristas já aprovados pelo menos uma vez a cada 12 meses.

A Uber possui um contrato em âmbito nacional com o Serpro, que verifica informações da CNH e do CRLV dos motoristas interessados em trabalhar no aplicativo, com a autorização do Denatran. A empresa está colaborando com as autoridades no curso das investigações, observando a legislação brasileira aplicável.

Fonte: UOL; Extra

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