Jumbo: o app que exclui publicações antigas em massa das redes sociais

Por Rui Maciel | 24 de Junho de 2020 às 14h45
Divulgação

Focado em privacidade, o Jumbo não é exatamente novo. Lançado em abril de 2019, o app tem como foco principal uma limpeza em massa de postagens antigas publicadas em redes sociais e oferece aos interessados um certo nível de controle sobre seus dados. No começo, ele foi oferecido de forma gratuita e atingiu 60 mil usuários ativos mensais. Agora, o serviço conseguiu atrair rodadas de investimento e está adicionando "camadas Premium", pedindo para que os usuários paguem o que eles consideram justo por uma assinatura no aplicativo.

Sediada em Nova York, a startup arrecadou US$ 8 milhões junto a investidores e está promovendo uma grande atualização do aplicativo, incluindo uma reforma em seu design e adição de novas funcionalidades. A versão gratuita do Jumbo permite acessar um número limitado de plataformas e serviços que você usa, além de controlar como essas plataformas compartilham seus dados. Ele também alerta ao usuário sobre qualquer violação de segurança e permite que ele configure a exclusão automática de suas postagens nas mídias sociais - por exemplo, publicações que tenham mais de 6 meses serão automaticamente deletadas. Esse nível de gratuidade inclui o Facebook, com usuários capazes de excluir e arquivar facilmente conteúdos mais velhos, determinando aqueçes que podem ver o que está em seu perfil e instalar a autenticação de dois fatores.

Pague o que achar justo

Em seu novo modelo de negócios, o Jumbo permitirá que o usuário pague o quanto quiser. O novo modelo de assinatura duas camadas, batizadas de Jumbo Plus e Jumbo Pro, oferece aos usuários a capacidade de controlar sua privacidade em mais plataformas sociais.

O Jumbo Plus permite que os usuários gerenciem quais dados são coletados no Instagram, Amazon Alexa e Facebook Messenger, por exemplo. Já o Jumbo Pro adiciona o LinkedIn a esta lista e permite bloquear 400 rastreadores de anúncios.

E nesse modelo "Pague o quanto quiser", o aplicativo fornece um controle deslizante com faixas de preço recomendadas de US $ 0 a US $ 14,99. "Confiamos em que você nos apoiará de maneira justa e nos permitirá continuar nosso trabalho", diz a empresa em seu blog.

"Você pode precisar acessar o Jumbo Pro para digitalizar seu LinkedIn enquanto procura trabalho. E você pode ser um estudante que precisa limpar seu Instagram com o Jumbo Plus", explicou o CEO da companhia, Pierre Valade. "Existem muitos casos além desses exemplos em que você precisa de uma ferramenta para proteger sua privacidade, mas não tem acesso ao dinheiro no momento". Além disso, os usuários sem dinheiro são incentivados a enviar um email à equipe de suporte da Jumbo para solicitar uma assinatura gratuita, detalhando brevemente sua situação.

Combate ao "capitalismo de vigilância"

Um das curiosidades nessa nova rodada de captação de recursos do Jumbo é que um dos participantes é Roger McNamee, ex-investidor e consultor do Facebook junto a Mark Zuckerberg e que se tornou um dos maiores críticos da rede social. Em junho de 2019, a McNamee disse que o Facebook estava transformando seus usuários em "bonecos de vodu de dados".

Em declaração ao site Business Insider, McNamee disse que tomou conhecimento do Jumbo logo após o lançamento da versão gratuita do aplicativo e ficou entusiasmado com sua brilhante abordagem da privacidade. "Quando o Jumbo foi lançado e tive acesso ao produto, ele me conquistou em cinco minutos. Obviamente, isso atendia a uma necessidade essencial", explicou. Ele então enviou uma mensagem para a caixa de entrada de e-mail geral da Jumbo, e Pierre Valade, marcando uma reunião na sede da companhia, localizada no bairro do Brooklyn, em Nova York. "Ele me apresentou uma visão realmente brilhante de ser um defensor dos consumidores na selva das plataformas da Internet", completou o investidor.

Desde aquela reunião, nove meses atrás, McNamee ficou impressionado com quantos produtos e recursos a equipe da Jumbo conseguiu desenvolver. E quando Valade perguntou se ele queria investir, McNamee aceitou a oferta, apesar de estar mais afastado dos investimentos nos últimos anos. "Investir não é mais o núcleo da minha atividade, mas quero que esses caras sejam bem-sucedidos porque a visão de Pierre, o produto da empresa, desempenham um papel único na proteção dos consumidores contra companhias poderosas da Internet", afirmou McNamee.

Lucrando com a privacidade

Em seu blog oficial, a startup afirmou que o " financiamento nos dá fôlego até fevereiro de 2022, antes de ficarmos sem dinheiro. E nosso objetivo é ser lucrativo antes disso. Precisamos de aproximadamente 100.000 clientes para construir um negócio sustentável". O que os executivos da startup projetam é que os consumidores estejam com "fome" de um antídoto para aplicativos gratuitos. Isso porque, para muitos, já ficou dolorosamente claro que se você não está pagando pelo produto, você é o produto. E o escândalo de dados da Cambridge Analytica não deixa mentir a respeito dessa máxima.

Valade afirma que já viu 15% de seus usuários mudarem para versões pagas do aplicativo e essa taxa de conversão foi uma surpresa agradável. "Acho que muitas pessoas talvez não estivessem experimentando o Jumbo porque era grátis. E as pessoas sabem que quando algo é gratuito, em algum momento alguém tem que pagar em algum lugar ", disse o CEO. "Logo, nós achávamos que, para o usuário esse processo era algo confuso. Que antes de virar um cliente nosso, ele ficava imaginando como fazíamos para ganhar dinheiro".

O executivo acredita ainda que adicionar o serviço de assinatura fortalecerá a confiança na marca Jumbo, pois os usuários saberão que a marca não precisa monetizar seus dados para ganhar dinheiro. "Quando você é o CEO de uma empresa de privacidade, o que realmente importa no final do dia é quanta confiança as pessoas têm em sua marca", completa.

Fonte: Business Insider  

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