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Instagram mostra anúncios de abuso infantil na Índia e governo exige remoção

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Marcelo Fischer/Canaltech
Marcelo Fischer/Canaltech

Aviso: este texto contém menções a abuso sexual.

O governo da Índia determinou que a Meta desative imediatamente anúncios e conteúdos no Instagram que promovam ou facilitem o acesso a material de abuso sexual infantil. A ordem partiu do Ministério de Eletrônica e Tecnologia da Informação do país e foi confirmada à BBC por um funcionário sênior da pasta nesta segunda-feira (6).

A determinação chega dias depois de uma investigação da BBC Eye — setor investigativo do veículo — identificar anúncios pagos no Instagram que promoviam esse tipo de material na Índia. Parte desses anúncios direcionava usuários a canais no Telegram, onde o conteúdo era oferecido para venda.

Segundo o governo indiano, a Meta tem uma semana para apresentar explicações sobre como esse tipo de anúncio foi aprovado pela plataforma. Nem o governo nem a empresa confirmaram se a notificação foi motivada diretamente pela reportagem da BBC.

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Como a BBC chegou aos anúncios

A equipe da BBC criou um perfil falso no Instagram na Índia depois de perceber que a plataforma vinha exibindo conteúdo sexualmente sugestivo mesmo sem o usuário buscar por esse tipo de material. O perfil passou a seguir dez contas de mulheres que publicavam sobre alimentação, clima e cotidiano usando roupas provocativas e insinuações sexuais.

Em menos de uma semana, o Instagram começou a exibir para essa conta anúncios de pornografia adulta. Dias depois, passou a mostrar peças publicitárias que remetiam a abuso sexual infantil, algumas delas com links para canais no Telegram.

No total, a BBC identificou cerca de 30 anúncios distintos ligados a esse tipo de conteúdo, além de outros 20 relacionados a pornografia adulta. A distribuição de ambos os materiais é crime na Índia. As políticas da própria Meta também proíbem anúncios com nudez adulta ou conteúdo que explore sexualmente crianças. A BBC reportou os anúncios e os canais do Telegram às autoridades indianas.

O que diz a Meta

Em resposta ao governo indiano, a Meta afirmou manter uma política de tolerância zero para a solicitação ou o compartilhamento desse tipo de material, incluindo em anúncios. A empresa disse recorrer a tecnologia de inteligência artificial para detectar proativamente conteúdos e contas que violem suas regras.

A companhia também classificou como incorreta a ideia de que direciona deliberadamente anúncios com crianças para usuários com interesse nesse tipo de conteúdo, e negou priorizar receita em detrimento da segurança dos usuários.

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Anúncios no Instagram passam por aprovação prévia de um sistema de moderação automatizada antes de serem publicados. Quando a BBC reportou uma das peças à própria plataforma, a resposta veio 24 horas depois informando que a publicação não violava as diretrizes da comunidade. Só depois, ao ser procurada diretamente pela reportagem, a Meta afirmou já ter desativado diversos anúncios e suspendido as contas responsáveis por publicá-los.

Além deste caso, a Meta recentemente foi cobrada pelo seu conselho independente de supervisão para que removesse um vídeo de deepfake sexual, que ficou por meses no ar.

Telegram e o volume de remoções

O Telegram, mencionado nos links dos anúncios, informou à BBC ter removido mais de 274 mil grupos e canais associados a material de abuso sexual infantil em 2026. A aplicação de mensagens não é o alvo direto da notificação do governo indiano, que se concentra nos anúncios veiculados dentro do Instagram.

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A publicidade representa a maior parte do faturamento da Meta. Em janeiro, a empresa reportou que quase 98% de sua receita no ano fiscal encerrado em 2025, de US$ 200 bilhões, veio de anúncios.