Google Maps guiava viajantes por caminhos perigosos e precipícios no Reino Unido

Google Maps guiava viajantes por caminhos perigosos e precipícios no Reino Unido

Por Igor Almenara | Editado por Douglas Ciriaco | 20 de Julho de 2021 às 09h47
Imagem: itscroma/Envato Elements

Imagine decidir seguir um trajeto do Google Maps, mas descobrir durante o passeio que o caminho poderia ter sido letal? Foi o que aconteceu em alguns locais da Escócia. Organizações de montanhismo denunciam que o app sugeriu trajetos potencialmente fatais e até precipícios para quem queria subir uma das montanhas mais famosas do país.

O trajeto perigoso em questão é relacionado ao ponto mais elevado do Reino Unido, Ben Nevis — conhecido pelos moradores locais como “The Ben” —, uma montanha com 1.350 m de altitude. Segundo a conselheira de segurança do órgão oficial Mountaineering Scotland, Heather Morning, até escaladores experientes teriam dificuldades com a rota sugerida pelo Maps. "Quando você insere Ben Nevis e clica no ícone de carro, aparece um mapa de sua rota que o leva ao estacionamento na entrada de Glen Nevis, seguido por uma linha pontilhada que parece ser um caminho para o cume", explicou.

“A linha passa por terrenos muito íngremes, rochosos e sem caminhos. Mesmo com boa visibilidade, seria difícil encontrar uma linha segura. Adicione neblina e chuva, e a sugestão do Google se torna potencialmente fatal”, disse a conselheira.

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O trajeto pode representar risco real até para os escaladores mais experientes (Imagem: Reprodução/The Guardian)

“O problema é que o Google Maps direciona alguns visitantes para o estacionamento de Upper Falls, provavelmente porque é o estacionamento mais próximo do cume”, comentou um oficial de conservação da John Muir Trust, organização de conservação da montanha. "Porém, este não é o caminho correto e frequentemente nos deparamos com grupos de viajantes inexperientes indo em direção as Steam Falls ou subindo as encostas ao sul de Ben Nevis, acreditando ser o caminho para o cume", completou.

Na mesma denúncia, o grupo afirma que uma rota diferente, sugerida pelo Maps para chegar à montanha An Teallach, leva os usuários diretamente para um penhasco.

Turistas ficavam expostos

Morning diz que é comum que escaladores e turistas recorram ao Google Maps para buscar indicações de rota. Pela facilidade, o aplicativo é um poderoso aliado nessas jornadas e, por isso, as rotas perigosas são ainda mais problemáticas.

Representantes da John Muir Trust afirmam que tentaram contato com o Google, mas não obtiveram resposta. Quando o caso chegou ao The Guardian, a empresa se posicionou e revelou que está trabalhando rapidamente para “investigar o problema de rota em Ben Nevis”.

Segundo o site Futurism, tentar replicar o trajeto perigoso pelo Maps não mais traça o caminho pelos mesmos cantos perigosos descritos pelas autoridades. Assim, há a chance de o problema já ter sido corrigido.

O Google pede que organizações locais forneçam informações geográficas sobre estradas e rotas por meio da ferramenta de upload de dados geográficos. O processo não é tão simples e exige que seja relatado por uma instituição ou organização reconhecida.

Agora, porém, as organizações escocesas recomendam que viajantes consultem guias locais antes de viajar — o que é o ideal, em todo caso, também para saber se as condições do percurso estão seguras.

Fonte: The Guardian

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