Dona do Grindr deve vender app em meio a preocupações com privacidade

Por Rafael Arbulu | 27 de Março de 2019 às 14h20

Preocupações relacionadas à privacidade e proteção de dados estão fazendo com que um comitê especial do governo dos Estados Unidos (“Comitê de Investimento Estrangeiro dos EUA”, ou simplesmente “CFIUS”) estaria pressionando a empresa chinesa Kunlun Tech a vender o aplicativo Grindr, segundo reportagem publicada pela agência de notícias Reuters.

A empresa, que não comentou o caso por meio de seus representantes, já estaria buscando uma firma de investimentos estadunidense para oferecer a sua propriedade no aplicativo, ou para algum de seus concorrentes diretos. Antes desse caso vir à tona, a empresa buscava um IPO para o app.

O CFIUS já havia barrado, pelos mesmos motivos, as aquisições dos aplicativos MoneyGram e AppLovin por companhias chinesas. A Kunlun Tech, além do Grindr, também é dona de parte do navegador Opera. O escrutínio a empresas da nação asiática se dá pelo acesso que eles teriam a informações pessoais, e pode trazer relações com o crescente atrito do governo com empresas de telecomunicação chinesas, como Huawei e ZTE.

O app de relacionamentos para o público LGBT "Grindr" está em vias de ser vendido a empresas americanas, após surgirem preocupações de privacidade de dados

O Grindr foi o primeiro aplicativo de encontros e relacionamento dedicado exclusivamente ao público gay, queer, bissexual e transsexual a figurar no marketplace de dispositivos iOS, ganhando uma versão para Android logo em seguida. Fundado em 2009, o aplicativo ganhou vários prêmios relacionados à diversidade até ser adquirido pela Kunlun Tech, em 2018.

O app se vende como “a maior rede social de encontros para pessoas gays, bis, trans e queer” e, por dados de 2017, traz cerca de 27 milhões de usuários no mundo todo. Vale citar, porém, que diversos países impuseram o banimento parcial ou total do app por questões políticas e religiosas, tais como Turquia, Irã, Arábia Saudita, Rússia, Ucrânia, Emirados Árabes e Indonésia, além de ser comumente usado pelas autoridades no Egito como isca para a prisão de pessoas de sexualidade fora do eixo heteronormativo.

Seus termos de uso são claros ao informar que o aplicativo coleta uma série de dados, como localização, mensagens e até mesmo o status de HIV — apesar de alguns destes serem compartilhados apenas após consentimento dos usuários.

Fonte: Reuters

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