Como aplicativos e wearables transformaram as corridas e formaram novos atletas
Por Elisa Fontes |

Tudo começa com uma caminhada pelo bairro ou na esteira da academia e, quando você se dá conta, já está disputando provas de rua com quilômetros de tirar o fôlego. O universo das corridas tem ganhado cada vez mais adeptos e a tecnologia tem um papel fundamental na construção dessa comunidade.
A busca por bem-estar mental, conexão humana e um estilo de vida ativo e saudável também ajuda a explicar por que as corridas tomaram conta dos feeds das redes sociais e das ruas. Essa foi a modalidade esportiva mais praticada no mundo e no Brasil em 2025, de acordo com o relatório de Tendências Esportivas do aplicativo Strava lançado no fim do ano passado.
Para Rosana Fortes, country lead do Strava no Brasil, a tecnologia é a grande impulsionadora dessa prática esportiva e ajuda a torná-la ainda mais democrática e coletiva. O crescimento do interesse pelos wearables, como os smartwatches e as smartbands, e o papel dos smartphones com os aplicativos que acompanham essa modalidade moldam esse novo momento das corridas.
O Strava se tornou uma das principais ferramentas de monitoramento de exercício físico e virou uma rede social alternativa quando se trata da interação da comunidade de corredores. Nele, os usuários conseguem seguir amigos, interagir, compartilhar trajetos e participar de desafios.
Segundo o levantamento da empresa, 89% dos usuários no Brasil registram suas atividades diretamente pelo aplicativo de celular. Enquanto isso, a Geração Z tem uma probabilidade 128% maior que a Geração X de eleger os wearables como seu principal investimento no mundo fitness.
“O Strava está no centro deste movimento ao utilizar a tecnologia para remover as barreiras de entrada e democratizar o esporte, permitindo que qualquer smartphone vire um portal de incentivo. Nós operamos sob a premissa de que pessoas mantêm outras pessoas ativas. A interação digital funciona como combustível para a consistência real”, explica Rosana.
Correndo com ajuda da IA
Os dados coletados por aplicativos ou dispositivos vestíveis se tornaram outro fator importante para auxiliar na constância e nos objetivos de quem corre. É aqui que a inteligência artificial surge como outra tecnologia que permite mais personalização da prática esportiva, aponta a especialista do Strava.
A IA permite transformar dados brutos em insights mais significativos para quem quer acompanhar a própria evolução e medir esforço para atingir as metas de treino. Além disso, com base em dados de perfil, ritmo de corrida (o chamado “pace”), histórico de treinamento e preferências de rota, a IA também consegue auxiliar no planejamento semanal da corrida.
Nem todo trajeto deve ser público
A tecnologia nas corridas também fomenta o encontro físico com os treinos, as corridas de rua e as maratonas. Por outro lado, gera também uma grande preocupação dentro dessas comunidades que envolve justamente o compartilhamento de dados.
Publicar o trajeto percorrido em redes sociais é quase um fenômeno cultural, principalmente entre os jovens, como forma de incentivo e celebração das metas de quilômetros percorridos. Mas, essa exposição não é aconselhada por especialistas ouvidos pelo Canaltech. Detalhes da sua rotina como localização e horários são dados sensíveis que, quando compartilhados, colocam em risco a segurança pessoal de cada usuário.
O próprio Strava já passou por brechas de privacidade, de acordo com pesquisadores da Universidade Estadual da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Rosana comenta que a “segurança é um dos pilares mais importantes” do aplicativo e conta que ele foi desenvolvido no conceito “privacidade por design”, o que significa que o usuário tem controle sobre o que deseja exibir”.
O Canaltech testou rotinas reais para saber se vale trocar smartband por smartwatch. Além disso, nossos especialistas também indicam o melhor smartwatch para comprar hoje.