Uber é banido na Índia após acusação de estupro

Por Redação | 08 de Dezembro de 2014 às 12h16

O Uber está permanentemente banido de operar em Nova Delhi, capital da Índia, após a prisão de um de seus motoristas pelo estupro de uma passageira. A notícia foi divulgada pelo departamento municipal de transportes que, agora, espera ver a mesma decisão levada também a outras cidades do país, uma vez que o aplicativo está sendo considerado um risco à segurança dos cidadãos.

A notícia, publicada pela agência Reuters, surge como um novo problema para o Uber, que já está envolvido em diversas polêmicas e escândalos. Mais uma vez, estão em xeque as políticas de seleção de motoristas do serviço já que, de acordo com as autoridades locais, o acusado já teria sido indiciado pelo mesmo crime três anos antes.

O banimento, que para algumas pessoas pode parecer uma medida extrema, tem razão de ser além do próprio ato em si, que já é grave o suficiente para isso. O governo indiano vem trabalhando de maneira ativa em relação a políticas de proteção às mulheres, que cada vez mais sofrem ataques e abusos na cidade, a segunda mais populosa do mundo. Juizados especiais para lidar com questões desse tipo foram criados, com os processos sendo priorizados e se movimentando mais rapidamente que os demais.

Como parte dessa iniciativa, inclusive, a polícia de Nova Dheli está cogitando entrar com uma ação legal contra o próprio Uber, pelo que as autoridades afirmam ser uma checagem de antecedentes insuficiente. Esse é um problema que, inclusive, já havia sido levantado pelo próprio serviço, que admitiu não ter regras fixas para realizar esse trabalho e estar trabalhando ao lado do governo para fixar um conjunto de normas para reger o serviço privado de transporte.

No caso em questão, a vítima foi estuprada após ter solicitado uma corrida pelo aplicativo. Após o ataque, foi levada até sua casa e ameaçada pelo motorista, Shiv Kumar Yadav, de 32 anos, para que não chamasse a polícia. Ela, porém, foi capaz de tirar uma foto do carro do acusado e também anotar seu número como motorista, procurando as autoridades logo depois do crime.

O caso acontece dois anos depois de um crime que chocou o mundo, quando uma mulher indiana foi estuprada por diversos homens em um ônibus de Nova Delhi. O caso incitou protestos por todo o país e obrigou as autoridades a tomarem medidas mais drásticas quanto à proteção de suas cidadãs. De acordo com uma pesquisa da Thomson Reuters Foundation, a capital da Índia é a quarta cidade mais perigosa para as mulheres em termos de transporte coletivo e a segunda pior em abusos verbais e segurança à noite.

O Uber ainda não se pronunciou sobre o assunto, mas se vê cada vez mais afundado em escândalos, críticas e acusações. Entre as denúncias, estão relatos não apenas de abusos contra passageiras do sexo feminino, mas também descaso em relação à privacidade de seus usuários e perseguições a jornalistas notoriamente críticos dos serviços da companhia.

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