4 erros comuns durante o desenvolvimento de um app

Por Colaborador externo | 31 de Julho de 2019 às 07h20

Por Bruno Abreu*

Os smartphones e aplicativos estão em toda parte e promovem facilidades que não eram possíveis há alguns anos. São incontáveis opções de apps (em 2017, já eram mais de 5 milhões em todo o mundo) que possibilitam serviços como pegar uma carona, receber a comida em casa, enviar e receber mensagens instantaneamente, entre muitas outras coisas que antes eram inimagináveis.

Os 125 milhões de brasileiros que hoje têm acesso à internet usam cerca de 220 milhões de smartphones, segundo dados publicados na Revista Exame, em 2019. Pode-se afirmar que os smartphones e seus aplicativos têm um impacto significativo na economia. Para se ter noção, em 2018, um terço do total de pedidos do comércio eletrônico brasileiro foi efetuado via mobile, ou seja, 31,3% do faturamento total do setor, segundo dados de um relatório apresentado na 39ª edição do Webshoppers, pela Ebit/Nielsen.

Neste cenário de crescimento, muitas empresas fazem dos aplicativos o seu principal negócio e meio de comunicação com o cliente. Mas, para criar um app, desenhar as funcionalidades, gerar um produto de qualidade e engajar o usuário, são necessárias muitas etapas, tempo e dedicação da equipe que o desenvolve. Para garantir o sucesso desse projeto digital, a preocupação com a qualidade deve acontecer até mesmo antes de sua concepção. Veja quais são os principais erros cometidos durante o processo de desenvolvimento de um app:

Falhas de comunicação durante a concepção

É na fase das ideias (criação das funcionalidades e identidade do app) que deve ser definida a forma de interação do usuário com aquele produto. Geralmente, o PO (Product Owner, dono do produto, em português) é o responsável por pensar nessas funcionalidades e aplicações. No entanto, muitas vezes há falhas na comunicação entre o PO, que “desenhou” as ideias e o time de desenvolvimento, que irá fazer a programação. Por isso, nessa etapa inicial, é recomendável que haja um responsável por validar as ideias e cenários do aplicativo. O Quality Assurance (QA) é a figura que pode ajudar na validação do fluxo e na redução dos bugs antes mesmo da execução do software. Lembre-se: uma ideia mal implementada pode gerar problemas nas próximas etapas!

Testar o produto apenas depois de finalizado

Se uma empresa desenvolve um app durante seis meses, por exemplo, e apenas depois de “pronto” resolve testá-lo, é muito grande a chance de encontrar erros difíceis de corrigir. Em alguns casos, gasta-se meses de retrabalho e muito atraso na entrega final. Por isso, a recomendação é que os testes aconteçam durante o desenvolvimento.

Há casos de empresas que começaram a desenvolver aplicativos alguns anos atrás e hoje estão tendo que, praticamente, refazê-lo. Isso porque, na época em que o app foi desenvolvido, não houve um planejamento ou preocupação com os testes.

No mundo dos apps, o desenvolvimento nunca acaba. Uber, Spotify, Rappi são exemplos de produtos que estão sempre incluindo novas funcionalidades. Por essa razão, os testes são recomendados durante todas as etapas do processo.

Ficar focado apenas na correção de bugs e não na evolução do produto

Muitas vezes, os times ficam focados somente em fazer manutenção corretiva, ou seja, correndo atrás de bugs que aparecem com o aplicativo já no ar. Isso ocorre porque, quando uma nova funcionalidade é inserida, pode acontecer de um outro item que estava funcionando apresentar falhas (por exemplo, ao inserir uma atualização do mapa do app, a área de cadastro passa a não funcionar corretamente).

Portanto, mesmo que uma empresa conte com um time para desenvolver novas funcionalidades, pode ser que a atenção desse time esteja voltada somente para a correção dos bugs que surgiram já com o app disponível para o usuário final, o que impede que a equipe foque em evoluir o produto para gerar novas experiências aos usuários.

Não automatizar os testes

Na visão do usuário, o app pode parecer algo simples. Mas na verdade, quando consideramos todas as funcionalidades, ele pode se tornar algo muito complexo. Vamos imaginar um aplicativo de entrega de comida, que oferece de 12 a 15 formas de pagamento, mais 300 opções de restaurantes em 100 cidades diferentes. Cada restaurante disponibiliza um menu com 30 pratos. Quando pensamos na quantidade de fatores (milhares de possibilidades de fluxo, por exemplo) e multiplicamos isso por uma dezena de dispositivos, são mais de 13 mil fluxos que devem ser testados. É humanamente impossível avaliar todos esses fluxos com a agilidade necessária. Por isso, é essencial mapear quais são os mais relevantes e automatizar a execução desses testes.

A automatização é feita da seguinte forma: cria-se um robô, que pode ou não ser plugado a um Device Farm, um móvel com dezenas de aparelhos mobile conectados. Os aparelhos podem ser acessados remotamente para fazer testes que identificam problemas funcionais e de usabilidade nas jornadas de usuários. Se houver algum reporte de erro pelo robô, a equipe é avisada para que possa corrigir o erro.

Ao desenvolver um app, é necessário validar todo o processo (desde a concepção), inserir robôs para garantir a segurança durante a execução de tarefas repetitivas e, usar o conhecimento humano da melhor maneira possível, cruzando as informações que o robô ainda não é capaz de cruzar. Este é um fluxo saudável no desenvolvimento de um app.

*Bruno Abreu é CEO e cofundador da Sofist

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