Análise | Switch óptico do Razer Viper sobe barra de mouses gamers profissionais

Por Wagner Wakka | 28 de Outubro de 2019 às 11h30
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A Razer anunciou no final de setembro o lançamento do Viper, o seu primeiro mouse com switches ópticos. O acessório é um produto premium voltado especificamente para jogadores, tal qual a maioria dos teclados mecânicos.

O switch óptico tem a mesma função dos teclados. A ideia é garantir mais velocidade e segurança quando o jogador dá um clique. Segundo a Razer, o tempo entre o usuário apertar o botão e a resposta no hardware é de 0,2 segundos. Junto disso, o sensor óptico também ajuda a evitar os famosos ghostings, assim chamados os momentos em que se aperta uma tecla e o acessório não reconhece como um clique.

Somente a escolha deste sensor faz do Viper um produto bem qualificado para gamers, principalmente os que competem em campeonatos de eSports. Também com essa peça, o aparelho acaba por ser mais caro, chegando ao mercado no preço sugerido de R$ 549.

Contudo, será que isso tudo vale mesmo a pena?

Estrutura

O Viper é feito para ser leve. Todo produzido em plástico, o aparelho chega com somente 69 gramas de massa. O conjunto material mais peso faz com que o mouse aparente ser bastante frágil, um pouco longe do que se espera de um produto nesta faixa de preço.

Mouse é ambidestro, com mesmos botões de ambos os lados (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Em contrapartida, a leveza associada à textura em plástico ajuda a manter o mouse na mão, facilitando a ergonomia. Assim, a aparência frágil pode ser trocada por um aparelho que raramente vai se prender a uma superfície, dando mais agilidade ao usuário.

Outra grande vantagem do Viper é que ele é um modelo ambidestro. Isso quer dizer que tanto faz com que mão se joga, ele sempre vai se encaixar. Uma escolha de design inteligente, tendo em vista que canhotos constantemente sofrem com mouses.

Diante disso, ele traz botões laterais de ambos os lados, fazendo do Viper uma peça simétrica em relação ao seu eixo central. Desta forma, independentemente da mão que você usar, há botões próximos ao polegar.

No total, são oito teclas no acessório: as duas padrão, a roda na parte de cima, dois do lado direito, dois à esquerda e um último na parte debaixo para regulagem de DPI. Este último talvez seja o ponto mais controverso deste design, uma vez que é preciso virar a peça de ponta-cabeça para poder fazer a regulagem de DPi. Um botão abaixo da roda poderia fazer o mesmo efeito trazendo mais facilidade.

Por fim, a peça também tem uma iluminação bastante discreta, somente com o logo do produto com cores que podem ser personalizadas.

Luz é discreta, somente na parte de trás da peça (Foto: Wagner Wakka/canaltech)

A conclusão em termos de estrutura é que a Razer fez o mouse para ser leve e versátil, o que acabou por tornar a peça menos atrativa visualmente. Como estamos falando em usabilidade, não ser tão bonito pode também ser desconsiderado como uma crítica à peça.

Games

Mais uma vez, é importante ressaltar: este é um mouse gamer. Assim sendo, pelos testes do Canaltech, não vale a pena se você não tem a intenção de usar o produto apenas para trabalho.

O switch óptico faz um excelente trabalho em diminuir o tempo de resposta para jogos que exigem alto desempenho. Contudo, não fará nenhuma diferença para preencher planilhas ou em games que não pedem tanta velocidade. Assim, você só estará pagando por um produto mais caro, sem que isso resulte em um bom aproveitamento.

Dito isso, vamos ao público alvo. Atualmente, o que define um bom mouse para games é a velocidade com que ele entrega o comando para a tela. Nestes termos, o intervalo de 0.2 segundos é bem mais rápido do que a percepção humana consegue até acompanhar.

Aparelho tem revestimento em plástico e é leve (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Assim sendo, o Viper é sim uma excelente pedida para quem está muito, mas muito alto na escala de desempenho. Ou seja, nos cenários em que milésimos de segundos em movimento fazem a diferença.

O Viper é feito para ser rápido e isso ele consegue entregar. A junção de switches e escolha de DPI faz deste mouse bastante preciso e seguro.

Por este prisma, a faixa de preço de R$ 549 é bastante honesta, tendo em vista que estamos falando de um produto único voltado a esportistas profissionais.

Mais uma vez, se você ainda não está no nível em que sente que o fator limitante de sua capacidade é o hardware, não vale a pena investir em uma peça destas.

Como grande parte dos mouses da Razer, o Viper também tem uma grande abrangência de sensibilidade. Ele parte de 100 DPI até 16.000 DPI, com cinco padrões pré-ajustáveis no botão na parte inferior.

Software

Além do botão óptico, outro grande destaque fica por conta do programa de personalização da Razer. O app é gratuito e compatível tanto com Windows quanto Mac.

Nele é possível personalizar quase todos os botões do mouse, à exceção do clique esquerdo ou direito (a depender de qual mão se usa a peça). Assim, tanto teclas laterais, quanto rolagem e clique secundário podem ser modificados. O usuário pode escolher até indicar um botão para abrir um determinado programa ou mudar o perfil estabelecido no mouse.

Programa permite configuração de quase todos os botões (Foto: Wagner Wakka/canaltech)

Isso faz com que aquele “erro” de ter o controle de DPI na parte debaixo possa ser corrigido na personalização. A peça também conta com versão turbo dos botões, fazendo com que se tenha um clique repetitivo automático.

Há opções de até 5 diferentes DPIs (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Outra vantagem deste programa é que se pode calibrar também o acessório de acordo com o mousepad que se tem. A peça vem com uma série de presets para variadas bases da Razer, aumentando a precisão.

Usuário pode calibrar acessório de acordo com o mousepad que tem (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Veredito

O Canaltech testou o Razer Viper com jogos como Fortnite, Player Unknown’s Battlegrounds, Overwatch e Counter Strike: Global Offensive. Em todos os casos, a peça ajudou na agilidade, mas não foi um determinante para o desempenho nas partidas.

Como uma peça premium, ele vai fazer diferença em detalhes. Mais uma vez, só será um acessório elementar para quem já está em um nível de alto desempenho, no qual detalhes podem definir a vitória.

Para quem é um usuário comum e compartilha o computador entre trabalho e jogatina, sem a capacidade de um pro-player, esta pode ser uma peça muito cara e que fará pouca diferença na sua diversão.

As capacidades de regulagem e ambidestria são realmente competentes e bem-vindas, mas não modifica a vida de uma pessoa que não precise de tanto.

Mouse é indicado para quem é gamer, mas pode ser demais para uso cotidiano (Foto: Wagner Wakka/Canaltech)

Desta forma, o Viper passou no teste do mouse de alto padrão, sendo leve e entregando o que realmente promete: velocidade e versatilidade. O switch óptico entra para elevar a barra dos mouses profissionais e deve indicar o início de uma tendência.

Pelo que oferece, traz um bom preço para pro-players, mas pode ser uma característica cara que não vale a pena ao consumidor comum.

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