Especialistas detalham funcionamento dos sistemas de rastreamento do Windows 10

Por Redação | 03 de Setembro de 2015 às 11h21

Mais de um mês após o lançamento do Windows 10, uma característica continua dando o que falar. E não estamos nos referindo às novidades do sistema operacional, e sim aos sistemas de telemetria implementados pela Microsoft na plataforma que vêm sendo taxados de invasivos e inimigos da privacidade por especialistas e críticos.

A ideia é que, mais do que nunca, os usuários comuns estão sendo espionados e que o Windows 10 possui funções que, de maneira básica, não apresentam muita diferença quando comparadas a keyloggers, rastreadores ou outras ferramentas utilizadas por hackers ou criminosos. A diferença é que, aqui, pelo menos de acordo com a Microsoft, as informações dos usuários seriam anonimizadas e usadas em lotes como uma forma de entender melhor os hábitos dos utilizadores, facilitar a solução de problemas e fomentar o desenvolvimento de novidades.

Essas são as informações básicas, fornecidas pela própria fabricante. Agora, porém, especialistas analisaram o tráfego realizado entre as máquinas com Windows 10 e os servidores e conseguiram determinar exatamente o que é trocado entre o sistema operacional e a infraestrutura de sua fabricante. E os resultados não são nada positivos, já que praticamente tudo o que é feito no computador é registrado e compartilhado.

Os dados são enviados de forma segmentada e da seguinte maneira:

  • Tudo o que é digitado no teclado é armazenado em arquivos temporários e enviado a cada 30 minutos para a Microsoft;
  • Dados de telemetria são compartilhados com os servidores a cada cinco minutos e incluem buscas realizadas nos navegadores, endereços digitados ou pesquisas nos arquivos locais;
  • Iniciar a webcam dá início ao envio de cerca de 35 MB de dados para os servidores da empresa;
  • Tudo o que é dito em um microfone, quando ativado, é transmitido após o fim da conversa;
  • Caso a Cortana esteja ativada, os dados de voz são transcritos em texto e também compartilhados com a Microsoft.

Tudo, de acordo com as novas informações, é feito de maneira paralela, economizando recursos e de acordo com a utilização corrente do computador, de forma a não causar lentidões ou dificuldades no acesso à internet. Caso a máquina fique inativa por mais de 15 minutos, porém, o envio de dados é intensificado e até mesmo arquivos maiores começam a ser transmitidos. A ideia, aqui, é que estamos falando de gravações de áudio e vídeo em maior qualidade.

Alguns dos rastreamentos até fazem certo sentido. É o caso, por exemplo, da transcrição de comandos de voz ou gravações de microfone em conjunto com a Cortana, que podem melhorar as respostas da assistente. O mesmo vale para a digitação, que pode auxiliar nos trabalhos de desenvolvimento de autocorreção e personalização, facilitando o trabalho para cada um dos usuários. Agora, ninguém sabe o que exatamente a Microsoft deseja ao observar o que é filmado pela webcam ou registrando conversas que acontecem pelo Skype, por exemplo.

Um buraco cada vez mais fundo

Mesmo com as críticas se acumulando, a Microsoft mantém a fala inicial de que se tratam de dados usados única e exclusivamente para a melhoria dos serviços do Windows. A empresa garante que as informações não serão compartilhadas com terceiros e estão protegidas em seus servidores, sem estarem suscetíveis a vazamentos. Muitos, porém, já duvidam disso.

E o pior de tudo é que, mesmo desativando todas as opções de telemetria, muitos dados ainda acabam sendo trocados entre o Windows 10 e a infraestrutura da Microsoft, o que levou o sistema a ser chamado de um “terminal” ao invés de uma plataforma independente. A ideia é que tudo depende da conexão online, o que fica evidenciado pela existência de atualizações mandatórias e outros recursos que funcionam apenas com uma conexão ativa.

Por fim, os especialistas criticaram os métodos usados pela Microsoft para circundar a proteção de firewalls e antivírus. Isso fez com que apenas complexas alterações em roteadores e modems, nem mesmo possíveis em todos os modelos existentes, possam bloquear o rastreamento.

Recentemente, inclusive, os recursos chegaram também aos Windows 7 e 8 como parte de um esforço de disponibilização de recursos de sua nova versão também nas mais antigas do sistema operacional. Ainda há muito o que explicar aqui, mas as críticas, pelo menos até agora, não têm impedido o ganho cada vez maior de market share pela nova plataforma.

Fontes: Ars Technica, Local G Host

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