Windows Phone: aparelhos de topo de linha só devem chegar no segundo semestre

Por Redação | 23.04.2015 às 14:50

Já se vão alguns anos desde que a Nokia se tornou a grande parceira da Microsoft na produção de celulares com Windows Phone, e quase dois desde que a companhia comprou, das mãos da finlandesa, a fabricação desse tipo de produto. Nesse meio tempo, é grande a espera por um dispositivo de topo de linha, que possa demonstrar de verdade todas as capacidades do sistema operacional não apenas em termos de software, mas também de hardware. De acordo com a companhia, porém, essa espera deve durar, pelo menos, até o segundo semestre.

A fala é de Ajey Mehta, que é diretor geral de dispositivos móveis da Microsoft na Índia. Segundo ele, a ideia é continuar investindo nos aparelhos de baixo e médio custo, que vêm apresentando bastante sucesso, principalmente nos países emergentes, e ampliando significativamente a base instalada do Windows Phone ao redor do mundo.

Essa estratégia tem razão de existir. Na índia, por exemplo, a Microsoft conquistou o quinto lugar na lista dos maiores fabricantes de smartphones, concentrando 4,6% do market share. O número continua a subir, principalmente, motivado pelo sucesso do Lumia 535, com preço abaixo dos US$ 130 e que, atualmente, é o modelo mais popular da marca. O resultado não é tão expressivo em outros territórios, mas parece ser o suficiente para que a empresa continue investindo nesse segmento.

A decisão de lançar equipamentos de topo de linha após a chegada do Windows 10 também faz sentido. Afinal de contas, o que seria melhor para mostrar toda a capacidade de um novo sistema operacional, cujo foco é, entre outras coisas, a integração com o PC, do que um dispositivo poderoso e de topo de linha? Nenhum anúncio relacionado a isso foi feito, mas de acordo com Mehta, a chegada da nova plataforma é o momento ideal para começar a trabalhar nos setores mais altos do mercado.

O segmento de baixo custo pode não ser exatamente lucrativo para as empresas – celulares mais baratos também representam margens menores aos fabricantes –, mas serve como uma grande arma para aumentar a penetração. A ideia básica é a seguinte: usuários iniciantes, que comprarem smartphones de baixo potencial, podem pegar gosto pela coisa e, na troca, optarem por modelos mais robustos da mesma marca, já que foi por meio dela que entraram nesse mundo.

É justamente nesse tipo de comportamento que aposta a Microsoft, que lança periodicamente aparelhos mais baratos e parece renegar o setor de alto padrão. O combate contra a Apple, por exemplo, parece estar fora de questão e o alvo, no momento, são os fabricantes chineses e os celulares com Android, cuja fragmentação do ecossistema acaba sendo sua principal característica negativa.

A estratégia vem dando certo, mas a grande pergunta é, até quando? Especialistas já argumentam que a Microsoft demorou demais para entrar de cabeça no mercado de alto padrão e temem que, caso o bonde do Windows 10 seja perdido, ficará difícil para que a empresa consiga evoluir no mundo mobile.

Fontes: Indian Express, GSM Arena