Por que o Windows Phone fracassou?

Por Redação | 25 de Maio de 2016 às 18h55

A situação do sistema móvel da Microsoft não anda nada boa. O Windows Phone já vinha perdendo sua fatia de mercado há algum tempo, atingindo este mês a marca de menos de 1% de participação no segmento mobile. Mas como será que a situação da plataforma da Microsoft chegou a níveis tão alarmantes? Listamos aqui, alguns motivos que podem ajudar os usuários de Windows Phone a entenderem o que pode ter contribuído para o declínio da plataforma.

Dependendo da região ou país, não é difícil esbarrar com outros usuários de Windows Phone pelas ruas. Aliás, um dos motivos para a popularização da plataforma aqui no Brasil, era a oferta de bons aparelhos com preço convidativo. Um Lumia de entrada simplesmente não tinha concorrentes a altura por aqui, os aparelhos no mesmo segmento de preço com Android não conseguiam oferecer para o usuário final a mesma experiência fluida e sem travamentos do Windows Phone 8.1.

Mas, com o passar do tempo, a Microsoft acabou tomando uma série de decisões que irritaram os usuários, e os repetitivos atrasos na liberação final da atualização para o Windows 10 Mobile fizeram muita gente deixar o sistema para trás para investir em aparelhos de outras plataformas. A falta de aplicativos também sempre foi tópico de discussão no Windows Phone, mas, além disso, a principal razão para o fracasso do sistema pode ter sido a degradação geral da experiência móvel oferecida pela empresa.

No início, a Microsoft estava confiante com o desenvolvimento do Windows 10 Mobile, e chegou até a anunciar algumas vezes que o sistema seria liberado para todos os usuários de aparelhos com Windows Phone 8. No fim, não foi bem isso que aconteceu. O update oficial acabou deixando muitos aparelhos icônicos de fora (Lumia 520 e Lumia 920). Junte a isso os dados que mostraram que só aqui no Brasil, até então um dos maiores mercados da Microsoft, cerca de 50% de usuários de Windows Phones ficaram sem acesso à atualização oficial para o Windows 10 Mobile.

Mesmo os que receberam a atualização de forma oficial acabaram tendo que lidar com diversos erros e bugs. As reclamações de erros ao baixar ou atualizar um app por meio da Windows Store, aplicativos fechando sozinho, problemas com Wi-Fi e notificações acabaram degradando a experiência do usuário ao utilizar o novo sistema. Por aqui, não sobraram nem opções para os fãs ferrenhos da plataforma. Nenhum dos novos modelos da linha Lumia anunciados em 2015 foram lançados no Brasil até o momento.

Falando em lançamentos, nem o modelo topo de linha Lumia 950XL conseguiu se livrar dos reviews negativos lá fora. A versão do W10M embarcada no aparelho gerou diversos problemas de instabilidade. Muitos que tiveram a oportunidade de utilizar o produto reportaram reinicializações constantes e apps fechando sozinho. Nem o player Groove e o aplicativo Camera ofereciam uma boa experiência. O smartphone simplesmente travava na hora de mudar as músicas ou tirar fotos.

As soluções para esses problemas apresentadas pela empresa, no geral, envolviam uma série de passos que nem todos estavam dispostos a fazer. Em certos momentos, usuários com problemas eram orientados a se inscrever no programa Windows Insider para ter acesso a versões mais atuais do sistema, mesmo assim como se tratam de versões ainda em teste, a "solução" acabava gerando ainda mais problemas de erros e travamentos.

Sobre o chamado "app gap", ou a falta de apps, não dá mais para ignorar a falta de aplicativos como: Snapchat, Apple Music e todo o ecossistema de apps do Google. É possível que alguns usuários consigam se virar sem essas ferramentas, mas o fracasso da plataforma no mercado distanciou completamente o interesse dos desenvolvedores em lançar versões de apps populares para Windows Phone.

E, claro, as outras plataformas também evoluíram com o passar do tempo. Coisas simples, que ainda não podiam ser feitas no Windows Phone, já eram funções padrões tanto no Android como no iOS. Nas plataformas concorrentes já era possível: abrir as notificações direto da central, abrir os apps pela primeira vez sem se preocupar com erros, o sistema não reiniciava sozinho ou drenava a bateria sem motivo aparente. Mesmo com outros problemas, no geral, os aparelhos com Android e o iPhone funcionam da maneria como deveriam.

Percebendo a desorganização no setor mobile, nem a Microsoft está satisfeita com o que é oferecido atualmente na linha Lumia. A empresa espera investir em pontos-chaves para tornar a plataforma mais viável para lançamentos de novos dispositivos com as versões Redstone 2 e 3 do W10M.

No momento, com a baixa presença de mercado nesse segmento, não faz muito sentido a empresa investir no lançamento de novos aparelhos. A Microsoft ainda precisa decidir qual será o destino da plataforma no futuro. A gigante de software deixou claro que o segmento mobile é o futuro, mas agora é preciso consertar a plataforma antes de focar nas vendas.

Via: MS Power User

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