Google Glass é usado em hospital para identificar pacientes via QR Code

Por Redação | 13 de Março de 2014 às 16h08
photo_camera Divulgação

Muita gente ainda duvida do verdadeiro potencial do Google Glass. Mesmo sem uma previsão exata de lançamento, os óculos de realidade aumentada desenvolvidos pela gigante das buscas têm sido usados em segmentos de várias indústrias, e a criação de novas ferramentas para o gadget continua a todo vapor.

Uma das novidades mais recentes vem do centro médico Beth Israel Deaconess, um hospital-escola da Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos. O Departamento de Emergências desse centro está testando um sistema que vai agilizar o atendimento e facilitar o trabalho dos doutores na hora de prescrever diagnósticos ou acessar informações dos pacientes. Tudo isso utilizando o Google Glass e QR Codes. As informações são do CNET.

Os testes têm sido conduzidos desde janeiro deste ano apenas com um grupo de médicos selecionados, e a proposta de funcionamento é bem simples. Equipado com o Glass, o especialista escaneia um código fixado na entrada do quarto do usuário. Feito isso, o gadget se conecta ao banco de dados do hospital para ter acesso à ficha daquele paciente e, em seguida, exibe no visor todos os dados necessários para realizar o atendimento. O doutor ainda tem a opção de fazer novas perguntas ao paciente, coletadas em tempo real, para fazer comparações do quadro clínico atual e de dias atrás daquele indivíduo.

Além disso, a equipe médica do Departamento de Emergências fez melhorias no software do Google Glass para aprimorar suas funcionalidades. Dessa forma, os doutores são capazes de readequar informações dos pacientes de acordo com o campo de visão, realizar comandos de voz, dar scroll para cima ou para baixo apenas com o movimento dos olhos, adicionar bateria extra e até ampliar o sinal de internet Wi-Fi para transitar por mais alas. Em conjunto com o Glass, os médicos podem continuar a utilizar um iPad ou desktop.

Steve Horng, um dos especialistas que têm usado o Google Glass pelas alas hospitalares, deu um exemplo de como essa tecnologia pode facilitar o trabalho de toda a equipe médica. Ele comenta que um de seus pacientes que sofre de hemorragia cerebral intensa disse ter alergia forte a remédios para pressão, mas que não conseguia se lembrar dos nomes desses medicamentos – pacientes com essa doença precisam tomar doses de remédios para controlar a pressão e diminuir o sangramento.

Graças ao Glass, Horng pode acessar todo o histórico do usuário e ver a que tipo de medicação ele é alérgico sem a necessidade de sair do quarto para visualizar essas informações em um computador. A rapidez e facilidade foi tanta que, naquele mesmo instante, o doutor Horng identificou um quadro de coagulação que precisava ser revertido o mais rápido possível. Por meio dos óculos de realidade aumentada, foi possível agir muito mais depressa e evitar sequelas mais graves no paciente, até mesmo a morte.

Google Glass

Dr. Steve Horng posiciona o Google Glass próximo ao QR Code do quarto do paciente para acessar suas informações (Foto: John Halamka)

"Acreditamos que a capacidade de acessar e confirmar informações clínicas ali, no leito ao lado do próprio paciente, é uma das características mais importantes do Google Glass. Eu acredito que a tecnologia vestível vai substituir a computação baseada em tablets, principalmente no dia a dia de especialistas que precisam de suas mãos livres e acesso imediato à informação", comentou Horng. O médico também afirma que a maioria dos pacientes não se sentiu desconfortável com outros doutores que estão fazendo uso do Glass, já a tecnologia em ambientes hospitalares é bastante comum na cidade de Boston.

Por enquanto, os testes com esses mecanismos acontecem apenas no Beth Isarel Deaconess, mas médicos interessados na plataforma poderão utilizá-la logo após o período de experimento e adaptação.

Aqui no Brasil, o Google Glass já deu as caras no Hospital São Camilo, em Salto (SP), quando o médico Miguel Pedroso fez uso do gadget para comandar uma cirurgia no sistema digestivo de um paciente. De acordo com o especialista, usar o acessório é a forma mais prática e fácil de transmitir mais conteúdo do que uma filmagem tradicional, já que o Glass transmite exatamente o que o usuário está vendo, sem precisar de equipamentos ou qualquer tipo de suporte.

"Estamos em fase de testes. O próximo passo é o desenvolvimento de um aplicativo que obedeça ao comando de voz para a exibição de um videoatlas para o cirurgião que realiza a operação e, simultaneamente, faça a transmissão de imagens da cirurgia para outros médicos conectados ao sistema", disse Miguel ao G1. O procedimento aconteceu em outubro do ano passado.

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