Dentro dos escritórios do Google: o que o futuro reserva para a gigante da Web?

Por Fernanda Morales | 22.07.2013 às 18:10
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O jornalista Ian Burrell, do The Independent, fez uma visita aos escritórios do Google em Mountain View, Califórnia, Estados Unidos, em um momento delicado para a companhia depois da revelação do programa de espionagem eletrônica PRISM, e de que supostamente empresas de internet e tecnologia ajudavam os agentes na coleta de dados de seus usuários.

"Qualquer sugestão de que o Google fornece informações sobre as atividades de nossos usuários na internet em tal escala é falsa", afirmou em seu blog Larry Page, atual CEO do Google, desmentindo as denúncias de colaboração com a Agência Nacional de Segurança (NSA). Em um momento em que a empresa busca retomar a confiança dos usuários e ser muito mais do que o principal buscador do mundo, o que o futuro e os novos projetos poderão reservar para o Google?

Há 15 anos, tudo começou com um serviço de buscas onde o usuário digitava o termo desejado e obtinha como resultado links para outras páginas na internet. A tecnologia mudou bastante nos últimos anos e o mercado móvel surgiu como um dos negócios mais rentáveis, com receita anual de US$ 50 bilhões (R$ 11,7 bilhões), e garantindo à companhia novos projetos que prevêem a criação de um assistente pessoal que trabalha constantemente, acompanha o usuário e é capaz de conversar em vários idiomas. Projetos que vão um pouco além também são sugeridos como, por exemplo, a instalação de um chip dentro da cabeça do usuário para tornar o processo de busca por termos mais simples.

O primeiro passo do Google em direção ao futuro é a tecnologia vestível, incluindo o Google Glass. Burrell foi convidado, durante sua visita ao 'Googleplex', a testar os óculos inteligentes da empresa e ele os considerou muito discretos. O jornalista revela que certo constrangimento começa quando você vai utilizar o Glass, tocando no lado direito ou jogando sua cabeça levemente para trás.

A ideia principal por trás do Google Glass é permitir que os usuários andem por ruas movimentadas e recebam informações diretamente em seus óculos, sem precisar checar seus smartphones e, consequentemente, olhar fixamente para baixo. Mas, neste momento, o projeto ainda está em fase de testes e desenvolvimento, com apenas 10 mil pessoas experimentando a versão 'Explorer' do aparelho.

Ian Burrell Google Glass

Ian Burrell com o Google Glass (Reprodução: The Independent)

Com base na experiência de Ian Burrell com o equipamento, ele não funciona assim tão bem como o esperado. O jornalista afirmou que o Glass responde com precisão perguntas simples e comandos, mas quando você solicita informações adicionais ele pode não ser tão apurado assim. A opção de câmera é bastante eficiente e, apenas três segundos após você solicitar "Ok Glass, tire uma foto', a imagem é mostrada para o usuário e pode ser rapidamente compartilhada no Google+, por exemplo.

Obviamente, o Google Glass faz parte de um ecossistema mais amplo e não foi concebido como uma alternativa completa aos dispositovos móveis, e sim como um complemento a eles. Os óculos inteligentes ainda precisam estar conectados via Bluetooth a um smartphone para que possam identificar a posição do usuário.

Knowledge Graph

O Google Glass é apenas uma parte do que a empresa planeja para o futuro com um estoque de informações conhecido como 'Knowledge Graph'. Quando foi lançada, em maio de 2012, a ferramenta tinha conhecimento de 3,5 bilhões de fatos com base nos 500 milhões de termos mais buscados em todo o mundo. Pouco mais de um ano depois, o 'Knowledge Graph' passou a conhecer 18 bilhões de fatos com base em mais de 570 milhões de termos.

O 'Knowledge Graph' é a base para o Google Now, que oferece informações aos usuários de acordo com sua localização como clima, trânsito e estabelecimentos. "[Knowledge Graph] é tudo o que você em algum momento fez uma pesquisa sobre, mais tudo o que todas as pessoas têm pensado", afirmou Ben Gomes, vice-presidente de busca da empresa. "É uma fusão de todos os interesses do mundo e necessidades de informações".

As opções do Google para o futuro têm crescido juntamente com os avanços das tecnologias de reconhecimento de voz e no processamento de linguagem natural. Scott Huffman, diretor de engenharia do Google, disse que a intenção da empresa é "transformar a forma como as pessoas interagem com o Google". Isso significa que, um dia, poderemos manter o mesmo nível de comunicação oral com o Google que mantemos com outros seres humanos.

"Se você olhar para trás 10 anos, eu tinha um computador na minha mesa e, hoje, eu tenho um computador no meu bolso e ainda tem uma tela e um teclado", explicou Huffman. "Mas avançando um pouco...eu acho que teremos um dispositivo no teto com microfones, e ele vai estar nos meus óculos, no meu relógio ou na minha camisa. E, assim como o Google Glass, não vai ter teclado...você dirá apenas 'Ok Google, blá-blá-blá' e você conseguirá o que quer".

Rotina dos escritórios do Google

Qualquer pessoa que adentrar nos escritórios do Google poderá notar que não se trata de uma empresa convencional, como relata Ian Burrell. Na hora do almoço, muitos funcionários se reúnem na quadra de vôlei de praia e outros nos cafés distribuídos por todo o complexo para compartilharem suas refeições, que recebem um incentivo extra para serem completamente saudáveis e, claro, também evitar o desperdício. E os animais de estimação dos funcionários também têm passe livre no Google.

Os escritórios contam ainda com sete academias e Burrell revela que ficou impressionado ao ver um dos funcionários caminhando na esteira enquanto trabalhava em uma tela encaixada no aparelho e com fones de ouvido. Além disso, centros de meditação estão disponíveis e até 'Cápsulas para Soneca', onde os funcionários podem tirar um cochilo de até trinta minutos sem serem incomodados.

Ian Burrell termina seu relato sobre sua excursão ao principal centro do Google afirmando que não é à toa que milhares de pessoas em todo o mundo gostariam de trabalhar na empresa, com dois milhões de candidatos enviando seus currículos para a companhia ao ano.