A jornada da virtualização

Por Colaborador externo | 20 de Agosto de 2015 às 09h33

Por Mike Thompson*

Não é segredo que a virtualização controla o data center – recentemente ultrapassou 50% de todas as cargas de trabalho de servidor e espera-se que atinja 86% até 2016. Mas, embora os data centers virtualizados tenham, em grande medida, se tornado preponderantes, a maioria das organizações ainda está no que poderiam ser consideradas as fases iniciais da maturidade da virtualização.

Então, como as empresas podem navegar por esse panorama e colher todos os benefícios da tecnologia avançada de virtualização? Hoje existem quatro fases principais na progressão da maturidade da virtualização: implementação, otimização, automação e automação avançada, que engloba aprimoramentos de vanguarda absoluta, como rede e armazenamento definidos pelo software.

A seguir, apresentamos um guia de cada fase, que inclui práticas recomendadas que permitem a organizações de TI aproveitar mais eficazmente a virtualização hoje e acompanhar o ritmo de suas futuras aplicações.

Fase 1: implementação e operações de linha de base

A fim de preparar uma implementação eficaz e garantir o funcionamento, as organizações de TI devem estabelecer uma tecnologia operacional de núcleo e procedimentos relacionados aos devidos processos de configuração, segurança, migração, recuperação de desastres e backup. Quanto mais maduros e estáveis estiverem esses recursos antes da criação de máquinas virtuais (VMs) e da alocação de cargas de trabalho a cada uma delas, mais fácil será a implementação. Após a implantação inicial, os servidores virtualizados devem ser monitorados de perto e submetidos a manutenção para corrigir problemas inevitáveis de desempenho e capacidade, bem como documentar uma linha de base da eficiência operacional. Esse tipo de monitoramento com foco acirrado também ajuda a garantir a disponibilidade e a priorização de recursos de modo a atender melhor às necessidades de SLAs e usuários finais.

Com muita frequência, essa fase é assolada por erros e negligência, como planejamento inadequado da capacidade ou estabelecimento de um ambiente virtual sem a competência para definir a escala da tecnologia e aprimorá-la. Passos equivocados como esses, comuns à implementação, podem criar uma variedade de problemas que costumam ser dispendiosos e que, em última análise, prejudicam a capacidade da organização de passar para a próxima fase.

A esta altura, a maioria das empresas já está além da implementação básica e estabeleceu um ambiente virtual em criação contínua. No entanto, muitas dessas mesmas organizações quase nunca vão além de técnicas de gerenciamento reativo, podendo ficar permanentemente presas nessa primeira fase. As organizações de TI que estão se perguntando, “como podemos melhorar isso?”. São aquelas que compreendem as vantagens da transição para o gerenciamento proativo e progrediram ou estão progredindo para a fase de otimização, que pode melhorar bastante a agilidade e o desempenho.

Fase 2: otimização

Depois de implantar com sucesso uma infraestrutura virtualizada e atingir o nível de operações da linha de base, as organizações de TI podem voltar sua atenção para a otimização dessa infraestrutura em termos de desempenho e agilidade, ao mesmo tempo que asseguram que a empresa está obtendo o máximo de seu hardware físico e obtendo uma vantagem competitiva perceptível com a tecnologia. No entanto, a liberdade que os ambientes virtuais proporcionam também apresenta desafios específicos que os administradores devem gerenciar para manter um ambiente otimizado – além de exigir um planejamento detalhado e um gerenciamento atento.

Há várias maneiras pelas quais as organizações podem melhorar o desempenho de um ambiente virtual, a começar da simples consolidação de VMs para proporcionar economias significativas de capital, operacionais e no consumo de energia. Mas para empresas que exigem um ambiente virtual maior, gerenciar a dispersão e dimensionar corretamente as máquinas virtuais são essenciais à otimização.

A virtualização facilita a criação de máquinas virtuais adicionais, mas o provisionamento excessivo pode levar a um consumo desnecessário significativo do desempenho do ambiente em geral. Com frequência, a dispersão não solucionada de máquinas virtuais também resulta em violações de segurança, caso patches não sejam aplicados a VMs antigas e esquecidas. Para ajudar a deter o problema de dispersão de VMs, as organizações de TI devem se perguntar constantemente, “Esta VM ainda é necessária e, caso seja, ela tem o nível correto de recursos?”.

Outras práticas recomendadas para o gerenciamento da dispersão incluem a implementação de um processo formal de solicitação e aprovação para criação de uma nova VM que limite o número de administradores de TI autorizados a criar novas máquinas e estabeleça uma cadeia de responsabilidade detalhada para as VMs criadas. As organizações também podem estabelecer um sistema de showback, em que relatórios sobre o consumo de recursos – e possivelmente até seus custos teóricos – sejam compartilhados com os usuários finais para incentivar o bom comportamento e demonstrar que VMs não vêm de graça.

Além de controlar a dispersão em um ambiente virtual, os administradores também devem planejar quaisquer necessidades futuras de VMs adicionais da empresa. Sendo assim, o planejamento de capacidade também representa uma parte importante da fase de otimização para assegurar que haja capacidade suficiente em todos os recursos de host, além de exigir que a organização tenha um conhecimento minucioso dos dados históricos de desempenho para fazer recomendações bem informadas. Esses processos de otimização trazem ordem para o caos que pode se apoderar de um ambiente virtual, permitindo que as organizações progridam com facilidade para o terceiro estágio.

Fase 3: automação

Para organizações prontas para avançar além da otimização, a terceira fase da maturidade da virtualização é a automação. Este estágio depende de a empresa contar com uma base sólida de processos básicos, bem como com fluxos de trabalho bem compreendidos e documentados para aplicar práticas recomendadas e políticas que permitam a automação a fim de proporcionar melhorias em escalabilidade e agilidade. Esses processos devem ser estabelecidos nas fases um e dois da jornada de capacitação.

A verdadeira otimização de um ambiente virtualizado começa na instrumentação do ambiente com uma ferramenta de gerenciamento automatizada que reúne dados, analisa o desempenho e fornece alertas automáticos que formam a base para uma automação e orquestração mais avançadas. Esses alertas podem ser parcialmente automatizados, caso em que um usuário valida uma ação antes de “clicar no botão”, ou totalmente automatizados, quando a máquina age por conta própria. Organizações que fazem com sucesso a transição para a automação criam uma infraestrutura virtualizada mais flexível e responsiva que realmente aproveita as vantagens da virtualização, tais como maior velocidade, maior economia de custos e atendimento simplificado ao usuário final.

Mas pode ser difícil determinar quando e como iniciar a automação. Uma boa abordagem para iniciantes é introduzi-la gradualmente, com base em risco, valor e previsibilidade. Em outras palavras, não se arriscar no início. Identifique um ambiente de teste que seja de baixo risco, alto valor e o mais previsível possível para aprender com seus erros e criar práticas recomendadas para uma implantação mais ampla. As organizações de TI também devem selecionar uma ferramenta ou estrutura de automação que corresponda aos conjuntos de habilidades e competência do especialista da empresa no assunto.

Fase 4: automação 2.0 – X definido pelo software

Embora hoje a automação de fase três seja a meta da maioria das organizações rumo a um ambiente virtualizado eficaz, o setor já começou a voltar sua atenção à fase quatro, considerada a vanguarda absoluta da capacitação da virtualização – rede e armazenamento definidos pelo software. Essas tecnologias permitem às empresas acelerar a implantação de aplicativos e entregar mais do que recursos de computação, de modo a reduzir drasticamente os custos de TI com uma automação do fluxo de trabalho mais generalizada no data center.

Tecnologias de data center definidas pelo software podem ser fáceis de comprar, mas o difícil é adaptar os processos e a tecnologia atual de modo a aproveitá-las eficazmente, permitindo que tornem a empresa mais eficaz e eficiente. Antes de considerar a passagem para esse estágio, as organizações de TI devem assegurar-se de que suas organizações e ambientes virtuais estejam construídos sobre bases sólidas de práticas recomendadas de cada uma das três fases anteriores. Também deve haver uma vantagem competitiva clara no aproveitamento dessa tecnologia, que justifique o risco e a despesa.

Conclusão

As vantagens da virtualização são indiscutíveis, visto que ela proporciona economia de custos, maior disponibilidade e agilidade aprimorada no atendimento das necessidades dos usuários finais. Mas, para muitas empresas, é difícil expandir além da implementação mais básica da tecnologia. Independentemente de uma organização estar apenas começando sua jornada de virtualização ou tentando progredir para um estágio mais avançado, seguir o esquema apresentado neste guia pode capacitar as organizações não apenas a maximizar as vantagens da fase de virtualização em que se encontram no momento, mas também a continuar avançando para a próxima fase e obtendo as vantagens agregadas disponíveis.

*Mike Thompson é diretor de marketing de produtos de gerenciamento de sistemas da SolarWinds.

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