Racional Engenharia: Empresa otimiza processos com plano de virtualização

Por Rafael Romer | 10.07.2014 às 13:06

Apesar de já ser amplamente adotada por empresas com tecnologia no seu core business, como telecomunicações e o setor financeiro, a virtualização de sistemas, aplicações e servidores ainda é um tema pouco discutido em ambientes mais tradicionais de negócios.

Mas a necessidade por inovar processos e otimizar custos de operação levou uma organização paulistana do setor de construção civil a apostar em um projeto de virtualização em uma época na qual o tema ainda era novidade para grande parte das equipes de TI.

Fundado em São Paulo, em 1971, o escritório de engenharia Racional teve seu primeiro projeto de virtualização desenhado em 2008, como uma experimentação do pessoal de TI realizada bem longe dos tomadores de decisão da empresa. A princípio, a equipe de TI testou em uma espécie de laboratório interno a virtualização de aplicações para a entrega de ERP, utilizando a versão gratuita do software open-source Citrix XenServer.

"Começou com o ERP, a gente tinha dois servidores e ele demandava mais. O desafio era ou comprar mais hostings físicos ou virtualizar o que a gente tinha", afirmou Ricardo Ferrigno, gerente de TI da Racional Engenharia. "Não chegava na diretoria. Não era estratégico, era operacional".

Os testes com a virtualização logo começaram a dar bons resultados operacionais e passaram a ser um elemento tático importante, chamando a atenção de diretores e acionistas. Então, em meados de 2010, surgiu a proposta de migrar os experimentos de dentro do escritório para o setor mais importante da Racional, onde a maior parte das decisões de operação da empresa são tomadas: os canteiros de obra.

"Um canteiro de obras não é um escritório, com toda a infraestrutura montada, mas por uma questão de decentralização da empresa, 90% das decisões são tomadas e os processos são executados lá. A gente precisava dar uma repaginada na qualidade do canteiro do ponto de vista de tecnologia", conta Ferrigno.

Na ocasião, a empresa passava por um momento positivo, com um crescimento anual de 43,3%, dobrando seu faturamento para R$ 2,02 bilhões entre os anos de 2011 e 2013. Com a curva de crescimento além do esperado, a empresa buscou consultoria externa para a elaboração de um Plano Diretor em TI, que visava, entre outras coisas, a otimização para mobilização e desmobilização de seus canteiros.

Até o plano de virtualização, cada canteiro montado pela empresa para uma nova obra era completamente isolado: sua própria internet, servidor de e-mail e firewall. O modelo gerava custos altos de deslocamento de pessoal para montagem da infraestrutura, além de demandar o suporte constante da TI em cada um dos locais, já que não havia centralização dos diferentes canteiros da empresa. "Não tinha uma padronização, uma governança em cima disso", explica.

A empresa entrou em contato com a integradora MD Systems para sondar iniciativas de virtualização no mercado. Após um período de um ano de negociações entre os diferentes players, a oferta foi aceita pela Racional com a implementação da própria Citrix. Com o plano, os servidores foram migrados para a versão de subscrição do XenServer e a solução XenApp foi adotada para 500 usuários, além da adoção dos otimizadores de Wan Cloud Bridge. A empresa também viu a necessidade de migrar a operação de seu data center interno para um profissional, hoje localizado dentro da infraestrutura da Tivit.

O processo facilitou a mobilização da infraestrutura necessária para a montagem de novos canteiros de obra, assim como equipamentos dentro dos canteiros, como escritórios móveis. Com os ambientes virtualizados, funcionários da obra podem agora acessar e movimentar ativos de TI como voz, dados, Outlook e ERP sem a necessidade de deslocar pessoal de tecnologia para o local.

"Eu consigo recuperar ambientes mais rapidamente e atender melhor a demanda no canteiro de obra, sem enviar alguém até lá, porque isso também tem um custo muito alto”, explica o gerente de TI. Agora, o acesso aos dados virtualizados pode ser realizado até através de redes 3G, o que simplificou a operação em ambientes insalubres de construção. Com uma duração média de operação de 18 a 24 meses, a empresa também consegue desativar infraestrutura em um canteiro encerrado com a mesma facilidade, reduzindo custos de deslocamento de pessoal.

Mesmo com uma média alta de idade entre os colaboradores da empresa, a Racional não teve que realizar qualquer tipo de treinamento entre os funcionários para trabalhar com a entrega das aplicações - mesmo sem trabalhar com a entrega de desktops virtuais. "Eles continuam com o desktop próprio para navegar na web e outras coisas, mas as ferramentas de produção já estão todas no XenApp", explica.

Canteiro Racional

Canteiro de obra virtualizado do parque logístico de Centeranel Viracopos, em São Paulo (foto: Divulgação)

Próximos passos

De acordo com Ferrigno, o plano bem sucedido de virtualização trouxe para o centro da empresa a discussão sobre a TI. "Ela começou no operacional, não nasceu no estratégico. Agora subiu até o estratégico e virou um plano de TI", explicou. Para a empresa, o principal ganho do plano veio através da capacidade de gestão de conhecimento. Com a centralização e sinergia de dados, a empresa agora é capaz de aproveitar experiências bem-sucedidas em um canteiro para aplicação em outro, otimizando processos e produtividade.

Tradicionalmente, o setor de construção civil não coloca as preocupações com TI como uma das discussões estratégicas dentro de organizações, e foca principalmente na entrega de resultados. Só recentemente o setor tem visto as vantagens de se investir na TI para otimização de processos e produção, conforme mais cases se tornam um fator importante de diferenciação.

Com o Plano Diretor de TI pronto, a empresa agora já tem metas para adoção de novas tecnologias estabelecidas para os próximos anos. Atualmente, o setor de TI se dedica à implementação de uma iniciativa de BYOD (Bring Your Own Device), que está em experimentação com a equipe.

A empresa já aboliu o uso de desktops para favorecer notebooks com ambientes virtualizados e, ainda neste ano, quer implementar soluções que permitam aos usuários separar ambientes pessoais e profissionais no mesmo equipamento.

"A ideia é flexibilizar as políticas de hardware para que o funcionário possa usar [o notebook] para fins pessoais também e aplicar o XenApp para ter a área profissional segura dele", explica. Com o plano, o objetivo agora ultrapassa a preocupação com produtividade e ataca outro ponto estratégico para a TI. "O custo que eu tenho com políticas e seguranças ainda é muito alto", encerra.