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6 tecnologias da Fórmula 1 que fazem parte da nossa vida

06:55 | Por Redação | 29 de Novembro de 2017

No começo do mês rolou o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. A etapa aconteceu com campeonato já decidido e vitória de Lewis Hamilton na temporada, além de marcar a despedida de Felipe Massa, marcando o que deve ser o fim de um legado de pilotos brasileiros na competição. Ano que vem, não teremos conterrâneos na pista, a não ser que uma surpresa aconteça, o que não significa que a F1 não aparecerá mais por aí.

Pelo contrário, as tecnologias desenvolvidas nas pistas fazem parte do seu dia a dia bem mais do que você imagina. E se engana se você pensa que isso se resume apenas à indústria automotiva. Aqui, separamos seis inovações que apareceram na Fórmula 1 e, depois, chegaram bem perto de você.

Câmbio borboleta e sem embreagem

Em um esporte em que cada milésimo de segundo é essencial, um erro humano pode colocar tudo a perder. E eles eram comuns nos velhos tempos da transmissão convencional, com pilotos, a mais de 250 quilômetros por hora, errando na mudança de marcha ou pisada na embreagem e colocando toda uma corrida a perder. Foi por causa disso que, nos anos 70, a Lotus começou o desenvolvimento de um sistema que usasse botões em vez de alavancas.

O trabalho não deu muito certo na época, e foram mais de 15 anos até que o primeiro carro de corrida com essa tecnologia aparecesse. A Ferrari F1 640, de 1989, introduziu a marcha semiautomática, sem embreagem e com o famoso câmbio borboleta. Pilotada por Nigel Mansell, ela ganhou a primeira corrida daquela temporada, no Brasil, mas uma série de problemas impediu que ele continuasse a trajetória de sucesso,

Ainda assim, essa tecnologia é comum, hoje, em praticamente todas as categorias do automobilismo. Carros de passeio também contam com câmbio borboleta e a invenção ainda abriu caminho para a criação das primeiras transmissões automáticas, também bastante comuns hoje em dia.

Botões para dar a partida

Mais uma vez, estamos falando dos milissegundos que podem fazer toda a diferença. Analisando os dados dos pilotos, engenheiros da Porsche perceberam que apertar um botão para dar a partida é bem mais rápido que girar uma chave ou dar a partida. Nascia assim, nos anos 80, a ignição por botão, que foi testada inicialmente nos carros da McLaren, chegando a praticamente todas as equipes na década seguinte.

Aqui, vale uma curiosidade interessante. Ao contrário do que estamos acostumados nos carros de passeio, que a ignição fica à direita do volante, os botões de partida nos carros da Fórmula 1 e outras categorias ficam à direita. Assim, o piloto pode ligar a máquina com uma das mãos e engatar a primeira com a outra, partindo rapidamente e ganhando vantagem na largada.

Suspensão ativa

Agora o papo vai ficar um pouco mais técnico para explicar porque boa parte do conforto que você sente hoje, quando anda de carro, existe graças à Fórmula 1. Na década de 90, quando sensores e computadores ainda começavam a tomar conta da categoria, a Williams desenvolveu um sistema de suspensão ativa, que alterava o acerto do carro a cada curva do circuito.

A tecnologia foi uma das grandes responsáveis pela vitória da Williams em 1993 com o FW15C, considerado até hoje um dos carros de corrida mais sofisticados já construídos. Era como se o piloto Alain Prost, campeão daquele ano, estivesse usando cheat, então, a Federação de Automobilismo baniu todo tipo de ajuda eletrônica nos carros a partir do ano seguinte.

Hoje, a suspensão ativa está presente em praticamente todos os veículos que rodam pelas ruas, garantindo maior conforto para os passageiros de acordo com o estado da rua e do asfalto. A tecnologia também pode ser usada em mecanismos de segurança, por exemplo, dando mais firmeza ao volante em uma freada de emergência.

Pneus de chuva, tênis e botas

Falar que o desenvolvimento de pneus de corrida também influencia no seu carro é óbvio. Mas e se eu dissesse que essa tecnologia também pode estar no seu sapato? Sabe aquelas ranhuras que estão presentes nele? É herança da Fórmula 1 e da necessidade de correr na chuva.

Em corridas secas, os pneus são lisos. Mas quando está chovendo, eles são substituídos por compostos que possuem diversas ranhuras, como caminhos em um mapa, que servem para manter o veículo grudado no chão e evitar a aquaplanagem. Ela acontece quando a água forma uma lâmina sobre o asfalto, fazendo com que o carro perca completamente o controle.

Hoje, é como se os carros de passeio usassem um pneu de chuva permanente, já que não dá para trocar tudo de acordo com o clima. E você só não escorrega e cai no chão quando anda debaixo d’água por causa das ranhuras.

Medicina

A parada nos boxes é quase como um balé. Cada engenheiro tem sua função específica, a ser realizada no menor tempo possível, e é bonito ver como quatro pneus são trocados em poucos segundos. Um grupo de médicos de um hospital de Londres também curtiu tudo isso e começaram a pensar em como essa sincronização toda poderia ser aplicada ao trabalho deles.

Em 2006, os profissionais pediram ajuda da Ferrari e da McLaren para desenvolverem, juntos, um sistema que tornasse mais ágil a troca e entrega de instrumentos e equipamentos durante uma cirurgia de alto risco. Essa união deu certo. Erros de comunicação e confusões durante as operações foram reduzidas em 40%, e nos últimos dez anos, centenas de vidas foram salvas pelos segundos extras que os médicos ganharam com o uso do sistema.

Sensores de saúde

Estamos caminhando para um mundo conectado, em que até mesmo sua condição de saúde pode ser monitorada à distância pelos sensores. Essa é outra onda iniciada pela Ferrari nos anos 90, quando começaram a utilizar esses pequenos dispositivos nos carros para acompanhar todos os dados durante uma corrida.

Vamos lembrar que a ajuda eletrônica é proibida, mas a presença de dispositivos para análise, não. Hoje, carros de Fórmula são como computadores sobre rodas, capazes de entregar absolutamente todos os dados do seu funcionamento aos engenheiros. Já a McLaren é uma das pioneiras na aplicação disso no mundo real.

A escuderia foi a primeira a, no começo dos anos 2000, começar a aplicar esse tipo de tecnologia também em aparelhos médicos como marcapassos ou bombas de asma. Depois, foi a vez de cuidar das crianças com dispositivos pediátricos e, depois, de expandir isso tudo ainda mais, levando os sensores a equipamentos ortopédicos e UTIs móveis. Hoje, os sensores estão em tudo, desde o seu celular até uma plataforma de petróleo, graças, em parte, a um conceito iniciado na Fórmula 1.

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