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Android 9 Pie: seu smartphone sabe que você é viciado nele

08:48 | Por Wellington Arruda | 05 de Setembro de 2018

No dia 6 de agosto, a Google decidiu mostrar ao mundo a nova versão do Android, com nome e tudo. O “Pie”, como é chamado, fica marcado como uma atualização focada em melhorias de usabilidade e performance. Mas, também por mostrar, mais uma vez, que nós estamos viciados nestas coisas (smartphones).

O estudo “Wellness in the Age of the Smartphone” cita o impacto em seis áreas distintas da nossa saúde, e aqui vão apenas três pra gente sentir o drama: o sono, saúde mental, capacidade de interagir e relacionar.

A Google, de certa forma, tem impacto nisso. Mensalmente, como divulgado pelo CEO Sundar Pichai, o Android tem mais de 2 bilhões de dispositivos ativos. Outra informação legal no meio desse número, é: o Android não é o único SO móvel do mundo.

Mas, de qualquer maneira, vamos por partes. Algumas das novidades do Android Pie incluem:

  • Navegação mais intuitiva por gestos;
  • Atalhos para rotação de tela e volume;
  • Impede que qualquer app em plano de fundo tenha acesso ao microfone, câmera ou outros sensores;
  • Prevê as ações e faz sugestões;
  • Faz adaptações para prolongar a vida útil da bateria;
  • Cria “Slices”, que são atalhos rápidos de alguns apps dentro de outros, como na busca.

E, claro, por aí vai. Mas uma adição importante é o início dos testes da função Digital Wellbeing.

O termo, em inglês, significa bem-estar digital. A prática tenta relacionar de maneira saudável o uso da tecnologia para que não haja nenhum impacto negativo na vida do usuário.

Como usar

No Android P, o painel de controle do ‘Bem-estar Digital’ ainda está em fase beta, portanto funciona apenas em dispositivos Pixel, da própria Google. A companhia, porém, espera expandir o uso dele até mesmo para o Android Go, mas isso vai depender dos testes.

O recurso aparece, até então, dentro das Configurações. A sua página inicial mostra um resumo do seu dia, com informações de quanto tempo você já usou o smartphone e em quais apps você passou esse tempo. A quantidade de notificações e de vezes que o celular foi desbloqueado também aparece nessa área.

Se você tocar, por acaso, no seu “resumo”, verá um painel de controle com dados de uso dos últimos dias e semanas. Aqui você pode ilustrar o gráfico pelo tempo de tela de cada app, pela quantidade de notificações ou de vezes que eles foram abertos.

É também nessa parte que a gente consegue definir os timers para nos alertar de que estamos usando demais algum app. O tempo mínimo é de 5 minutos, e o máximo de 23 horas e 55 minutos. Eu espero que ninguém use um smartphone por tanto tempo assim.

Como outras práticas para ajudar nessa definição de bem-estar, temos a opção de gerenciar as notificações, o não-perturbe e ativar uma escala de cinza para a tela, que tende a desestimular nossa vontade de usar o smartphone.

A mesma prática de tentar conscientizar o usuário sobre os riscos do uso constante da tecnologia também é vista no iOS 12. Nas redes sociais, Facebook e Instagram também já adotaram a medida de registrar e ilustrar o tempo passado online. A Netflix, inclusive, também vem se juntando ao barco.

Ela também é adotada pela Google ao YouTube de forma semelhante. Ele agora mostra estatísticas do tempo gasto assistindo vídeos, além de colocar lembretes simpáticos para avisar que nós precisamos nos controlar.

Vamos, agora, para outro cenário. O governo francês anunciou que estudantes dos 6 aos 15 anos de idade serão proibidos de usar smartphones nas escolas (1, 2). Essa medida, inclusive, entrará em vigor já no próximo mês.

Isso despertou palavras de apoio e incerteza, ao mesmo tempo. A mãe de uma das alunas cita que, por segurança e outros motivos, quer que sua filha carregue o seu celular. Embora entenda que usá-lo na escola não seja o ideal, ela sugere o uso de bloqueadores de sinal.

Traçando um paralelo rápido, essas medidas citadas mostram que nós já sabemos que estamos viciados nos nossos smartphones. A diferença é que agora, com todos esses dados e estatísticas de uso, passamos a ter uma ideia do quanto.

Os avisos de que você já passou tempo demais em algum aplicativo talvez não façam efeito imediato. Não é uma questão limitadora do smartphone, tendo em vista que o usuário é a figura com mais poder nessa relação. Ou, em tese, deveria ser.

Com a chegada do Android 9 Pie e todas essas outras iniciativas para incentivar um uso coletivo mais saudável da tecnologia, esse é um bom momento para, pelo menos, tomar algumas medidas.

Nós até separamos algumas delas:

  • Observe, há um mundo lá fora. E você realmente não precisa ter um treco se passar algumas horas sem tocar no celular.
  • Gerencie suas notificações. Se perceber que passa muito tempo no WhatsApp, experimente deixar alguns grupos no mudo, ou então desative elas para os apps que mais lhe enviam avisos.
  • O ser humano curte hábitos. Se você tem alguns, como ler, ou andar de skate, ou tocar violão, ou fotografar, faça isso. E não tem problema algum usar o smartphone para fazer alguns cliques por aí.
  • Interaja por aí. A gente sabe que é difícil a falta de grana com a falta de tempo, mas diz aí se não é melhor conversar com as pessoas que a gente gosta pessoalmente?
  • Olhe ao redor. Literalmente. Se você anda com o smartphone na mão, corre o sério risco de tropeçar e cair, ou de não ver quanto cachorrinho bonito tem na Av. Paulista aos domingos… ou então de ser roubado.

Lembrem-se: a questão em torno disso tudo não significa deixar de usar o smartphone, mas sim fazer um uso consciente. É algo que a gente precisa se acostumar.

Ninguém deve parar de ler e-mails no caminho do trabalho, ou de ouvir músicas, ou de ler notícias no transporte público, ou de acompanhar o trajeto no Mapas para não se perder. A questão é saber equilibrar o uso do smartphone sem causar nenhum impacto negativo na sua vida.

Se você percebe que o smartphone, de alguma maneira, atrapalha a sua produtividade, te deixa muito distraído ou até mesmo implica nas suas relações, é melhor dar uma repensada na vida, meu jovem.

O Android 9 Pie também acrescenta o Project Treble, que promete atualizações mais rápidas. Supondo, entretanto, o seu smartphone não seja atualizado, ainda há como tomar essas métricas de uso dentro de alguns apps.

As ferramentas estão aí, por mais contraditório que seja. Nós só precisamos nos policiar.

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