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Xiaomi Mi A2: Android One acessível [Análise / Review]

10:27 | Por Adriano Ponte | 20 de Dezembro de 2018

Aparelhos com Android de verdade são raros, tanto que muita gente acredita que o Android de empresas aleatórias seja melhor que o Android do Google, atualmente o “dono” e desenvolvedor da plataforma. Felizmente existem aparelhos mais acessíveis (e) que rodam o Android puro, de alta qualidade direto do Google (e nesse caso falamos da segunda versão de um dos melhores custo-benefício que faz parte do Android One).

CONSTRUÇÃO, DISPLAY e MULTIMÍDIA

O Mi A2 é um aparelho compacto, construído em alumínio e que pesa 166g. Sua traseira possui um leitor de impressões digitais, que cumpre bem seu papel. Em geral temos cada vez menos aparelhos que cumprem o propósito de não utilizarem vidro por todos os lados, sendo gratificante ainda existirem tendências de alumínio dentro da Xiaomi.
Indo para a frente do aparelho temos uma tela IPS LCD de 5.99” (1080 x 2160) 18:9, fechando em ~403 ppi de densidade. Mais uma vez, falamos de telas IPS LCD sob o cuidado da Xiaomi, logo podemos comprovar a repetição da nossa frase: display equilibrado.

Não falamos de cores vivas, porém próximas do que podemos chamar de “precisas”, sendo boa a reprodução de tons (ligeiramente abaixo do que gostaríamos); os pretos não são profundos, porém atendem a maioria dos usuários e não entregam um “cinza” incômodo. Se optar por uma tela AMOLED não é opção, dentre as LCD IPS (essa aqui) é uma das boas opções, mesmo que não seja uma LCD topo de linha com cores calibradas na “exatidão”.
Quanto aos sons que acompanham o Mi A2, não há som estéreo nem diferenciais na reprodução de filmes e músicas pelo alto falante na parte de baixo do aparelho, sendo uma mera qualidade de “celular pequeno” tocando sons fracos e um pouco agudos.

ESPECIFICAÇÕES, USABILIDADE e DESEMPENHO

Naturalmente (como participante da linha Android One) temos o Mi A2 rodando o Android 8.1 (Oreo)/Android 9.0 (Pie), puro, limpo, direto do Google.

As atualizações do sistema são constantes e garantidas pela gigante, sendo ideal para quem pretende manter-se dentro das novidades de maneira rápida e frequente.

O Mi A2 conta com:

* Chipset Snapdragon 660
* CPU Octa-core (4x2.2 GHz Kryo 260 & 4x1.8 GHz Kryo 260)
* GPU Adreno 512
* 4 (ou) 6 GB de RAM
* 32 (ou) 64 (ou) 128 GB de ROM

Naturalmente falamos de um aparelho intermediário. O Mi A2 oferece alguns passos adiante do antigo Snapdragon 625 do Mi A1 (que foca na economia de energia e entrega performance modesta, porém acima da experiência de entrada); ao pularmos para o Snapdragon 660 presente aqui atualizamos esse poder de fogo sem comprometer parte da proposta do chip antigo, mas dando uma folga maior para jogos e apps mais pesados.

Quem optar pelo Mi A2 notará que falamos de um intermediário atual, que arrisca ir em direção dos chips mais fortes (ou seja, rodando “melhor” jogos que seriam apenas para os topos de linha). Pode ser que você encontre alguns gargalos em games muito exigentes, apenas isso.

Se você busca um upgrade considerável de um aparelho movido pelos Snapdragon 625/630 /636, pode optar pelo Mi A2 sem sustos (e com ganho em desempenho intermediário-acima).

ENERGIA

Contando com uma bateria de 3000 mAh temos uma quantidade de energia razoável para um aparelho Android One (que naturalmente não rodam entulho e software indesejado, mal otimizado sobre o sistema), logo a energia aqui só vai para o que é necessário; porém queríamos mais, afinal vemos que 4000 mAh tem parecido ser o novo passo a ser dado por boa parte das fabricantes.

Mantendo os pés na realidade realizamos nossos testes padronizados no Mi A2, que descarregou 16% de sua bateria por hora de uso ativo em condições padrão, o que significa menos de sete horas (em média) para uso contínuo do aparelho, indicando que um dia é o máximo que pode-se extrair do aparelho com uso moderado. Quem gosta de jogos deverá andar com o carregador do Mi A2.

O número não é ruim (afinal repete-se em outros aparelhos intermediários), porém indica que a Xiaomi falhou em entregar uma experiência superior aos resultados já “sem sal” do Mi A1, deixando outros aparelhos da própria fabricante como melhores opções que o Mi A2 em termos de energia. Para esses momentos de recarga no meio do dia temos o suporte do aparelho ao Quick Charge 3.0 no aparelho.

FOTOGRAFIA

Na traseira do Mi A2 temos uma câmera dupla de 12 MP (f/1.8) + 20 MP (f/1.8), com captura de vídeos em 4K.

Ambas lentes posicionam-se ridiculamente saltadas para fora do aparelho, adicionalmente atrapalhando a ergonomia do celular pela sua proximidade aos controles de volume.

Entendemos que tendências de mercado existem e devem ser levadas em conta, porém no caso do Mi A2 parece uma mera cópia de outros aparelhos, deixando o celular com menos bateria para ficar fino… mas com um tumor na péssima região da câmera.

Como falamos de uma dupla (no caso do Mi A2) temos a função de “zoom” para o conjunto de lentes que trabalha ali. Apesar dos megapixels extras para auxiliar na função sempre pense em fotografar com condições ideais de luz; as cores registradas são boas, porém há uma boa tendência do Mi A2 apagar parte dos detalhes finos de texturas e fibras (sendo isso obra do HDR ou da menor quantidade de luz, ambos tem efeito similar na suavização de coisas).

Com exceção do pós processamento para suavizar as cenas é possível sim obter fotos interessantes com menos luz, basta deixar por conta do aparelho. Em geral temos um fotógrafo intermediário competente.

Já na frente do aparelho temos não mais uma câmera 5MP (como no Mi A1), indo para 20 MP (f/2.2) no Mi A2, com captura de vídeos em [email protected]

O registro de cores e detalhes é bom, mantendo a regra de que boas condições de luz são necessárias (como sempre). O flash frontal não conta nessa regra (ele ajuda, mas sozinho não resolve ambientes totalmente escuros).

VALE A PENA?

É certo que o primeiro Mi A1 foi um grande passo nas opções de aparelhos Android com software de qualidade, direto do Google, com preço interessante. O Mi A2 é a natural evolução dessa tendência ramificada que vive dentro da Xiaomi, porém não dá um passo grande em relação ao antecessor (e não corrige alguns defeitos do Mi A1 original).

Se você já possui um Mi A1, não é possível recomendar a compra do Mi A2; ele é um aparelho melhor, porém não “tão melhor” assim, sendo suas mudanças incrementais (melhor descritas como pequenas melhorias espalhadas pelo aparelho). A bateria/autonomia praticamente idêntica do Mi A2 em relação ao Mi A1 já seria motivo para muita gente não cogitar uma troca, e isso fica mais reforçado pela falta de “grandes” novidades no aparelho.

Com preço oscilando entre R$ 800,00 (e) R$ 1.200,00 (dado o dólar e flutuações de loja-a-loja) fica o Mi A2 para quem busca um aparelho acessível com um dos melhores Android disponível do momento (sempre atualizado, direto do Google). Só não confunda “melhor Android” com “mais potente”, afinal o Mi A2 não é isso (e nem se propõe a ser).

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