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Sony Xperia XA2 Ultra [Análise / Review]

11:15 | Por André Fogaça | 14 de Maio de 2018

Mais um ano, mais um Xperia. Faz tempo que este é o pensamento ao ver um novo smartphone da Sony. As coisas finalmente começaram a mudar no design, mas ainda há alguns modelos mais conservadores. É o caso deste cara aqui.

Ele é o Xperia XA2 Ultra, um dos dois lançamentos da Sony para a CES de 2018. Um intermediário que atende diretamente quem gosta de telas enormes, desproporcionais ao tamanho da mão. Quase que um tablet em miniatura.

Quadradão, só que com pequenas mudanças

É, este é um ponto negativo na Sony faz tempo. Só que algumas coisas mudaram por aqui, ou quase isso. O Xperia XA2 Ultra é o primeiro passo para um novo visual, que a Sony não muda desde 2013. As mudanças neste modelo são pequenas, mas perceptíveis. A maior delas é que o leitor de impressões digitais agora está na parte traseira. Pouco acima do que geralmente temos em aparelhos que apostam nesta posição para o leitor – ou seja, quase que todo o mercado de Androids.

Ele continua sendo quadradão, num ponto onde é possível até mesmo deixar o smartphone de pé numa superfície lisa. Voltando para o leitor, ele é tão ágil quanto o que a Sony sempre usou na lateral do aparelho, além de ser até mais confortável. Canhotos e destros continuam podendo utilizar este sensor sem mudar de posição radicalmente.

O que não ajuda no conforto é o tamanho do celular. Como qualquer dispositivo que não aposta em telas de 18:9, ele é muito grande para um smartphone. São mais de 210 gramas de peso em um corpo que não cabe na mão. Mesmo com mãos grandes, utilizar o smartphone com apenas uma mão é uma tarefa literalmente impossível. Até existe uma função que diminui a tela para utilizar com uma só mão, mas não resolve.

O corpo é em plástico na traseira, mas de qualidade muito superior ao que temos em outros dispositivos que ainda não apostam fortemente em metal. A Sony é uma das únicas empresas que ainda adota botão físico para tirar fotos, e ele está aqui. Há também uma forma bem inteligente de não atrapalhar a vida de quem quer trocar o SIM card. Você não precisa de ferramentas, só precisa da unha.

A gaveta tem espaço para dois SIM cards e um microSD, sem ninguém brigar. O único problema é que o celular sempre reinicia quando você remove a bandeja.

Eu sinceramente não me recordo de outra fabricante que reinicia o aparelho quando a gaveta é removida. O próprio Android é capaz de entender que o SIM card foi removido e trocar as configurações assim que um novo SIM card for inserido.

Felizmente há entrada para fone de ouvido, o cabo USB trabalha com a entrada USB-C e o alto-falante está localizado apenas na parte inferior. Nada de som estéreo, o que é um ponto bastante negativo para um aparelho que tem o consumo de mídia como um de seus principais recursos.

Outro ponto de mídia que precisa ser levado em conta é a tela. Ela tem 6 polegadas de display, em formato de 16:9 e, sim, há barras enormes na parte de cima e pra baixo também. Nas bordas tudo é bem fino e estreito, algo bastante comum para celulares da Sony.

A tecnologia da tela é o conhecido LCD IPS, com resolução Full HD. Em ambientes bem iluminados, mais pra onde o sol está bem acima do usuário, as informações são menos claras do que em telas OLED. As cores são exibidas com belo balanço e você tem até a possibilidade de alterar o balanço de branco como bem entender, alterando a intensidade de verdes, vermelhos e azuis. O contraste é bastante bacana, mesmo para uma tela que não tem iluminação em cada pixel.

O ângulo de visão é generoso e se assistir filmes e vídeos não é sua praia para uma tela tão grande, ao menos dividir espaço com outro app aberto ao mesmo tempo pode ser bem interessante. Há espaço de sobra pra isso por aqui.

No final, a tela é exatamente boa para quem procura tela acima de tudo, em um celular. Tem bastante tela aqui. Bastante.

ESPECIFICAÇÕES

A Sony escolheu o bem falado Snapdragon 630 para rodar oito núcleos em até 2.2 GHz, acompanhado de 4 GB de memória RAM e 64 GB de espaço interno, com bem menos de um quarto disso tudo já utilizado pelo sistema operacional. Que, de fábrica, já roda na versão Oreo.

Ah, claro, vocês amam benchmarks e seguem alguns que fizemos por aqui.

Utilizar o Xperia XA2 Ultra é um misto de sensação de estar bem perto de um topo de linha, mas notar que você não está bem lá quando começa a utilizar muito o multitarefa. Engasgos são perceptíveis sempre que muitos apps estão abertos no fundo, mas o scroll em redes sociais não sofre como acontece em outros modelos.

Em jogos a situação também é bacana. Tekken rodou bem, sem travamentos, o que também aconteceu com Asphalt Xtreme e PUBG. Sim, dá pra jogar PUBG sem qualquer problema e a tela grande ajuda bastante na hora de não tampar tanto a visão do jogo, com os dedos.

A Sony continua com a bela interface que mistura pontos de Android puro com algumas coisas de Android modificado.

A quantidade de apps pré-instalados é bem alta, com redundância em funções como dois players para música, duas galerias de fotos e dois reprodutores de vídeo. Há também um antivírus instalado num Android, que bem sabemos que tem pouca ou nenhuma eficácia além de deixar o desempenho do aparelho abaixo do esperado.

Passando por estes pontos, há soluções óbvias que já vem instaladas. Uma delas é a inserção do app do Facebook e um editor de vídeos, algo que é raro de encontrar boa solução em Android. A interface para notificações, de ajustes e da tela inicial são mais voltadas para o Android puro, o que é bem bom.

No tanque do Xperia XA2 Ultra há 3.580 mAh de pura energia. Seria um número alto e de dar prazer – e realmente é!

O consumo no cotidiano pode até te dar dois dias de uso contínuo, isso significa uso com 4G ligado o tempo todo, Wi-Fi em boa parte do dia, GPS no Google Maps em alguns momentos, streaming de áudio para um fone de ouvido bluetooth por mais de duas horas, junto de alguns jogos. Tudo isso com seis ou sete horas de tela ligada.

Agradeça ao ótimo gerenciamento de energia que o Snapdragon 630 tem, junto de bastante eletricidade na bateria e pronto. Receita de sucesso garantida. Em nosso teste de reprodução de vídeos na resolução nativa do smartphone, conectado via Wi-Fi, rodando no app do YouTube e com o brilho no máximo, conseguimos uma média de entre 13 e 14% de descarga por hora. O suficiente para assistir dois filmes inteiros de duas horas no Netflix.

Com sobra para quase um terceiro, se você colocar o brilho da tela no automático. O que você deve fazer, se quiser ter boa visão por mais tempo.

CÂMERAS

Além de bastante bateria e tela grande, um dos recursos mais bacanas do Xperia XA2 Ultra é a câmera. Na verdade as câmeras frontais, que trabalham com resolução de 16 e 8 megapixels, e abertura de f/2.0 e f/2.4 respectivamente – sendo que a lente com sensor de 16 megapixels tem até estabilizador ótico. No lugar de tirar fotos no modo retrato, o conjunto de lentes garante que você pode escolher entre uma selfie comum ou uma selfie de menor resolução, só que com muito mais espaço para que mais amigos apareçam na mesma foto.

Ainda na frente há um flash que permite iluminar o ambiente atrás da selfie tirada com flash. Ele faz isso ao retardar o flash e transformar o LED em uma lanterna, que consegue iluminar tanto o rosto da selfie, como o ambiente. Os resultados com esta função ficam mais granulados do que o comum, mas o resultado é promissor e inovador para esta categoria.

A lente traseira também tira boas fotos com seus 23 megapixels, mas sofre com a abertura escura de f/2.0. Imagens em boas condições de luz não são problemáticas e o que me incomodou bastante é o alcance dinâmico pobre do modo automático, que perde para muitos de seus concorrentes. Há HDR, mas ele está dentro de ajustes da opção de modo manual, garantindo que a maioria das pessoas nunca encoste nesta função.

Fotos noturnas ficam com cores mais lavadas e o modo automático tende a te fazer tirar fotos com mais brilho do que a situação pede.

Sempre que tirei as fotos noturnas para este review, precisei baixar o brilho manualmente antes de tirar a foto.

VALE A PENA?

O Xperia XA2 Ultra é a melhor opção do mercado para quem busca celular com tela grande, muito grande. Não há concorrência que entregue algo bom, com os recursos que você tem no Xperia e com tanta tela. Neste cenário é complicado encontrar concorrente para sugerir, mas o preço deixa a seleção deste modelo pouco menos atraente.

Ele foi lançado no Brasil por salgados R$ 2,4 mil. Valor que, no momento da gravação deste vídeo, é o suficiente para levar um Moto Z2 Force, LG G6, ou quase que o necessário para levar o Galaxy S8. Todos eles superiores em tudo, quando comparado ao XA2 Ultra.

Eles perdem apenas na tela, por ser menor. Só isso, mais nada. Nada além da tela. Com este preço alto é complicado sugerir a compra, com topo de linha do ano passado no mesmo patamar. Se ele chegar por algo próximo dos R$ 1,8 mil, começa a valer a pena.

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