Análise de Produto 416 / 423 vídeos

Samsung HMD Odyssey: óculos de RV compatível com Windows Mixed Reality

08:10 | Por Adriano Ponte | 11 de Junho de 2018

Pode ser que você já tenha usado um óculos de realidade virtual (ou “VR” em inglês), seja num shopping ou numa outra oportunidade. O que é questionado normalmente é o quanto o usuário tem de imersão durante o uso de um óculos do tipo, sendo a imagem "pouco empolgante" um dos comentários mais comuns para justificar a experiência ser apenas "ok".

Aqui temos um provável passo mais próximo dessa barreira ser quebrada, e falamos do "Samsung HMD Odyssey", um sistema de VR Headset com áudio, som e controles no KIT; o toque especial fica por conta das duas telas AMOLED internas de resolução 1.440 x 1.600 pixels (@90/60Hz).

Você já deve ter sacado que é um equipamento bem caro a essa altura, então prossiga nesta análise já com isso em mente.

Kit de realidade virtual

Ao lembrar que um óculos de realidade virtual ficará em contato com sua cabeça por longos períodos de tempo faz sentido levar o conforto em questão. O Samsung HMD Odyssey possui almofadas internas, e durante nossas sessões de teste consideramos muito confortável utilizar o dispositivo. Parte dessa fórmula avança para o que já citamos? atrás das lentes temos telas AMOLED que ajudam muito nesse conforto do uso prolongado; é perceptível que o Odyssey evoluiu um dos pontos mais fracos dos dispositivos VR, permitindo que você não passe mal com tanta facilidade.

O peso também faz parte da fórmula, e 645g são algo a se considerar. No caso do Odyssey temos uma distribuição de peso muito bem aplicada, incluindo o cuidado de guiar o cabo de conexão do óculos para a parte de trás da peça, sendo fácil ajustar o centro de gravidade do headset. Não é necessário compensar a presença do fio durante o uso, inclusive.

Esse cabo é uma combinação de USB 3.0 + HDMI 2.0 (ligados no PC) seguindo num fio único de 4 metros de extensão até o Odyssey.

Se não tinha ficado claro, o Odyssey precisa de um PC para funcionar - ele literalmente é "apenas um óculos VR", não um dispositivo independente. No nosso caso utilizamos um notebook Samsung Odyssey (equipado com GPU Nvidia GTX 1060, CPU Intel Core i7 e 16GB de RAM) também sob empréstimo da Samsung para realizarmos nossos testes com o óculos. Vale notar que qualquer computador com Windows 10 atualizado e hardware suficiente para realidade virtual é compatível com o HMD Odyssey.

Entrando de cabeça no VR

Para se sentir um personagem de "jogador nº 1" basta conectar o óculos no PC e só. O Windows reconhece automaticamente o componente e assim inicia a "Cliff House", sua casa no penhasco virtual.

Esse ambiente VR é gerenciado nativamente pelo próprio Windows 10 (que recebeu este suporte entre seus últimos grandes updates); dessa forma você precisa de qualquer PC com boa placa gráfica e Windows 10 atualizado para acessar o aplicativo de “realidade mista” da Microsoft, onde você retorna para sua casa base. Na “Cliff House” você fixa atalhos para seus apps de realidade virtual como se fossem quadros nas paredes ou como objetos de decoração, e assim usa esse espaço como um "menu iniciar em forma de casa". Ainda falta muito para essa central ser de fato boa, afinal a loja é um enorme calcanhar de aquiles em títulos mais parrudos (e falta uma organização mais direta e intuitiva), porém esperamos que isso melhore com o tempo, certo Microsoft?

Para mover-se aqui você deve usar os controles que acompanham o Odyssey, pois mesmo com os óculos contando com 2 câmeras frontais com 6 DOF (ou seja, 6 “graus de liberdade”, reconhecendo não só os movimentos de giro do headset em relação ao ambiente como também a aproximação do usuário para frente ou o distanciamento para trás, dando profundidade aos movimentos), ainda existe a limitação do espaço físico da sua sala; dessa forma, você precisará se movimentar utilizando os Joysticks dos controles inclusos no KIT do Odyssey.

São dois modelos espelhados para cada mão, com acelerômetro/giroscópio em cada, além de um touchpad clicável, botão de menu, tecla “windows”, gatilho, joystick físico e luzes, muitas luzes. Sinceramente achamos excessiva a quantidade de luz para controles movidos à PILHA (sim, PILHAS comuns).

O uso dos controles é excelente, e inclui a capacidade de ver os controles mesmo após deixá-los em alguma superfície ou no chão, sendo fácil achar um deles mesmo com os óculos ainda colocados. A imersão que a agilidade do uso desses controles dão é bem maior que o esperado.

Outro item que ajuda a imersão são os headphones AKG integrados, bem competentes e ajustáveis, dispensando qualquer necessidade de um fone plugado no sistema. O Odyssey também possui microfone integrado para definitivamente ser a única peça necessária para o VR acontecer de forma completíssima.

E vale lembrar uma coisa: apesar de termos mostrado a "Cliffhouse" dentro do aplicativo de realidade mista da Microsoft, é apenas o recurso nativo; você pode e deve usar o óculos para outra finalidade VR que você queira em seu computador, como literalmente usar o modo "desktop" padrão pelos óculos e ver Netflix ou trabalhar, por exemplo, além de coisas ainda mais lógicas para óculos de realidade virtual como o Steam VR. Sim, eu disse Steam VR, rola com esse óculos sem problemas. Isso cura os problemas da falta de títulos da solução padrão da Microsoft, não é mesmo?

Perfeito?

Não, definitivamente não é o dispositivo perfeito, a começar pelo óbvio: ele não é à prova de idiotas.

O primeiro indicador disso é o próprio sistema de realidade virtual da Microsoft (que até permite que você crie uma cerca de segurança ao redor do usuário, porém seu espaço físico pode ser insuficiente para isso, estimulando você a esticar o cabo do aparelho).

O segundo detalhe é o óbvio fato de seu óculos criar uma ligação física entre você e o computador em questão, portando basta um giro para que você esteja enrolado num HDMI combinado com USB, criando um pião humano que derrubará ou o computador, ou você, ou seu óculos caríssimo de realidade virtual.

Daí vem a pior parte: aqui no Brasil e seus preços nada justos e cheios de impostos temos um valor alto para o Odyssey, mas fique tranquilo: lá fora o óculos também é caríssimo.

Preço gringo: cerca de $500

Preço nacional: entre R$ 3.000 e R$ 3.500

Devo comprar?

Entendemos que esse óculos de realidade virtual é provavelmente um dos melhores que você pode comprar no momento, com imagem inacreditavelmente boa, confortável e completo em todos os sentidos de acessórios e sensores, porém vale lembrar:

É só um par de óculos. Mais nada. Você ainda vai precisar de um excelente PC para fazer qualquer coisa com ele; todo o processamento ainda é responsabilidade da máquina, e reforçamos isso para quem gostou do óculos ser compatível com Steam VR: se sua máquina for ruim, o óculos também será.

É difícil engolir 3 mil unidades monetárias num óculos de VR sabendo que nenhum processamento gráfico será feito ali; isso é padrão para VR, porém reforçamos para que não tinha essa noção. Literalmente é um monitor preso na sua cara que custa bem caro.

Agora, se dinheiro não é o problema…. Você terá um excelente monitor na sua cara, com reconhecimento preciso de movimentos, controles excelentes e áudio imersivo, tudo dentro da caixa e integrado. Esquecendo o preço fica difícil falar mal dele... ah não, pena que não é sem fio. Ainda deu pra falar um pouquinho mal dele.

Gostou desse vídeo?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.